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Opinião Esporte 2026 começa com a CBF vencendo a desesperança, mas caminho ainda é longo Andrei Kampff Colunista do UOL 02/02/2026 05h00 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Por muito tempo, a relação do futebol brasileiro com a Confederação Brasileira de Futebol foi marcada por um sentimento quase permanente de desesperança. Não se tratava apenas de crítica - crítica é saudável e necessária - mas de uma descrença estrutural: a sensação de que nada mudaria, de que qualquer anúncio institucional seria apenas retórico, passageiro e incapaz de enfrentar problemas históricos. Esse passado recente não desaparece da noite para o dia. Mas ignorar sinais concretos de mudança pode ser tão prejudicial quanto o conformismo. E alguns movimentos recentes da CBF indicam, pela primeira vez em muito tempo, uma tentativa real de reorganização institucional , com avanços que merecem ser observados com atenção — e, sobretudo, com cobrança qualificada. Na semana passada escrevi sobre dois avancos já de 2026, a contratação de árbitros e o novo Manual de competições. Muita gente comentou comigo depois dos textos que tem se surpreendido positivamente com a entidade. Acho que vale avançar nessa reflexão. Casagrande Salve o Corinthians, campeões dos campeões Elio Gaspari As boquinhas do Master e os estrategistas de Vorcaro Sakamoto Liberar vapes pode bombar número de fumantes Michelle Prazeres Chuva de verão: toró de palpites no início do ano O novo Manual de Competições é um desses marcos. Ao substituir o antigo Regulamento Geral, a CBF sinaliza uma opção por padronização, clareza normativa e previsibilidade , valores básicos de qualquer ambiente regulado. O documento eleva exigências de infraestrutura, organiza direitos e deveres de clubes e visitantes, fortalece o futebol feminino, proíbe a multipropriedade de clubes e incorpora protocolos internacionais de integridade e direitos humanos. Não resolve tudo, mas aponta método. Há também um esforço perceptível de diálogo mais aberto com clubes e federações , algo raro em um futebol historicamente verticalizado. A abertura institucional não elimina conflitos -eles continuarão existindo-, mas cria um ambiente mais racional para enfrentá-los. Governança não é ausência de tensão; é capacidade de administrar divergências com regras, processos e transparência. Nesse contexto, avançar em governança e compliance deixou de ser uma escolha estética e passou a ser uma condição de sobrevivência institucional. Regras claras, controles internos, mecanismos de integridade e prestação de contas não servem apenas para evitar escândalos; servem para dar previsibilidade, proteger decisões legítimas e reduzir o improviso que historicamente fragilizou o futebol brasileiro. Sem governança, qualquer avanço é episódico. Com governança, até os erros podem ser corrigidos dentro do sistema. Outro ponto relevante é o fortalecimento da agenda de direitos humanos e proteção ambiental no futebol. Direitos humanos deixam de ser discurso e passam a ser obrigação normativa — o que muda o patamar do debate institucional. O mesmo vale para o futebol feminino , agora tratado como parte estrutural do sistema competitivo. Não se trata mais de projeto episódico ou ação paralela, mas de política regulatória permanente, com deveres claros e exigíveis. Em um país que historicamente tratou a modalidade como exceção, essa mudança tem peso jurídico, simbólico e cultural. Soma-se a isso a chegada anunciada do Fair Play Financeiro , tema que por anos parecia impraticável no futebol brasileiro. Sua implementação será complexa, enfrentará resistências e exigirá maturidade institucional, mas o simples fato de entrar na agenda representa uma ruptura com a lógica do improviso permanente e do "depois a gente vê". Mas a equipe me parece muito bem qualificada. Continua após a publicidade Nem tudo se resolve por norma. Ainda assim, até gestos simbólicos importam. A própria Seleção passa a ser inserida nesse contexto de reorganização, com a aposta em um técnico estrangeiro experiente como Carlo Ancelotti, e com a liderança de um gestor da área, Rodrigo Caetano. Não é solução mágica, mas sinaliza planejamento, profissionalização e disposição para sair de velhos automatismos. Nada disso apaga o passado. Nada disso dispensa vigilância crítica. O futebol brasileiro precisa continuar sendo cobrado, e sempre será. Mas talvez seja hora de reconhecer que é possível ter esperança de novo. Quando surgem regras melhores, compromissos mais claros e algum planejamento, o papel de quem acompanha o esporte é criticar, sim, mas também reconhecer avanços. O caminho é longo, os riscos permanecem e os erros virão. Ainda assim, depois de muito tempo, a CBF parece ao menos caminhar na direção certa. E, num futebol acostumado ao caos, ter direção já é um começo real para vencer a desesperança . Este conteúdo tem o patrocínio do Rei do Pitaco. Seja um rei, seja o Rei do Pitaco. Acesse: www.reidopitaco.com.br . Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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