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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Papelão na final e 'guerra das toalhas' faz de Marrocos seleção antipática Julio Gomes Colunista do UOL 20/01/2026 09h07 Deixe seu comentário Árbitro assinala pênalti nos acréscimos da final da Copa Africana de Nações, entre Senegal e Marrocos Imagem: FRANCK FIFE / AFP Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Quando chegar a Copa do Mundo, possivelmente a seleção que mais despertará torcida contra planeta afora será a dos Estados Unidos, com o patrocínio de Donald Trump. Mas agora há uma competidora à altura: a seleção de Marrocos, que virou campeã de antipatia. O ridículo protagonizado na final da Copa Africana de Nações, perdida em casa diante de Senegal, foi amplificado por imagens que invadem as redes sociais e que não haviam sido mostradas nas transmissões dos jogos decisivos. A "guerra das toalhas" é um capítulo devastador para a imagem marroquina. Gandulas e até mesmo jogadores, como Hakimi e Saibari, foram flagrados tentando "sequestrar" as toalhas usadas por Mendy, goleiro de Senegal, para secar as luvas e evitar uma falha grotesca com a chuva que caía em Rabat durante a decisão de domingo. O grande herói foi o goleiro reserva senegalês, Yehvann Diouf, que atua no Nice, da França. Ele se colocou ao lado do gol de Mendy para proteger as toalhas e não deixar que os gandulas dessem sumiço nelas. Foi fisicamente ameaçado, perseguido, chegou a ser derrubado no chão, mas não largou a toalha. Sabe-se lá como aquilo não virou uma briga feroz, talvez porque outros jogadores do banco de reservas de Senegal não tenham notado o que estava acontecendo atrás do gol. Daniela Lima De saída, Haddad exibe paz com a consciência Sakamoto Trump completa 1º ano de desmonte da democracia Amanda Klein Domiciliar de Bolsonaro deve ser questão de tempo Marco Antonio Sabino Jean Wyllys, MBL e as discussões de alto nível Nas últimas horas, surgiram imagens do jogo anterior, a semifinal entre Marrocos e Nigéria, também sob chuva, que foi vencida nos pênaltis pela seleção anfitriã. Foi a mesma história, com o goleiro nigeriano Nwabali tendo as toalhas roubadas pelos gandulas marroquinos e mostrando revolta e frustração - mas sem um Diouf para ajudá-lo. É um tipo de antijogo que já foi até idolatrado aqui por nossas bandas, mas que não cabe mais no futebol mundial. Não tem nada de "raiz" nisso. É a própria definição de falta de ética esportiva. A vergonha das toalhas é a mancha final na imagem de Marrocos. É tão difícil construir e tão fácil destruir... Marrocos havia conquistado simpatia geral no mundo da bola após a campanha incrível na Copa do Qatar, sendo a primeira seleção africana a bater uma semifinal. A Federação convenceu Brahim Díaz, espanhol do Real Madrid com ascendência marroquina, a jogar pelo país, depois Marrocos ainda foi campeão mundial sub-20 e o programa de observação de jogadores com origem marroquina pela Europa é considerado um sucesso. Veio também a confirmação de que Marrocos seria uma das sedes da Copa do Mundo de 2030. A Copa Africana vinha sendo um sucesso absoluto para a imagem do país. Estádios espetaculares, gramados impecáveis, transmissões que fizeram a competição, que tinha uma imagem de ser meio "varzeana", parecer a Copa do Mundo ou a Euro. Tudo "padrão Fifa". Foi tudo por água abaixo. No campo, Marrocos foi claramente beneficiado pelas arbitragens nas oitavas, contra a Tanzânia, e nas quartas, contra Camarões. Isso obviamente virou assunto no continente e foi crescendo aquela ideia de conspiração para a seleção anfitriã sair com a taça - o que não é inédito no futebol, convenhamos. Até que os árbitros apitaram direito a semi e a final, mas aí veio o absurdo pênalti assinalado pelo VAR e pelo juiz de campo no minuto 98 da decisão. A revolta de Senegal, saindo de campo, precisa ser compreendida dentro de todo o contexto do torneio e não apenas de uma "injustiça" isolada. Senegal já havia reclamado na véspera do tratamento e falta de segurança no deslocamento de Tânger, onde havia disputado as outras partidas do torneio, e a chegada a Rabat, a capital e sede da decisão. Continua após a publicidade O lance do pênalti, diga-se, também gerou o embate entre torcedores senegaleses que tentaram invadir o campo e as forças de segurança marroquinas, que precisaram agir, por óbvio. No fim da partida, com a vitória de Senegal, a entrevista coletiva do técnico campeão, Pape Thiaw, foi boicotada por jornalistas locais, que se retiraram em massa da sala de imprensa. Uma atitude deplorável, que mostra como as faculdades de jornalismo, se é que essa rapaziada frequentou alguma, falharam miseravelmente. Jornalista não é torcedor. Jornalista é jornalista e nosso único compromisso deve ser com o público e com a informação, as emoções e preferências devem ficar em terceiro plano. Marrocos virou uma seleção antipática, de jogadores antiéticos e que ultrapassou limites em nome de um título. A derrota de uma seleção da casa, buscando título que não vence há 50 anos, deveria gerar pena, compaixão. Pelo contrário. O mundo celebra o título de Mané e Senegal. Nunca foi tão fácil torcer pela seleção brasileira como será no jogo de 13 de junho, quando as duas seleções estrearem na Copa do Mundo, pertinho de Nova York. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Julio Gomes por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Justiça condena ex-mulher a prestar contas de dez anos a Daniel Alves Homem é morto com tiro de sniper após fazer ex-esposa refém em SP Ex-sogro diz que cortou contato com Pedro após BBB 26: 'Jamais aceitarei' Anfavea pressiona governo contra BYD e menciona risco de demissões em massa Pai de Vorcaro controla ativos ambientais inflados em bilhões