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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Flamengo e Sport campeões divididos de 1987 é a decisão certa e adiada Paulo Vinicius Coelho (PVC) Colunista do UOL 20/02/2026 12h04 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Alexandre de Moraes e Paulo Gonet Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil O procurador-geral da República, Paulo Gonet, deu parecer favorável a que o Supremo Tribunal Federal (STF) vote a favor do reconhecimento da Copa União de 1987 e divisão do Campeonato Brasileiro daquele ano entre dois vencedores: Sport e Flamengo. Há 39 anos, a pendenga existe. O Brasil inteiro assistiu ao Flamengo ganhar a final do Internacional e festejar seu quarto Brasileirão. Até mesmo Pernambuco, que teve o Santa Cruz como repreesentante no que, do ponto de vista legal, era o Módulo Verde do campeonato. O Flamengo foi campeão. O Brasil sabe disso. Há, sim, uma questão legal, o regulamento assinado pelo Clube dos 13 e pela CBF, que obrigava o cruzamento com os campeões empatados do Módulo Amarelo, Sport e Guarani. Daí o título ser do Sport e não tem como mexer nisso. Há uma lenda de que o regulamento foi assinado depois de o torneio ter se iniciado. Não procede. O regulamento foi assinado por Eurico Miranda, em nome do Clube dos 13, no dia 8 de setembro. A Copa União começou na sexta-feira, dia 11. Houve uma cisão no Módulo Amarelo e o regulamento foi distribuído no dia 14. Mas assinado por todos no dia 8. Sakamoto Medidas de Mendonça enviam recado à PF Daniela Lima Flávio usa Carnaval e bate seu recorde nas redes PVC Filipe Luís tinha que seguir Mbappé ao falar sobre Vini Juca Kfouri Os favoritos nas quartas de final do Paulistão A lógica é, há 39 anos, dividir o título. Seria absurdo se fosse a primeira vez na história do Brasil. Não é. Vasco e Fluminense são os campeões cariocas de 1924 e 1936, Botafogo e Bangu de 1933, Vasco e Botafogo de 1934, Santos e Portuguesa de 1935 e 1973, Fortaleza, Ceará, Icasa e Tiradentes são campeões ceearenses de 1992. O caso mais similar é o Campeonato Carioca de 1907, discutido em tribunais por noventa anos, até que a Federação do Rio decidiu decretar o título dividido entre Botafogo e Fluminense. Há uma pergunta relevante: Paulo Gonet ou sua família torce pelo Flamengo? Não torcem. O procurador-geral e seu filho são botafoguenses. Em tempos de conflitos de interesses óbvios em casos relatados por ministros do STF e de clubismo explícito na midia esportiva, a resposta a esta pergunta pode tornar suspensa a indicação do procurador-geral da República. Continua após a publicidade Também não pode haver definições por se torcer por outros clubes, em programas de TV, me desculpem os amigos Octávio Guedes e Guga Chacra. A questão é de Justiça. O Sport é o campeão legal. O regulamento lhe dá o aval. O Flamengo é o campeão que o Brasil conheceu naquele ano. Inegável. A divisão parece justa, mesmo que tardia. A melhor leitura a respeito é 1987 - De Fato, De Direito e De Cabeça (André Galindo e Cássio Zirpoli) - Cepe Editora. É o livro com o maior número de documentos a respeito. ABAIXO, O RESUMO DA HISTÓRIA NA VERSÃO PVC: A história começa ainda em 1986. Até aquele ano, os estaduais eram classificatórios para o Brasileirão, com 40 clubes em seu início e mais quatro que subiriam da Segunda Divisão (Torneio Paralelo) para a segunda fase da Primeira . Na edição de 1986, a CBF determinou que apenas os 24 melhores formariam a Primeira Divisão a partir do ano seguinte. Eram quatro grupos de dez clubes cada. Os sete primeiros se classificariam para a segunda etapa e se juntariam aos quatro que vinham da Segundinha (Torneio Paralelo). Um caso de doping no jogo Sergipe 1 x 1 Joinville foi ao tribunal e deu os pontos do jogo para os catarinenses. Com eles, o Joinville eliminou o Vasco, consequentemente, rebaixado para a Segunda Divisão de 1988. Continua após a publicidade O Vasco recorreu. A CBF, após muita confusão, mudou o regulamento em plena disputa e fez com que a segunda fase fosse disputada por 36 clubes, não mais 32, com a classificação de oito de cada grupo, em vez dos sete previamente combinados. A segunda fase aconteceu e o Botafogo terminou em 31o lugar. Rebaixado. A Série A de 1988 teria os 24 melhores de 1986. Pela ordem: São Paulo, Guarani, Atlético Mineiro, América-RJ, Bahia, Fluminense, Corinthians, Cruzeiro, Palmeiras, Portuguesa, Flamengo, Joinville, Vasco, Grêmio, Criciúma, Inter de Limeira, Internacional, Athletico Paranaense, Santos, Rio Branco-ES, Bangu, Ponte Preta, Goiás e Ceará. No início de 1987, a CBF informou que não tinha dinheiro para organizar o Brasileiro. Nasceu, então, o Clube dos 13, com os mais importantes times do país em termos de torcida e conquistas se reunindo para fazer o campeonato entre eles. Além dos quatro grandes de São Paulo e Rio, os dois gigantes de Minas e Rio Grande do Sul, Bahia, Goiás, Santa Cruz e Coritiba jogariam. A noticia repercutiu e a CBF mudou de ideia. Resolveu organizar o Brasileiro. Fez-se um regulamento com quatro módulos, dos quais o Verde e o Amarelo teriam seus campeões e vice-campeões disputando quadrangular final para disputar o título brasileiro. Os dirigentes do Clube dos 13 sempre informaram que não disputariam o cruzamento. Mas havia, no regulamento, uma assinatura de um representante do Clube dos 13: Eurico Miranda. O Flamengo ganhou a Copa União (Módulo Verde) na final contra o Internacional. Sport e Guarani empataram em tudo e, depois de decisão por pênaltis empatada por 11 x 11, dividiram o troféu do Módulo Amarelo. Continua após a publicidade No início de 1988, a CBF agendou o quadrangular final. Os jogos existiram. O Sport entrava em campo, o Flamengo não: W.O. O mesmo com Sport x Internacional, Guarani x Flamengo, Guarani x Flamengo. O Guarani recebeu o Sport e empatou em Campinas. Na Ilha do Retiro, o Sport venceu por 1 x 0, gol do zagueiro Marco Antônio; Sport campeão. Daí o STF considerar o Sport campeão legal. O que não retira a ideia, de quem viveu o ano de 1987, de que o Flamengo foi o campeão legítimo. Torcer por um clube é uma coisa. Mudar a história, dizer que títulos foram conquistados por fax é coisa de ficcionista. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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