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Só para assinantes Assine UOL Opinião São Paulo, Uberlândia, Santa e Inter: a SAF como elemento de (des)conexão Juca Kfouri Colunista do UOL 16/10/2026 08h59 Deixe seu comentário Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× POR RODRIGO R. MONTEIRO DE CASTRO Já se escreveu neste espaço que a SAF, como ideia, ainda não foi normalizada pela maioria da imprensa. Quando uma vai mal, é comum que se reverbere o tropeço e o associe à natureza jurídica. Se é SAF, não pode ser bom. Por outro lado, quando a SAF vai bem ou quando osucesso se atrela a um projeto de SAF, implementado ou em andamento, o atributo é ignorado ou pouco enaltecido. Thais Bilenky Meta passou a ser a arena da disputa eleitoral Wálter Maierovitch Problema do STF não é estrutura, mas as pessoas Juca Kfouri Os cuidados da Caixa ao negociar com o Corinthians Rômulo Mendonça Empate do Fla perdeu para a festa do Vorcaro Em outro cenário, quando um clube de natureza associativa vai mal, muito mal, é comum que se tenteencontrar solução de resgate no próprio associativismo - ou em dirigentes clubistas -, e afastar a SAF como possibilidade de solucionamento; como se a SAF fosse um problema quase existencial. O melhor exemplo atual é o São Paulo Futebol Clube. No passado, foi considerado uma das principais referências organizacionais do futebol; atualmente, uma referência do que não fazer. Em recente entrevista, o atual treinador, Dorival Junior, revelou que gramados do centro de treinamento são imprestáveis e podem justificar as recorrentes lesões de atletas. Pior: também se noticiou o corte temporário de luz, em determinada área do Estádio do Morumbi, por falta de pagamento. Por que essas situações não geram as reações ou a indignação, direcionadas ao associativismo, que gerariam se ocorressem em uma SAF - e por conta da SAF? Por que, ademais, a atual crise política no São Paulo, que coincide com a maior crise econômica da história, não fez surgir um candidato que defenda a SAF como alternativa? Ao contrário: mesmo que algum candidato pretendesse a SAF, hipótese que se coloca apenas pelo debate, enfrentaria resistência (quase) fatal da estrutura de poder, formada por conselheiros interessados e conflitados e por associados que se preocupam com o social - e com frequência torcem para outro time. Não por acaso, pouco se trata de sucessos, mesmo que embrionários - e eventualmente conjunturais -, que envolvam SAF. O Uberlândia é um exemplo. Continua após a publicidade Conforme informado no sítio eletrônico do clube, por ocasião da aprovação da operação, a assembleia geral realizada em junho de 2025 aprovou a constituição de uma SAF, com apenas um voto contrário e, logo na sequência, também aprovou, por aclamação - portanto, com o voto do mesmo associado dissidente, a proposta de ingresso de determinados investidores, para aquisição de 90% das ações de emissão da companhia. Em 2026, como se sabe, o Uberlândia sagrou-se campeão brasileiro da série D e em 2027 testará a estrutura na série C. Se não fosse SAF, teria subido? Importa, na verdade, que a novidade pouco ou nada reverberou, nos principais centros, os mesmos que costumam ser implacáveis com fracassos, inclusive momentâneos, de SAF´s. Dois outros casos merecem atenção: de Pernambuco, o tradicionalíssimo Santa Cruz, que, sob a presidência de Bruno Rodrigues, largou de um ano sem qualificação em campeonato brasileiro para, em dois anos, atingir a série B. Verdade que o processo ainda não está implementado, mas, quase desde o princípio do mandato, o clube vem tratando de implementá-lo e, durante o percurso, recebeu recursos, adiantados, que viabilizaram pagamentos de salários e outras obrigações. A propósito, notícia de 2 outubro, data próxima do jogo que selou o acesso, anota o ingresso de R$ 6 milhões, montante que, não existisse o projeto de SAF, jamais entraria. O outro caso vem do interior de São Paulo: a Internacional de Limeira, que, ao lado do Santa Cruz - e de outras duas associações -, ganhou seu acesso, após 35 anos, à série B. A operação foi inicialmente aprovada, em conselho deliberativo, no final de agosto de 2026, com apenas uma dissidência. Conforme notícias de imprensa, jogadores históricos, como Ronaldo e Roberto Carlos, terão algum tipo de participação. O principal investidor, também conforme divulgado pela imprensa, é Enrico Ambrogini, que passou pela SAF do Cruzeiro - além de clubes como o Sport. Continua após a publicidade De acordo com nota pública emitida pelo clube, "a aprovação é resultado de um processo iniciado em 2023, com a constituição da Comissão da SAF (...). Desde então, foram realizados estudos, análises, reuniões e negociações envolvendo diferentes propostas e modelos. A atual operação começou a ser estruturada em 22 de dezembro de 2025 (...). O processo foi conduzido com o objetivo de construir uma estrutura capaz de oferecer maior segurança jurídica, governança, sustentabilidade e proteção aos interesses institucionais, esportivos e patrimoniais do Clube (...)". A construção da operação, ao que parece, ocorreu ao longo do ano e a anunciação antecedeu, em poucas semanas, a almejada classificação. Teria o feito sido realizado sem a perspectiva e a iminente SAF da Internacional? Possivelmente, não. Mas pouco importa essa investigação para o aparato de aversão ao modelo. Importaria, apenas, se fosse uma SAF a caminho do rebaixamento. Aí, sim, geraria notícia: o fracasso da SAF. Uberlândia, como fato, e Santa Cruz e Internacional de Limeira, como projetos, merecem ser acompanhados - noticiados e, espera-se, celebrados. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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