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Só para assinantes Assine UOL Opinião São Paulo parece não assimilar pesadelo que vive, e precisa reagir Pedro Lopes Colunista do UOL 12/01/2026 05h30 Deixe seu comentário Olten Ayres de Abreu Jr, presidente do conselho deliberativo, Julio Casares, presidente do São Paulo, e Jaime Franco, conselheiro, durante a apresentação do novo centro de inovação do clube Imagem: Brunno Carvalho/UOL Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Sem oferecer grande resistência, o São Paulo foi derrotado ontem por 3 a 0 pelo Mirassol na estreia na temporada. Durante o jogo, o Fantástico, da rede Globo, exibiu matéria repercutindo os detalhes da investigação policial que paira sobre o clube e seu presidente Julio Casares, revelados pelo UOL na última terça-feira. Depois da derrota, o treinador Hernan Crespo precisou responder a questões sobre a grave crise política no clube. Na sexta-feira o Centro de Treinamento do São Paulo foi palco da apresentação dos reforços da temporada - eles foram acompanhados apenas pelo executivo Rui Costa. Horas depois, o mesmo CT teve entrevista coletiva do presidente do conselho deliberativo Olten Ayres de Abreu Júnior sobre o processo de impeachment contra o presidente Julio Casares. Juca Kfouri Mirassol piora o clima no Morumbi PVC Raphinha, brilhante! Barça vence Real em clássico Marcus André Melo Degradação institucional expõe também o TCU Luciana Bugni Ricos também sofrem no Leblon de Manoel Carlos A decisão de realizar a entrevista política no CT foi de boa fé - o São Paulo pensou em facilitar a logística das dezenas de jornalistas que cobrem o dia a dia. Ainda assim, foi essa a sequência de fatos. Tudo isso para ilustrar que perguntar se a crise política e as investigações policiais vão chegar no futebol não faz mais sentido. Elas já chegaram. O ponto de partida do time na temporada foi péssimo; agora, é preciso refletir sobre o quanto as coisas ainda podem piorar. O São Paulo não parece ter assimilado e compreendido a gravidade do que está acontecendo. O clube é investigado por depósitos em dinheiro anormais recebidos pelo presidente , saques de R$ 11 milhões em dinheiro das suas contas e 43 minutos de áudio de dois diretores mostrando preocupação sobre uma venda de camarote clandestino - o termo clandestino é usado pelos próprios dirigentes na gravação. O presidente Julio Casares é alvo de pedido de impeachment, que será votado na sexta-feira (18) Nesse cenário, o conselho consultivo do clube recomendou de forma contundente pelo não prosseguimento do pedido . Olten, o presidente do deliberativo, contrariando apelos de dezenas de conselheiros e milhares de torcedores, proibiu o voto online na votação de sexta, o que dificultará o quórum mínimo, também definido em decisão dele, de mais de 190 votos dentre os 255 possíveis . Olten argumenta que o voto online inviabiliza a votação secreta, e que, caso alguém peça recontagem, o que é provável, os votos teriam que ser revelados. A coluna já mostrou que o mesmo conselho, sob Olten, usou votação online e secreta para punir oposicionistas. Continua após a publicidade O São Paulo precisa reagir - o que é diferente de punir antecipadamente. Julio Casares e todos os demais dirigentes citados em qualquer investigação tem total direito à ampla defesa. É importante deixar claro: nenhum deles sequer é réu ainda. Existe apenas um inquérito em fase de apuração. Existem, porém, muitos passos que poderiam ser dados. O mais óbvio deles é adotar um sistema de votação que não só facilite, mas incentive que todos os conselheiros exerçam seu direito democrático de deliberar e votar o afastamento do presidente. Outro seria o próprio clube, com auditoria externa de renome e com o seu tão anunciado departamento de compliance, investigar ele próprio todas as denúncias que surgiram e apresentar resultados concretos. Outro seria divulgar, imediatamente, não só à Polícia, mas à sua torcida, o destino de cada centavo dos R$ 11 milhões sacados do clube. Outro afastar, pelo menos da gestão do futebol, todos os nomes envolvidos em investigações, até que elas sejam concluídas. Quando interpretações jurídicas são selecionadas caso a caso, e medidas ao alcance do clube não são tomadas, a porta se abre para que o torcedor comece a pensar que pode existir um motivo para isso. Parece que a direção, com a bola rolando, ele deixará de fazê-lo. Não parece provável. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. 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