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Opinião Esporte A geopolítica das sanções esportivas: esporte precisa de regras universais Andrei Kampff Colunista do UOL 16/12/2025 05h30 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Assembleia Geral da ONU na sede da entidade, em Nova York Imagem: ONU/Evan Schneider O movimento esportivo internacional, comandado por entidades privadas como COI, Fifa e Uefa, vive um dilema de credibilidade. A resposta às sanções contra a Rússia após a invasão da Ucrânia em 2022 — um movimento sem precedentes na história moderna — expôs a incoerência estrutural da Lex Sportiva quando se trata de conflitos armados. A questão central não é discutir se um Estado agressor deve ou não ser punido. É a seletividade gritante. O esporte reagiu com força a um caso, enquanto permaneceu complacente ou indiferente a outros conflitos igualmente graves. Isso alimenta a percepção de que as federações internacionais atuam como extensões do chamado "Norte Global", alinhando suas decisões aos interesses geopolíticos das grandes potências. O CAS, a crise de equidade e a subjetividade da "reação global" Reinaldo Azevedo 'Ratinho-Zema' e a volta do papo-furado Juca Kfouri O mau desempenho dos técnicos sul-americanos José Paulo Kupfer Prévia do PIB cai e mostra economia ladeira abaixo Milly Lacombe Por que gosto do dinizismo mesmo quando me dilacera As contestações das entidades russas no Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) colocaram o princípio da igualdade no centro da disputa jurídica. A Rússia comparou explicitamente seu tratamento ao de outros países envolvidos em guerras que nunca sofreram boicotes esportivos semelhantes. Embora o CAS tenha rejeitado todas as alegações, o tribunal revelou os critérios que orientam sua leitura das sanções. A análise feita pela acadêmica Patricia Wiater, na International Sports Law Journal, revela a dimensão do problema. O critério mais controverso é a legitimação das medidas com base na "reação global sem precedentes". Em outras palavras, a proporcionalidade da sanção passa a depender da intensidade da condenação internacional — governos, ONGs, empresas, opinião pública. Essa dependência é perigosa: transforma a seletividade política do mundo em critério jurídico do esporte. Como escreve Patricia Wiater: "A abordagem do CAS, ao considerar as reações globais, é um passo necessário para garantir a proporcionalidade das sanções. As sanções impostas à Rússia foram drasticamente diferentes das de conflitos anteriores devido à reação coordenada de governos, empresas e da sociedade civil." O problema é evidente. Conflitos ignorados pela mídia ou pelos governos ocidentais se tornam, também, juridicamente irrelevantes. A igualdade fica comprometida. Continua após a publicidade A Trégua Olímpica como novo paradigma punitivo Se o esporte quiser se afastar dessa dependência geopolítica, Antonio Di Marco aponta - também em artigo publicado no International Sports Law Journal - o caminho de transformar a Trégua Olímpica em critério objetivo e universal, não apenas uma resolução moral aprovada pela Assembleia Geral da ONU, mas uma norma vinculante dentro da Lex Sportiva. O caso russo abriu essa porta. A invasão ocorreu durante o período da Trégua de Pequim 2022, e essa violação foi utilizada como fundamento central das sanções do COI. Pela primeira vez, a quebra da Trégua Olímpica gerou uma punição desportiva real. A análise de Di Marco aponta para o que deveria ser o próximo passo. Sua proposta é direta: a Trégua Olímpica precisa ser a "linha vermelha" do esporte mundial. Qualquer agressão militar iniciada durante o período da Trégua deve gerar sanções automáticas e padronizadas — independentemente de quem é o agressor, de onde está o conflito ou da reação internacional. Di Marco resume de forma precisa: "O artigo defende que é necessária uma reforma urgente para garantir a universalidade do esporte e assegurar a integração efetiva da Trégua Olímpica no direito internacional." Continua após a publicidade O que precisa mudar na Lex Sportiva Uma reforma séria deve partir de dois pilares: 1. Codificação punitiva Classificar a violação da Trégua Olímpica como infração grave da Lex Olympica, com um regime claro de sanções: suspensão, exclusão, restrição de participação e outras medidas proporcionais. 2. Desvincular da geopolítica Substituir a subjetividade da "reação global" por critérios técnicos e verificáveis, baseados em classificações oficiais de organismos internacionais como a Assembleia Geral da ONU ou o Tribunal Internacional de Justiça. O esporte não pode seguir punindo conforme a sensibilidade política das grandes potências. Continua após a publicidade Ja escrevi nesta coluna que o caso da Iugoslávia, quando o movimento privado usou uma resolução da ONU para punir o país em função da guerra, poderia servir de base para uma avanço nessa normativa, que traga equidade e critérios mais objetivos. O esporte está diante de uma encruzilhada histórica. Decisões da ONU ou a Trégua Olímpica como padrão universal de paz e equidade, protegendo sua legitimidade e aplicando sanções de forma justa e universal, ou seguirá sendo um instrumento da política externa das nações mais ricas, negando o ideal de universalidade que proclama defender. No centro dessa escolha está a credibilidade do próprio sistema esportivo. E a resposta, agora, já não pode ser adiada. Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo Este conteúdo tem o patrocínio do Rei do Pitaco. Seja um rei, seja o Rei do Pitaco. Acesse: www.reidopitaco.com.br . Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Lei em Campo por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Mariana Gross revela cirurgia no coração e tranquiliza: 'Deu tudo certo' Corinthians: MP denuncia Duílio por uso de cartão do clube em gasto pessoal Pessoas em teto de ônibus, cratera na rua: chuva causa caos em Juiz de Fora O que cantores do especial de Natal de Zezé no SBT falam sobre cancelamento A Fazenda 2025 - enquete UOL: quem você quer que vá para a final?