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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Brasileirão está marcado por erros comprometedores de arbitragem Walter Casagrande Jr. Colunista do UOL 22/11/2025 05h30 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Thiago Silva chuta Bruno Henrique dentro da área, mas o árbitro não deu pênalti Imagem: Reprodução TV Os erros de arbitragens nesse campeonato estão sendo calamitosos, absurdos, dignos de quem é muito ruim no que faz. O campeonato está marcado por decisões confusas e, até certo ponto, estranhas desde a primeira rodada, mas vou pegar quatro lances mais recentes para ilustrar esse texto, porque se for atrás de todos os erros catastróficos que o VAR e os árbitros cometeram esse ano ficaria aqui escrevendo um manuscrito de história de terror. Mas vamos aos lances. O primeiro de todos, e talvez o mais escandaloso que já vi, foi o pênalti do garoto Allan, do Palmeiras, no clássico vencido pelo time do Abel Ferreira por 3 x 2, de virada, no dia 05/10, no Morumbis. Esse erro grosseiro da arbitragem não tira o mérito da incrível virada palmeirense, mas deixa perplexo quem faz parte do futebol por décadas e nunca viu nada igual. Dentro da área, Luciano toca para o Tapia, mas a bola passa por ele, que se vira e corre em direção dela, quando, de repente, do nada, chega o Allan escorregando e atropela o atacante tricolor, pegando o cara no meio. Juca Kfouri Uma boa notícia: Tite está de volta Wálter Maierovitch Indicação de Messias não é republicana Josias de Souza Defesa de Bolsonaro joga toalha Hélio Schwartsman Indicação de Messias para o STF pode virar problema Um pênalti do tamanho de um bonde que o árbitro e o VAR acharam normal. Mas eles aprenderam as regras em qual lugar? Pouco importa se a bola está perto ou longe do atacante; se ele estiver em jogo e o defensor atropelar o cara, mesmo sendo sem querer, é pênalti. Foi um escândalo mundial esse lance, porque virou o mundo. O segundo lance foi na vitória do Flamengo sobre o Palmeiras por 3 x 2, no Maracanã, no dia 19/10. Num cruzamento na área, o Gustavo Gómez, exímio cabeceador, sobe sozinho quando, sem disputar a bola, Jorginho o empurra com as duas mãos no meio das costas, tirando totalmente o equilíbrio do zagueiro que já estava no alto. Lance isolado, não tinha ninguém por perto, visão ampla da jogada, e o árbitro e o VAR ignoraram a jogada. Acharam lance normal, mas anormal mesmo foi essa interpretação absurda da jogada, de pênalti claro e limpo. Agora, mais recentemente, aconteceram outros dois lances de arrepiar pelo tamanho da incompetência da nossa arbitragem. Já no dia 15/11, último sábado, na Vila Belmiro, na vitória do Santos em cima do Palmeiras por 1 x 0, aconteceu um novo lance tão escandaloso como os outros dois que já relatei. Cruzamento forte e rasteiro da esquerda para a direita do ataque do Palmeiras, e a bola passa por todos, inclusive pelo Maurício, que chegava sozinho na segunda trave, quando foi atropelado pelas costas pelo lateral santista Souza. Alguns dizem assim: "Mas a bola já havia passado". E daí? A bola continuava em jogo e o Maurício foi atropelado sem nem saber por quem. Tão pênalti como o do Allan no Tapia, que também não foi marcado. Numa outra jogada com peregrina visão para o árbitro. Continua após a publicidade Vamos para o último exemplo de incompetência coletiva, inclusive de comentaristas de arbitragem. Agora, dia 18/11, no Maracanã, na vitória do Fluminense por 2 x 1 sobre o Flamengo. Bola solta dentro da área, totalmente em disputa, quase na linha de fundo, quando o zagueiro Thiago Silva foi dar um chutão e o Bruno Henrique entra na frente para proteger a bola, que iria sair na linha de fundo e seria escanteio. O Thiago não percebeu a entrada do Bruno na jogada e o chutou, pegando a perna do atacante do Flamengo sem nem tocar na bola. Pegou só a perna do atacante, as imagens são claríssimas e foram mostradas em todos os lugares diversas vezes. Um pênalti impossível de não ser marcado e reconhecido como tal por quem comenta futebol. Foi um escândalo enorme. Para piorar, vem o que sobrou da Central do Apito, e o meu amigo Paulo César Oliveira tenta explicar o lance concordando com o árbitro, usando um argumento tão absurdo quanto o próprio pênalti. Disse o seguinte: "Quem foi para a jogada? Quem forçou o contato foi o Bruno Henrique. Ele viu que o Thiago iria chutar e procurou o contato." Gente, o que o atacante tem que fazer quando a bola está viva dentro da área, sem estar com o domínio do zagueiro? Ir na jogada, brigar pela bola, tentar recuperá-la e procurar fazer o gol para o seu time. Se ele foi esperto ao entrar no meio da jogada, sem fazer falta, e o zagueiro acerta só a perna do atacante, é pênalti. Nunca vi um argumento desse tipo. Foi como se o atacante não pudesse ir disputar uma bola que está livre e tivesse que deixar o zagueiro ir chutá-la sem problema. O futebol é a bola, e se a disputa for limpa o jogador pode disputar quando quiser, e se for chutado de propósito ou sem querer dentro da área, é pênalti. O que acontece é que, além da ruindade das arbitragens e do VAR, o cooperativismo entre eles ainda é muito grande, principalmente porque não colocam mais o árbitro como comentarista na TV Globo, e ele só entra depois que o árbitro já marcou ou errou. Na maioria das vezes, eles concordam com a decisão, mesmo sendo um erro absurdo. E piora quando, mais tarde, num programa de televisão, os comentaristas tentam arrumar argumentos para justificar o injustificável. Continua após a publicidade Esse campeonato está alarmante pelo número de erros grosseiros que estão interferindo diretamente no resultado do jogo. Eles favoreceram e atrapalharam todos os times; pode ter sido uns mais, outros menos, mas os erros foram contra todos. O campeão não terá o título manchado, mas o campeonato será marcado pelos erros comprometedores do início ao fim. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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