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Reportagem Esporte Irã fora da Copa: quem fica com vaga e que punição país pode sofrer da Fifa Gabriel Coccetrone Repórter 11/03/2026 12h40 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O ministro do Esporte do Irã afirmou que o país não irá disputar a Copa do Mundo de 2026 . A declaração abre uma série de dúvidas no futebol internacional: o Irã pode ser punido? Quem ficaria com a vaga? E como a FIFA lidaria com uma situação desse tipo? A afirmação foi feita por Ahmad Donyamali em entrevista publicada pelo jornal espanhol Diario AS . Segundo ele, diante do cenário político e militar vivido pelo país, não haveria condições para a participação da seleção no Mundial . A fala ocorre em meio ao agravamento da crise no Oriente Médio e à escalada do conflito que colocou o país em estado de alerta. A situação também foi mencionada por dirigentes do futebol iraniano. Em declarações publicadas pelo jornal Marca , o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj , classificou como "muito improvável" a participação da seleção no Mundial de 2026, citando preocupações de segurança e dificuldades logísticas em meio ao cenário de guerra. Daniela Lima Lula escolhe caminho mais difícil para Senado em SP Wálter Maierovitch Após ser sorteado, Toffoli sai pela tangente PVC Valverde faz gol de Pelé, e Real vence City Helio de La Peña Daniel Vorcaro, o rei do camarote 2.0 Apesar das declarações, a Federação Iraniana de Futebol ainda não confirmou oficialmente a desistência e não há informação de que tenha comunicado formalmente a decisão à FIFA. O tema ganhou ainda mais repercussão porque, no mesmo dia, o presidente da FIFA, Gianni Infantino , afirmou que a seleção iraniana é bem-vinda para disputar a Copa do Mundo de 2026 , que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México. Diante desse cenário, duas perguntas passam a dominar o debate no futebol internacional. Quem ficaria com a vaga? Caso o Irã realmente não dispute a Copa do Mundo, a decisão sobre a substituição da vaga é de competência da FIFA . O regulamento do Mundial é relativamente vago sobre o tema. O documento estabelece que a entidade possui "discricionariedade exclusiva" para tomar as medidas que julgar necessárias , podendo substituir uma associação participante por outra. Continua após a publicidade Na prática, a tendência seria que a vaga permanecesse na Confederação Asiática de Futebol (AFC) . Entre os possíveis candidatos apontados pela imprensa internacional aparecem Emirados Árabes Unidos e Iraque , considerando o desempenho nas eliminatórias e o ranking regional. O advogado especializado em direito desportivo Matheus Laupman explica que o regulamento também prevê sanções em caso de desistência: "O Regulamento Preliminar da Copa do Mundo de 2026, mais precisamente seu artigo 5º, itens 2 e 3, estabelece que caso o Irã confirme sua saída da Copa, poderá sofrer sanções. Uma associação que se retirar após o início da competição preliminar pode ser sancionada com multa de pelo menos CHF 40.000. Dependendo das circunstâncias, a Comissão Disciplinar da FIFA pode impor medidas adicionais, incluindo a exclusão da federação de competições futuras." Segundo ele, o próprio regulamento permite que a FIFA substitua a federação participante por outra , decisão que caberia à comissão organizadora do torneio. O Irã pode ser punido? Apesar da previsão de sanções, especialistas apontam que o caso pode se enquadrar como força maior , o que mudaria completamente a análise jurídica. Continua após a publicidade O advogado especialista em direito do esporte e colunista do UOL Andrei Kampff avalia que um cenário de guerra pode afastar punições mais severas. "Uma guerra, ou uma situação de conflito que ponha em risco não apenas a seleção, mas torcedores e a própria imprensa do país, me parece caracterizar força maior. No direito desportivo, o reconhecimento desse estado é fundamental para proteger a integridade da competição e da própria federação." Segundo ele, esse entendimento poderia evitar sanções mais pesadas. "Esse reconhecimento evitaria uma punição mais severa da FIFA, como multas milionárias ou suspensões de ciclos futuros, uma vez que a impossibilidade de participação não decorre de vontade deliberada da federação, mas de um contexto externo incontornável." O professor de direito desportivo Carlos Ramos , também colunista do Lei em Campo, segue na mesma linha. "Não me parece que seja o caso de a FIFA aplicar sanções ou excluir o Irã de futuras competições como se fosse hipótese de recusa imotivada. A entidade terá de sopesar valores como a segurança da delegação, dos torcedores e até da própria Copa do Mundo." Continua após a publicidade Ele lembra que o regulamento prevê exatamente esse tipo de situação. "A decisão deve se basear na cláusula de força maior prevista no regulamento, criada justamente para hipóteses excepcionais como essa." Guerra, futebol e a falta de critérios claros O caso também reacende um debate recorrente no futebol internacional: a falta de critérios claros da FIFA para lidar com conflitos armados e crises políticas . Embora o estatuto da entidade mencione compromissos com direitos humanos e responsabilidade social , a aplicação prática desses princípios costuma variar de acordo com o contexto político. O artigo 5.1 do regulamento da Copa concede ao Conselho da FIFA poder para decidir casos de força maior , mas deixa ampla margem de interpretação. Continua após a publicidade Precedentes mostram como essas decisões podem ser complexas. Em 1992, por exemplo, a Iugoslávia foi excluída da Eurocopa por sanções da ONU , sendo substituída pela Dinamarca, que acabou conquistando o título. Se a saída do Irã se confirmar, a Copa do Mundo de 2026 poderá entrar para a história como mais um episódio em que a geopolítica interferiu diretamente no maior evento do futebol mundial . Infantino diz que Trump garantiu entrada do Irã nos EUA No início desta quarta-feira, Gianni Infantino, presidente da Fifa, usou suas redes sociais para dizer que conversou com Donald Trump e que o presidente americano "reiterou que a seleção iraniana é, naturalmente, bem-vinda para competir no torneio nos Estados Unidos". "Esta noite, encontrei-me com o Presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, para discutir o andamento dos preparativos para a próxima Copa do Mundo da FIFA e a crescente expectativa para o início do torneio, daqui a apenas 93 dias. Também conversamos sobre a situação atual no Irã e sobre a classificação da seleção iraniana para a Copa do Mundo da FIFA de 2026. Durante a conversa, o Presidente Trump reiterou que a seleção iraniana é, naturalmente, bem-vinda para competir no torneio nos Estados Unidos. Continua após a publicidade Todos nós precisamos de um evento como a Copa do Mundo da FIFA para unir as pessoas, agora mais do que nunca, e agradeço sinceramente ao Presidente dos Estados Unidos pelo seu apoio, que demonstra, mais uma vez, que o futebol une o mundo". Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. 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