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Lewis Hamilton ganhou um motivo extra para adiar o fim da carreira na Fórmula 1. A confirmação de um Grande Prêmio na África, previsto para o início da próxima década, fez o piloto da Ferrari projetar sua permanência na categoria por mais alguns anos. O objetivo do heptacampeão é estar no grid quando a competição voltar ao continente. Aos 41 anos, o britânico reconhece que precisará manter o condicionamento físico e apresentar resultados competitivos para continuar disputando corridas. Ainda assim, a possibilidade de competir em solo africano representa um incentivo especial para o piloto, que defende há anos a inclusão de uma etapa na região. “Agora sou obrigado a ficar muito mais tempo porque teremos uma corrida na África, e esse sempre foi meu sonho: poder correr na África”, disse Hamilton antes do Grande Prêmio dos Estados Unidos, em entrevista citada pelo jornal britânico The Guardian. O piloto também condicionou a continuidade da carreira ao próprio desempenho. “Tenho que continuar lutando para tentar manter a forma física. Se ainda conseguir bons resultados no próximo ano, vamos continuar”, afirmou. O retorno da Fórmula 1 à África ganhou força em 13 de outubro, quando a categoria anunciou um acordo de dez anos para a realização do Grande Prêmio em Ruanda . A primeira edição está prevista para o início da próxima década, embora ainda não exista uma data confirmada. O projeto prevê a construção de um autódromo no distrito de Bugesera, a cerca de 40 quilômetros ao sul de Kigali, capital do país. A estrutura será desenvolvida especialmente para receber as provas da principal categoria do automobilismo mundial. A última passagem da Fórmula 1 pelo continente aconteceu em 1993, no circuito de Kyalami, na África do Sul. Desde então, a região permaneceu fora do calendário da competição. A defesa de Hamilton por uma corrida na África também está relacionada à forma como a história do continente é abordada fora da região. O piloto criticou a falta de espaço dedicado ao tema durante sua formação na Inglaterra e relacionou problemas atuais às consequências do colonialismo. “Crescendo na Inglaterra, nunca nos ensinaram nada sobre a África. Isso precisa fazer parte do currículo”, declarou. Na mesma entrevista, o britânico afirmou que parte das dificuldades enfrentadas pelos países africanos ainda está ligada ao colonialismo e à intervenção ocidental. Hamilton espera que a presença da Fórmula 1 em Ruanda estimule o público internacional a buscar informações sobre a realidade dos países africanos. Na avaliação do piloto, a realização de um evento esportivo de alcance mundial não deve servir de justificativa para deixar questões políticas e sociais em segundo plano. Ao defender essa posição, o heptacampeão também citou conflitos no Congo, no Sudão, na Síria e na Palestina, além de destacar a importância de iniciativas voltadas à paz. A realização da corrida, porém, não está livre de controvérsias. A Anistia Internacional no Reino Unido alertou para o risco de o acordo funcionar como uma estratégia de sportswashing, termo utilizado quando eventos esportivos são empregados para fortalecer a imagem de um país ou governo em meio a denúncias de violações de direitos humanos. Felix Jakens, responsável por campanhas da organização, questionou a parceria e afirmou que a visibilidade proporcionada pela Fórmula 1 pode tirar o foco de acusações contra as autoridades ruandesas. Entre as preocupações mencionadas estão denúncias de detenções arbitrárias, tortura e repressão à liberdade de expressão. O governo de Ruanda, por outro lado, trata o projeto como uma oportunidade de ampliar a atividade turística, atrair capital estrangeiro e desenvolver a infraestrutura esportiva nacional. Hamilton defende que a chegada da categoria ao continente seja acompanhada de interesse pela história africana e pelos desafios enfrentados por sua população. Para o piloto, a corrida pode representar uma oportunidade de dar visibilidade à região, desde que isso não signifique ignorar os problemas existentes. O vínculo de Hamilton com a Ferrari vai até o fim de 2027, conforme informações divulgadas pela imprensa internacional. Para participar da estreia da prova em Ruanda, o britânico precisará seguir na categoria depois do encerramento do contrato atual. Caso a corrida aconteça no início da próxima década, como previsto, Hamilton poderá ter entre 45 e 46 anos na ocasião. A idade, por si só, não define se ele continuará competindo, mas a permanência dependerá de sua condição física, dos resultados e dos planos para as próximas temporadas.