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Futebol Má reputação de clubes do Brasil atrapalha vinda de patrocinadores globais Guilherme Padin Do UOL, em São Paulo 13/10/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Crises financeiras de grandes brasileiros são barreira para marcas globais Imagem: Ettore Chiereguini/AGIF A quinta edição do estudo "Por que, 'ainda', não aqui?" demonstrou que, apesar da chegada de grandes montadoras chinesas que alavancaram a presença do setor automotivo no futebol brasileiros, grandes e tradicionais marcas globais seguem distantes dos clubes do nosso país. A pesquisa bienal do Ibope se debruça, desde 2018, a listar as gigantes que patrocinam agremiações de outros países da América Latina, menos o Brasil. Na edição de 2026, não foi diferente. O artigo cita exemplos como BBVA, Claro, Coca-Cola, Pepsi, Gatorade, KFC, Smart Fit, Hyundai, entre outras. A discussão é reforçada no cenário do veto recente às casas de apostas , que ainda passará por aprovação na Câmara dos Deputados, mas já abre margem para a chegada de novos setores como possíveis patrocinadores no futebol nacional. Josias de Souza Flávio pode trocar de princípios para frear Lula João Paulo Charleaux Manifestações mudam clima na esquerda Milly Lacombe Acho que devemos um agradecimento a Renato PVC Lamine Yamal é um absurdo de craque Se há um mercado expressivo e clubes com dezenas de milhões de torcedores, o que, afinal, afasta essas multinacionais do Brasil? Classificação e jogos Brasileirão Má reputação trava avanço? José Colagrossi, autor das duas primeiras edições do estudo do Ibope (2018 e 2020), quando ainda atuava no instituto, apontou que a má reputação de clubes brasileiros no mercado emperrou a vinda dessas empresas globais. Para especialistas do marketing ouvidos pelo UOL , a reputação é, de fato, um dos principais fatores a atrapalhar essa entrada. O potencial que temos é grande. Mas não é um miojo que você coloca no microondas. Você precisa desenvolver junto e cada empresa tem sua necessidade específica. Tem que ter uma estrutura de colaboradores capacitados que entendam do marketing esportivo. Não adianta ter três profissionais em um clube gigantesco. Isso que falta no futebol braisleiro. Temos cases de sucesso no nosso futebol, mas não é algo numeroso de forma que reluz aos empresários Fábio Wolff Não há dúvida de que a reputação influencia. A empresa vai querer investir num clube mais estruturado, com regras de governança mais claras. É uma escolha natural. O ambiente interno dos clubes faz diferença Eduardo Corch, consultor de marketing e professor do Insper Continua após a publicidade Nas duas primeiras pesquisas, a falta de profissionalismo e arrogância de gestores do esporte brasileiro nas últimas décadas, a crise de credibilidade esportiva, dívidas gigantes e a infraestrutura insuficiente foram algumas das razões apresentadas pelo economista, colhidas a partir de conversas com gestores de grandes marcas mundiais. Além disso, porém, é preciso trabalhar o produto. Ao UOL , Colagrossi afirma que também faltam produtos que as grandes marcas globais enxerguem como estratégicos, além de "apenas a exposição" na camisa: "O que vamos construir para que a próxima geração de grandes marcas queira estar aqui? Simplesmente substituir um patrocinador por outro muda a marca, não o modelo. O verdadeiro desafio do futebol brasileiro é criar propriedades pelas quais as grandes marcas globais queiram pagar." Ibope divulga estudo sobre ausência de grandes marcas globais no futebol brasileiro Imagem: Reprodução/Ibope Repucom Problema não se resume só à reputação Se a imagem dos clubes pesa, ela não explica tudo. Idel Halfen, ex-vice-presidente de marketing do Fluminense, concorda parcialmente com o argumento da reputação, mas relativiza seu peso. Continua após a publicidade Newsletter MÍDIA E MARKETING Grandes cases de marketing, entrevistas e notícias sobre mídia e comunicação. Toda sexta Informe seu email Quero receber "Tem influência no que tange ao compliance das marcas, por não querer estar associado a instituições que estão com problemas. O futebol acaba sendo vulnerável. Não concordo plenamente. Mas que pode dar insegurança para quem investe, pode", disse. Na visão de Halfen, o marketing dos clubes brasileiros evoluiu de forma significativa na última década, mas o principal entrave está na cúpula dos clubes associativos: "Os presidentes não creem muito em marketing. É visto como um gerador de despesa. Mas melhorou muito. Vemos clubes com estruturas boas, que se desenvolveram." A lógica de investimento das multinacionais também passa por um critério mais pragmático: o que um clube brasileiro entrega que um clube de outro país não entrega? Rafael Plastina, CEO da Sport Track, agência de inteligência estratégica ligada ao marketing esportivo, cita o exemplo das companhias aéreas, categoria que patrocina com frequência equipes de outros países. "Quando se fala nas aéreas, na Emirates, o que ela precisa? Posicionar os hubs, aumentar o turismo. Como um clube brasileiro ajudaria nisso? Qual é o interesse dela?", questionou. Para ele, há ainda uma limitação estrutural: o produto vendido para fora. "O futebol brasileiro não é transmitido globalmente como outros campeonatos. Não dá para internacionalizar a marca com o futebol brasileiro", avaliou. Montadoras dão maior salto em patrocínios no futebol brasileiro O setor automotivo teve o maior crescimento em patrocínios a clubes brasileiros: de um para dez contratos entre 2024 e 2026, segundo o Ibope. Com isso, chegou ao quinto lugar no ranking da pesquisa. Quem puxa esse movimento são sobretudo as novas montadoras chinesas, como BYD, Leapmotor, GAC e GWM. Faltam, porém, as marcas tradicionais, segundo Danilo Amâncio, coordenador de marketing do instituto. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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