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Walter Casagrande Jr. Sócrates Luiz Carlini Rita Lee Tutti Frutti Raul Seixas Lobão Nando Reis Frejat

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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Hoje as guitarras choram juntas pela partida do mestre Carlini Walter Casagrande Jr. Colunista do UOL 08/05/2026 08h55 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Walter Casagrande e o guitarrista Luiz Carlini Imagem: Reprodução Na madrugada desta sexta-feira (8), recebi a notícia que estava torcendo para que não chegasse, mesmo sabendo que dificilmente isso deixaria de acontecer. Meu amigo de décadas e um dos maiores guitarristas da música brasileira — não só do rock — partiu. Luiz Sérgio Carlini, lendário guitarrista da banda Tutti Frutti, que acompanhou Rita Lee por boa parte dos anos 70 e estava internado há alguns dias, não resistiu a uma infecção hospitalar. Estive na tarde de quinta-feira (7) ao seu lado, junto com sua esposa, suas filhas, o Lobão e sua mulher, Regina, para ficar com ele, torcendo para que ficasse mais tempo com a gente; mas ele não conseguiu desta vez. A nossa amizade é das antigas e o nosso primeiro encontro foi uma cena de cinema. Eu sempre fui muito fã dele porque curtia demais Rita Lee & Tutti Frutti; cansei de ouvir o disco Fruto Proibido, que para mim é um dos melhores álbuns de rock de todos os tempos. Juca Kfouri A Libertadores é diferente. Infelizmente Letícia Casado Combo Trump-Ciro anima pré-campanha de Lula Maria Prata Marcas invadem as nossas memórias afetivas José Fucs Congresso evitou estrago maior de Lula Bom, eu tinha um encontro com o Raul Seixas num hotel no centro da cidade e, quando cheguei, apertei o botão para chamar o elevador, que veio da garagem para o térreo. Quando a porta se abriu, lá estava ele com seu estilo único: cabeludo, chapéu, jeans surrado e All Star preto, do mesmo jeito que eu também estava. Fui logo dizendo que era seu fã, e ele respondeu que era corintiano e muito fã meu e do Sócrates. Ele também estava indo encontrar o Raul, que havia marcado um encontro com nós dois no mesmo horário. Desse dia em diante nunca mais perdemos o contato e, com o passar do tempo, fomos ficando cada vez mais próximos. Mas foi quando voltei da Itália que ficamos "colados" mesmo. Ele nasceu e viveu no bairro da Pompeia, o berço do rock paulistano, e eu morava ao lado, no bairro das Perdizes. Ele conhecia meus pais e eu os dele, pois ficávamos para lá e para cá o dia todo. Fizemos muitas loucuras juntos, fomos a vários shows, trabalhamos juntos nas rádios Transamérica e Brasil 2000 e atravessamos décadas sobrevivendo aos nossos exageros, até ficarmos limpos de vez. Mas fizemos muitas outras coisas também, como almoçar no restaurante "Dona Felicidade", na Pompeia, que era a nossa segunda casa. Era lá que sempre nos encontrávamos e onde também marcávamos com nossos amigos. Luiz Carlini, Casagrande e Nando Reis Imagem: Arquivo Pessoal Uma vez, "Os Novos Baianos" estavam em São Paulo e queriam jantar depois de uma gravação. Eu liguei para o Luiz e disse: -- Fala, Luiz! Dá uma ligada para o Serginho, um dos donos do Dona Felicidade, e vê se posso levar o pessoal dos Novos Baianos lá para jantar. E ele me respondeu: -- Fala, Casão! Já está na mão. E à noite fomos todos lá jantar; foi uma das noites mais agradáveis e engraçadas da minha vida. Ele era um gênio da guitarra, um cara divertido, sempre disponível, inteligente, mas, principalmente, muito generoso com todos. O Luiz simplesmente inventou o solo de guitarra mais conhecido e genial da história do rock nacional: o da música "Ovelha Negra", do disco Fruto Proibido. Continua após a publicidade Fomos juntos comprar guitarras, amplificadores, pedais, discos e tudo relacionado à música. Ele me levou na Gibson para comprar a minha Les Paul preta, que só passou pela mão dele e pela do Frejat. Conversamos muito sobre rock, bandas e Corinthians, muitas vezes na sua "Caverna do Rock" (sua casa), assistindo a DVDs de shows históricos. Nos falávamos o tempo todo e estávamos sempre juntos fazendo algo. Luiz Carlini foi uma das pessoas por quem me apaixonei na vida. Meu sentimento por ele sempre foi de amor, e o dele por mim era o mesmo. Essa ficha demorará muito para cair, porque o cara era um imortal do rock. É difícil imaginar não poder mais ouvir sua risada, suas tiradas, não darmos risada juntos das merdas que falávamos. Rimos muito durante nossa vida e vou chorar muito internamente por perder a sua presença física, porque, de espírito, ele sempre estará por perto. Luiz, eu sei que você fez de tudo para ficar, porque você é um sobrevivente dos fortes, mas essa hora chega para todos. E, quando chegar a minha vez, gostaria que você, o Fromer e o Magrão fossem me receber para me levar até meus pais e minha irmã. Muito obrigado, amigo, por todos os momentos que passamos juntos nessa vida louca que vivemos. Beijo, Luiz. Te amo, amigo. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Casagrande por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Programas sociais compõem renda de 22,7% dos lares, menor nível desde 2022 Pagar taxa de rolha é um saco, mas não vá dar uma de Ed Motta por isso Bomba caseira explode em escola de Belford Roxo e fere 10 alunos Como começa a dor de uma das emergências cirúrgicas mais comuns do mundo? Padre Marcelo Rossi mostra antes e depois de tratar depressão: 'Tem cura'