🔎 ou veja todas as análises já realizadas

Análise dos Times

Palavras-Chave

Entidades Principais

Rio de Janeiro UOL Raquel Landim Wilson das Neves Amanda Klein Governo Lula Daniela Lima Planalto Thais Bilenky Paes Castro Vladimir Safatle

Conteúdo Original

Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte O dia em que o morro descer e não for Carnaval Milly Lacombe Colunista do UOL 29/10/2025 10h21 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Mulheres choram dirante de corpos encontrados no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro Imagem: Edu Carvalho/Colunista de Ecoa Wilson das Neves escreveu o samba 'O dia em que o morro descer e não for Carnaval'. A letra é um alerta, uma profecia a respeito de um Brasil que acordou e cansou de ser exterminado. O dia em que o morro descer e não for carnaval ninguém vai ficar pra assistir o desfile final na entrada rajada de fogos pra quem nunca viu vai ser de escopeta, metralha, granada e fuzil (é a guerra civil) Começa assim. Já ouviram? Ouçam. Ouçam hoje. Amanda Klein Governo Lula rejeita operação prolongada no RJ Daniela Lima Planalto vê crítica de Castro como ação política Thais Bilenky Paes faz contraste sóbrio com marketing de Castro Raquel Landim Castro fez operação em zona de maior risco Ouçam para compreender do que se tratam essas "ações" da polícia nas favelas. Não é política pública nem guerra às drogas. É matança. É genocídio. De uma raça específica, de um gênero específico. Não existe guerra às drogas. O que existe são estratégias para manter a população sob controle, amedrontada, apavorada. Existe uma classe e uma raça submetendo outra classe e outra raça à dominação. A cada nova chacina nas favelas. Os grandes empresários do tráfico não estão ali, todos sabemos. A cada nova "operação" morre parte da juventude brasileira. Morre quem estiver pela frente. Dizem que eram todos traficantes. Balela. Eram, no máximo, suspeitos. Uma democracia não trata assim seus cidadãos. Uma democracia oferece direito de defesa a todos. No dia em que o morro descer e não for carnaval não vai nem dar tempo de ter o ensaio geral e cada uma ala da escola será uma quadrilha a evolução já vai ser de guerrilha e a alegoria um tremendo arsenal o tema do enredo vai ser a cidade partida no dia em que o couro comer na avenida se o morro descer e não for carnaval O povo virá de cortiço, alagado e favela mostrando a miséria sobre a passarela sem a fantasia que sai no jornal vai ser uma única escola, uma só bateria quem vai ser jurado? Ninguém gostaria que desfile assim não vai ter nada igual. Continua após a publicidade Como reagiríamos se a polícia entrasse atirando em um condomínio na Barra da Tijuca e matasse 60 jovens brancos? Não tem órgão oficial, nem governo, nem Liga nem autoridade que compre essa briga ninguém sabe a força desse pessoal melhor é o Poder devolver à esse povo a alegria senão todo mundo vai sambar no dia em que o morro descer e não for carnaval. Brasil é o nome que se dá a uma forma de violência, disse Vladimir Safatle. Alguns de nós não têm sequer direito ao luto. Mortos sem nome. Mortos sem história. Mortos sem direito à defesa. E a comunidade que se vire para reencontrar um caminho e seguir. Mães adoecem e morrem na sequência. Famílias são dilaceradas. Pessoas enlouquecem. Gaza é aqui e agora. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora 'Policiais com ódio': moradores denunciam violações em megaoperação no Rio Planalto vê ação 'irresponsável e política' de Castro em ataque ao governo 'Eu, minha mãe e irmã tivemos câncer, e minha filha tem a mesma mutação' Ximbinha admite perrengue nos tempos da banda Calypso: 'Fundo do poço' Moradores recuperam mais de 60 corpos em mata no Rio; mortos passam de 100