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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte Cartolouco volta a ser acusado de agressão; vítima relata ida ao hospital Alicia Klein Colunista do UOL 08/05/2026 15h00 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Resumo O jornalista esportivo Lucas Strabko, conhecido como Cartolouco, está sendo acusado de violência doméstica por uma terceira mulher. Ele já é investigado desde março, pela Polícia Civil de São Paulo, por lesão corporal qualificada, violência psicológica, injúria e dano, conforme o UOL publicou em 9 de abril. O caso corre em segredo de Justiça. Em 2023, uma outra ex-companheira teve uma medida protetiva expedida contra o influenciador. A coluna agora teve acesso a informações de um relacionamento anterior, também marcado por abuso e agressões. Foram ouvidas 11 pessoas, entre elas a própria vítima. Elas pediram para não ser identificadas. "Tenho medo de o Lucas fazer alguma coisa contra ela, ou mesmo contra mim. Trabalho na área da comunicação, fico preocupada", explicou uma amiga. Ao pedir anonimato, diversas pessoas também relataram as ameaças sofridas pela vítima depois de uma matéria publicada pelo UOL em 2020 . Lucas estava confinado no programa A Fazenda, mas seus pais procuraram a mãe da ex-nora falando em processo por calúnia e oferecendo pagar cinco anos de terapia em troca de silêncio. Ela, que já tinha se mudado para fora do país para se desligar de vez de Strabko, recusou a oferta. Josias de Souza Suspensão da dosimetria apenas adia vexame Celso de Barros Só a pizza salva Flávio Bolsonaro Milly Lacombe Fluminense transforma jogo tranquilo em insanidade Antonio Prata Prefiro meus filhos aos pés do Messi do que das redes Uma das pessoas que falou com a reportagem e permanece no anonimato é o amigo citado na matéria de 2020. Nela, o homem compartilha prints de uma conversa em que Strabko admite ter batido na ex-namorada (ela não é identificada na matéria). O amigo cortou contato com Lucas e passou a conversar com a vítima, descobrindo mais detalhes do relacionamento violento. Ela e Strabko se conheceram em 2014, quando a jovem tinha 21 anos, e namoraram até 2019. Vamos chamá-la aqui de Maria. Os entrevistados presenciaram cenas, viram mensagens, imagens de câmera de segurança e ouviram relatos que demonstram a natureza violenta do relacionamento. A reportagem leu dezenas de mensagens trocadas entre essas testemunhas e Maria. Lucas foi procurado pela reportagem e enviou o seguinte posicionamento: "É lamentável e triste ter que me posicionar sobre um relato amplamente falso. Um relato, novamente, feito sob forma de anonimato, onde não gera responsabilização alguma a quem falsamente acusa. No mais, sigo respondendo nos autos da justiça". Iniciado na faculdade Cásper Líbero, o namoro começou a dar sinais preocupantes já nos primeiros meses. Segundo Maria, passada uma fase inicial de love bombing , vieram as crises de ciúmes e as traições. O abuso psicológico envolvia também comentários degradantes disfarçados de piada. As testemunhas afirmaram que Lucas dizia que Maria era um nada, que ninguém ficaria com ela além dele, que se terminassem ela iria morar debaixo da ponte, falava do corpo dela, chamava de burra, porca, vadia. Às agressões verbais rapidamente se somaram as agressões físicas. Continua após a publicidade Maria afirma que a primeira vez aconteceu depois de uma discussão sobre as traições. "A gente estava discutindo e, do nada, ele começou a me socar dentro do carro, durante uns dois minutos, na minha nuca, eu só me encolhi como um tatu-bola. Aí ele falou: 'Viu o que você me fez fazer?' e disse que ia me bater mais se eu não o levasse até a casa dele dirigindo." Em outro episódio, Maria estava com a família no Guarujá. Irritado com uma provocação do grupo, Cartolouco teria descontado sua raiva na namorada. "Primeiro, ele me chamou na sacada e puxou a minha roupa, me deixando com os seios de fora e dizendo que eu era uma puta que ia dar para todo mundo. Depois, no elevador, ele me deu um tapa tão forte que minhas primas vieram ver o que tinha acontecido", relatou. A reportagem conversou com uma das primas presentes na ocasião, que voltou a confirmar que viu a agressão: "Minha irmã pediu ao zelador as imagens da câmera do elevador e lá estava o Lucas dando um tapão no rosto dela. Infelizmente, a gente era muito imatura na época, e quando ela pediu para a gente não mostrar e não contar para ninguém, a gente respeitou o que ela pediu." Sete testemunhas do relacionamento relataram um episódio específico, em que a vítima apareceu na faculdade com o olho roxo e cheio de sangue, com pontos na pálpebra inferior, detalhados na reportagem do UOL de 2020. Segundo o relato de Maria, a agressão no Guarujá foi tão grave, que ele abriu um corte da parte debaixo do olho até metade da bochecha. Ela tomou diversos pontos e, segundo o médico que a atendeu, não perdeu a visão por um milagre. Uma amiga da faculdade conta que, no início do relacionamento, Maria ainda se abria com pessoas próximas. "Ela compartilhava situações de microviolências (agressões verbais, traições e manipulações), mas com o tempo parou e passou a inventar histórias para encobrir os comportamentos dele. Uma que me marcou muito foi quando ela apareceu com uma hemorragia no globo. Era uma visão medonha e todas nós sabíamos o que era: ela tinha apanhado de novo. Hematoma era uma coisa comum, para a qual ela já tinha inventado mil histórias, mas o olho chocou. Na época, ela me disse que caiu de bicicleta, depois que sofreu uma tentativa de assalto. Mais tarde, acabou me contando que tomou um soco dele. Eu ainda me lembro de como ela ficou." Cinco ex-alunos da Cásper Líbero confirmaram que era de conhecimento geral a natureza abusiva do relacionamento. "Era amplamente debatido, todo mundo falava sobre isso. Algumas de nós, mulheres, ficávamos nos oferecendo para ir à delegacia com ela, a cada novo acontecimento, mas ela sempre desistia na hora H", explica uma testemunha. Continua após a publicidade Outra amiga lembra de mais uma noite violenta. "A gente estava no aniversário de uma amigona nossa. O Lucas começou a mandar mensagens horríveis, que ela me mostrava no celular. Coisas como: 'já mamou todo mundo sua puta?'. Foi daí pra baixo. Aí ela foi embora e, na cervejada do dia seguinte, ele estava puto, ficou com outras meninas mesmo ela estando na festa e todo mundo sabendo que eles namoravam. Ela viu e falou para irem embora. Daí em diante foi um horror, ela me contou anos depois o que tinha acontecido." Maria contou que era comum Lucas ter arroubos de violência depois das traições cometidas por ele. Colocava a culpa na namorada, dizia que ela o tinha levado a isso, que a culpa era sempre dela, que era possessiva e louca. "Ele me diminuía usando as coisas que eu contava para ele, minhas fragilidades. Sei que as pessoas vão se chocar com as agressões físicas, mas isso não é nada perto do abuso psicológico. Fui violentamente torturada psicologicamente, me afastando dos amigos, da família, do trabalho", afirmou. A reportagem teve acesso aos diagnósticos recebidos por Maria por meio do sistema público de saúde do país onde mora: Transtorno Misto Ansioso Depressivo (TMAD) e Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). O período mais violento do relacionamento ocorreu quando Cartolouco foi transferido da Globo de São Paulo para o Rio de Janeiro. Maria relata que as agressões se tornaram quase diárias. "Ele me batia por qualquer coisa. Se ele chegasse em casa e eu não estivesse, era certeza de apanhar na volta. Ele arremessava garfo e faca em mim, jogava comida nas paredes, lançava o controle do videogame na minha direção, chutava minhas pernas, quebrava tudo." Os hematomas eram comuns. "Ele me beliscava o tempo inteiro. Eu pedia para ele parar e ele começava a me xingar, dizendo que eu era doida e insuportável. Também fiquei com ondulações permanentes nas canelas de tanto que ele me chutava." Ainda no Rio, Maria conta que alertou o namorado para não deixar o celular no bolso de trás, sob o risco de ser furtado. Quando isso de fato aconteceu e ele teve o aparelho levado, ela virou o alvo de sua fúria: "Ele me puxou para um beco e disse que eu era uma desgraçada, boca maldita, que a culpa era minha. Me espancou ali mesmo." Maria também relata uma agressão ocorrida na praia, depois de ela pedir para trocar um prato que o garçom trouxera errado. Vários amigos lembram dos relatos da violenta temporada carioca: "Ela me contava sobre tapas, socos, chutes, empurrões, humilhações constantes", comentou uma das pessoas ouvidas. Muitos foram ficando cada vez mais distantes ao perceber o controle de Strabko sobre a namorada. "Ninguém suportava o Lucas e a gente sabia que ele maltratava ela. Acabamos nos afastando e só tendo ideia do tamanho do buraco tempos mais tarde", lamentou uma amiga. Um amigo de Maria do cursinho descreveu o afastamento gradual: "Ela foi sumindo, se apagando. Ele a proibia de ir aos lugares, podava tudo que ela fazia, xingava de burra. Um dia ela me ligou chorando e me mostrou uma mensagem que o Lucas tinha escrito, chamando-a de prostituta por ter postado uma foto de regata no Instagram. Dizia que ia pagar pelo sexo na próxima vez que transassem, já que ela era uma puta. Eles terminaram, mas acabaram voltando depois de dias. Ali, eu falei que não queria mais testemunhar aquilo. Me afastei e cortei contato. Hoje, me arrependo, porque ela estava em um ambiente horrível e acabei sabendo de agressões físicas por outras pessoas". Continua após a publicidade Uma das amigas disse que ela e outra colega de Cásper Líbero pensaram em denunciar Strabko ainda na época da faculdade, mas recuaram por medo de como ele poderia reagir: "A gente tinha medo de ele matar a Maria, ou a gente". Uma pessoa contou ao UOL que Maria ficou tão deprimida depois do relacionamento abusivo que teve medo de que ela pudesse se suicidar. Outra relatou que o trauma causado pelo relacionamento levou a várias crises de pânico e sequelas emocionais. "Eu não sei por que continuei com ele", explica Maria. "Acho que por uma mistura de insegurança, juventude, medo. Hoje, o único sentimento que ficou para mim, além de nojo, é arrependimento. Arrependimento por não ter feito algo para impedir que ele continuasse agredindo outras mulheres". 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