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Jornalista Rodrigo França comenta longevidade de Fernando Alonso na Fórmula 1 Na véspera do GP do Bahrein na Malásia, a Aston Martin confirmou a renovação da sua dupla de pilotos, Lance Stroll e Fernando Alonso. No caso do filho do principal acionista do time, nenhuma surpresa, claro. Mas havia alguns rumores que indicavam que o espanhol poderia se aposentar ao final do ano. Acesse o canal de automobilismo do ge no WhatsApp 🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google Alonso até brincou com esta possibilidade no vídeo de anúncio publicado nas redes sociais ontem, mas a confirmação de mais uma temporada amplia seu recorde na F1, como o piloto que mais pilotou na principal categoria do automobilismo mundial: atualmente, são 440 GPs, já considerando o GP em Baku no último sábado. 1 de 7 Fernando Alonso no GP do Azerbaijão da F1 2026 — Foto: Jakub Porzycki/REUTERS Fernando Alonso no GP do Azerbaijão da F1 2026 — Foto: Jakub Porzycki/REUTERS Ainda mais impressionante é pensar que o espanhol estreou em 2001, ou seja, há 26 anos. É como se Nelson Piquet, por exemplo, tivesse corrido até a temporada de 2004 considerando a sua estreia em 1978. Nos primórdios da F1, era comum que pilotos mais velhos corressem na principal categoria do automobilismo mundial, mas, aos 46 anos de idade, Alonso mostra com sua longeva carreira porque pode ser considerado um caso único na história do esporte. Seus feitos na pista já seriam suficientes para isso, é claro. Afinal, o espanhol foi o responsável por destronar o então imbatível Michael Schumacher. Depois de emendar cinco títulos seguidos entre 2000 e 2004 pela Ferrari, o alemão chegou ao heptacampeonato, batendo todos os recordes na categoria, até ser superado por um fenômeno espanhol na Renault. 2 de 7 Fernando Alonso comemora a vitória em 2005 em Imola após duelo épico com Michael Schumacher — Foto: Vladimir Rys/Bongarts/Getty Images Fernando Alonso comemora a vitória em 2005 em Imola após duelo épico com Michael Schumacher — Foto: Vladimir Rys/Bongarts/Getty Images O bicampeonato mundial em 2005 e 2006 indicavam que viria a “era Alonso” na F1. Quantos títulos mais o espanhol poderia emendar, ainda mais após uma inteligente saída do time francês para a McLaren em 2007, onde poderia emplacar mais uma sequência de títulos? Ironicamente, foi no embate com um jovem estreante – e que se tornaria também heptacampeão mundial – que Alonso teve seu principal revés na carreira. Vendo hoje, talvez ele tivesse maior dimensão de que Lewis Hamilton não era um rookie qualquer, e sim um fenômeno da F1. Mas, enxergando como quem começa a temporada 2007 como atual bicampeão mundial e vendo ao seu lado um piloto que vinha da GP2 (a atual F2), seria natural que Alonso não quisesse ver seu companheiro de equipe incomodando seu status de número 1 na equipe. 3 de 7 Fernando Alonso e Lewis Hamilton, então pilotos da McLaren, no pódio do GP da Austrália de F1 2007 — Foto: Bryn Lennon/Getty Images Fernando Alonso e Lewis Hamilton, então pilotos da McLaren, no pódio do GP da Austrália de F1 2007 — Foto: Bryn Lennon/Getty Images Em Montreal, questionei Hamilton sobre suas memórias da primeira vitória na F1 em 2007, e foi interessante ouvir do britânico que o GP do Canadá foi o primeiro em que teve a chance da McLaren em sair em condições iguais de combustível na classificação – e assim superar Alonso. O ano foi turbulento na McLaren, culminando com Alonso impedindo Hamilton de fazer sua volta rápida na Hungria. Depois, vieram escândalos de espionagem e uma conclusão digna de filme hollywoodiano com três pilotos separados por apenas um ponto no Mundial – e os dois pilotos da McLaren , empatados em 109 pontos, perdendo o título para o “azarão” Kimi Raikkonen, da Ferrari, com 110, na última corrida do ano, no GP Brasil em Interlagos. 4 de 7 Kimi Raikkonen comemora a conquista do título de 2007 no pódio de Interlagos — Foto: Andrew Ferraro/LAT Images Kimi Raikkonen comemora a conquista do título de 2007 no pódio de Interlagos — Foto: Andrew Ferraro/LAT Images Sem ambiente no time inglês, Alonso voltou para a Renault, mas já sem a mesma competitividade. Em 2008, pelo time francês, teve a vitória no controverso GP de Singapura, beneficiado pela batida proposital de seu companheiro de equipe, Nelsinho Piquet. O espanhol até hoje jura que não sabia do plano de Flavio Briatore, seu manager e então chefe de equipe. De quebra, viu seu novo desafeto, Hamilton, conquistar o primeiro de seus sete títulos e bater seu recorde de campeão mais jovem da F1. A marca depois seria superada por Sebastian Vettel, em 2010, em um duelo justamente contra Alonso, já na escuderia de Maranello, onde teve a chance de emendar mais conquistas. O espanhol perdeu a chance do tricampeonato em uma estratégia ruim do time italiano, que o deixou boa parte da prova atrás do russo Vitaly Petrov, ironicamente pilotando uma… Renault. 5 de 7 Alonso ficou preso atrás de Petrov por erro da Ferrari em Abu Dhabi, em 2010 — Foto: Reprodução/rede social Alonso ficou preso atrás de Petrov por erro da Ferrari em Abu Dhabi, em 2010 — Foto: Reprodução/rede social A situação desesperadora de falta de ultrapassagem inclusive ajudou a mudar o regulamento para introduzir o DRS (asa móvel) para os anos seguintes e também aumentar de forma proposital o desgaste dos pneus para melhorar a dinâmica das corridas. O auge de Alonso coincidiu com outros pilotos menos talentosos sendo campeões, como Jenson Button (com a Brawn, em 2009) e Nico Rosberg (com a Mercedes, em 2016). Mas, para ser campeão, não basta ser rápido, é preciso pertencer a um time campeão, e talvez esta tenha sido o grande calcanhar de aquiles do espanhol, perdendo ambiente nos principais times de ponta a cada contrato – fechando portas em Ferrari, Mercedes, McLaren (como não lembrar do “GP2 engine” no rádio reclamando da Honda em plena corrida em Suzuka) etc. 6 de 7 Uma das várias falhas do motor Honda da McLaren de Fernando Alonso na temporada de 2015 — Foto: Clive Mason/Getty Images Uma das várias falhas do motor Honda da McLaren de Fernando Alonso na temporada de 2015 — Foto: Clive Mason/Getty Images Em Madri, perguntei a Alonso como via a F1 se tornar um esporte tão popular na Espanha por conta de seu sucesso. Ele deu uma longa resposta, lembrando que em sua estreia na Minardi, em 2001, os pais tiveram que ver a transmissão da Alemanha já que a TV espanhola sequer transmitia a categoria ao vivo. O legado para tornar a Espanha uma potência no esporte é o seu grande orgulho, respondeu. Neste aspecto, Alonso se aproxima do papel de que outro bicampeão mundial fez com um grande país, Emerson Fittipaldi e o Brasil. Coincidentemente, foi Alonso que bateu o recorde de Emerson como campeão mais jovem da história da F1, aos 25 anos em 2005. Melhores momentos do GP de Baku de Fórmula 1; Veja Depois de destronar um heptacampeão, Alonso teve um embate que hoje se tornou ainda mais emblemático com um estreante que se tornaria o maior vencedor da história da F1 e também heptacampeão. Sua carreira estará sempre ligada ao nome dos dois maiores recordistas de título na categoria, e isso também não deixa de dar a enorme dimensão do papel de Alonso no esporte. Como manager de pilotos, ainda viu seu primeiro pupilo da A14 Management, Gabriel Bortoleto, chegar na F1 – lembro de encontrá-lo na cerimônia de pódio no final de semana de estreia do brasileiro na categoria preliminar, na F3, fazendo fotos de seu jovem talento com orgulho. Com o anúncio da renovação até 2027, Alonso também faz um movimento que bloqueia a última equipe onde uma vaga ainda era possível. Apenas Haas e Racing Bulls não confirmaram suas duplas – no caso da equipe subsidiária da Red Bull, no entanto, a dúvida é apenas a ascensão ou não de Nikola Tsolov, que já faz parte da academia de jovens talentos. Na Haas, é cada vez mais forte a certeza de que Rafael Câmara conquistará a única vaga que, de fato, segue em aberto na F1 – e por isso mesmo ainda existe tanta preocupação por parte de todos para confirmar que está tudo certo para 2027. Enfrentando o brasileiro, Alonso também associará seu nome a mais um talento cujo futuro aponta grandes conquistas – e que nasceu em 2005, ano de seu primeiro título mundial. Uma estatística curiosa, mas que em uma carreira tão peculiar, nem chama mais atenção na extraordinária jornada de Alonso na F1. 7 de 7 Infos e horários GP do Bahrein na Malásia de F1 2026 — Foto: Infoesporte Infos e horários GP do Bahrein na Malásia de F1 2026 — Foto: Infoesporte