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Análise dos Times

Palmeiras

Principal

Motivo: O autor usa o jogo do Palmeiras como ponto de partida para a crítica à experiência moderna nos estádios, mas o viés é sobre o modelo, não sobre o time em si.

Viés da Menção (Score: 0.0)

Motivo: Mencionado brevemente como parte do contexto do jogo do Palmeiras, sem análise de viés.

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Palavras-Chave

Entidades Principais

Botafogo Palmeiras Allianz Parque CBF Juca Kfouri

Conteúdo Original

Só para assinantes Assine UOL Opinião Tele futebol: as arenas e o torcedor como detalhe Juca Kfouri Colunista do UOL 16/04/2026 16h31 Deixe seu comentário Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Jogo no estádio do Palmeiras Imagem: Reprodução POR RAFAEL FRYDMAN* Quando comecei a rabiscar esse texto não sabia que escrevia impressões do que seria o último jogo do Parque na "era" (sic) Allianz. Estava apenas encarando meu retorno ao nosso estádio depois de alguns anos em que, sem o Avanti ativo, os poucos jogos para os quais consegui ingresso foram em Barueri. Pois bem, me parece ainda mais oportuno concluir a reflexão sobre o incômodo que senti ao final de Palmeiras 2x1 Botafogo às vésperas da primeira partida com o Nubank como novo dono dos direitos de nomenclatura. Investimento é feito para dar retorno e melhorar a "experiência" é aumentar seu valor. Mas em meio aos debates acalorados sobre gestão e profissionalismo que contaminam o amadorismo definidor de se ser um torcedor apaixonado, a vazia polêmica sintética ou natural se coloca como o único e verdadeiro debate sobre a essência do jogo. Torço para o Palmeiras mas não tenho nenhuma intenção de defender o gramado artificial e entrar nessa disputa em que a grama mais verde nunca é a do vizinho. Apenas lamento que os que atacam com tamanha veemência os "pisos de plástico" nas arenas profissionais não tenham o mesmo empenho em debater a acelerada morte dos campos em detrimento de quadras privadas, pagas e de gramados postiços mas genuinamente pífios. E assim arruinam O Cruz e também a esperança dos jogadores de várzea da nossa cidade. Mas nos concentremos "nu" (sic) Parque pois me assustou o que vi na arena multiuso mais bem sucedida do país. O tal "produto futebol" (sic) está cada vez mais escanteado. Se antes chegaram a dizer que o gol era um detalhe, agora tenho a impressão de que o jogo é só um pretexto: importam mais as telas. Existe uma percepção cada vez mais dominante de que a qualidade do futebol, e proporcionalmente o encanto que deriva do jogo, dependem sobretudo do aprimoramento tecnológico. Na clássica viralatisse de quem baba pelo futebol europeu passamos a importar máquinas e tecnologias de desempenho. Do GPS que acompanha o atleta à nutrição e fisioterapia resultantes das medições que ele gera. Das câmeras Super Slow 4K para ampliação de lances nas cabines do VAR, aos softwares capazes de processar em tempo real impedimentos de milímetros. Da venda online de ingressos ao cadastramento facial para otimizar a entrada e saída nas arenas. Tudo, invariavelmente, obedecendo a lógica do consumo. Mas ao me colocar próximo a bandeira de escanteio da curva rente a rua Palestra Itália, quase na mesma angulação que as câmeras de transmissão, a visão do jogo que tive foi um assombro. Além dos dois gigantescos telões sobre cada gol, há a faixa de LED que separa os camarotes da arquibancada superior e a ferradura das placas de publicidade junto às linhas do campo. Um conjunto que brilha e pisca como a times square e, sim, já estão por lá há tempos. Mas ou o distanciamento os enfraqueceu em minha memória ou aumentaram a potência de tudo. Alicia Klein Palmeiras vence mesmo com lacuna inacreditável Juca Kfouri Golaço peruano não impede vitória do Palmeiras Daniela Lima Motta quer dividir saldo do fim da 6x1 com o governo Josias de Souza STF prioriza a autoproteção e limita investigações À minha frente, trajados com as camisas brancas características da Mancha, dois torcedores piscavam em vermelho, amarelo e azul conforme giravam pela tela 360 graus os anúncios de um refrigerante, uma batata chips e uma seguradora. Ao mesmo tempo, animações e flashes surgiam nos "televisores" da beira do campo divulgando 5 bets, 3 montadoras, 2 marcas de remédios, 1 consórcio, 1 lanchonete? E não apenas suas suas logos. As marcas vinham com mensagens, promoções, filmes. Mais que isso, a faixa da lateral do gramado agora é uma dupla camada de paineis que alcança a altura de um policial militar e seu capacete. Em Barueri, onde também já se aplica esse duplex, estive do lado oposto e com isso fiquei impedido de ver se a bola saia ou não pela linha lateral 3 metros à minha frente. Descobri depois que as cadeiras mais próximas do gramado são vendidas por metade do preço por serem assentos de "visão parcial". O que não deve acontecer em um camarote com sofás e poltronas a beira do gramado, em que alguns "sortudos" escolhidos por um canal do youtube vivem a experiência "VIP" filmando tudo em seus telefones. Ao lado, em um pequeno palco, um DJ está a postos para que o espetáculo não pare nem por um segundo. Dessa vez isso não ocorreu no intervalo porque o som do estádio ficou inteiramente dedicado às publicidades exibidas nos dois telões maiores. Propagandas dessas como vemos na TV reclamando a atenção de todos. Pior, não apenas o DJ coloca músicas em altíssimo volume como tem ao seu lado jatos de fumaça para pontuar as viradas e explosões do seu set. Os mesmo que, igual as labaredas popularizadas pelo dono americano do Botafogo, começaram a aparecer por todo o país como assinaturas dos gols dos mandantes. É preciso algo mais do que a rede balançando para levantar um estádio? Resposta afirmativa, só se pensarmos tratar-se de um antídoto ao apostador irrefreável que vai ao jogo distraído com as ODDS das outras partidas que acompanha pelo cassino que carrega no celular. Não são poucos. Como não são poucos os jogadores que vão à campo de olho na TV. Se Cristiano Ronaldo já foi piada por ajeitar o cabelo pelo telão, hoje o banco inteiro assiste a partida conferindo cada replay. Mais grave ainda, atletas em campo estão se habituando a fazer como fez Alex Telles que não cobrou o lateral sem um aval de seus suplentes. Queria pressionar o árbitro a ir ao VAR por que Matheus Martins pedia um pênalti em lance claramente fora da área e que o juiz sequer apitou falta. Ao cúmulo de virarem as costas para o campo em busca do videotape. E como sabemos, o videotape é burro. Mas é essa burrice que parece dominar os esforços comandados pela CBF para unificação da liga no sonho de internacionalização nos moldes do que se faz com a Premier e Champions Leagues. Uma sanha pela criação de mais um conteúdo. Um produto embalado para envio a fim de que plataformas o espalhem por todo o globo. Enquanto por aqui transmissões verborrágicas e gritadas abrem o som do estádio que por pouquíssimos segundos, relegando a arquibancada aos pré-jogos e preferencialmente com mosaicos que rendam imagens impressionantes e momentos "históricos" (sic). Isso quando os próprios clubes não decidem montar o próprio show apagando as luzes para exibir pirotecnias como as que vimos nos últimos clássicos jogados no MorumBIS e na NeoQuimica. Hoje retornarei ao Palestra. Dizem que estará inteiramente pintado nas cores do banco para marcar o início da nova fase, enquanto um novo nome se decide por votação que é modelo de engajamento e interação marca-cliente. De minha parte, pediria apenas uma coisa: lembrem-se dos torcedores e deixem essa parafernalha para a king's league e outros vaudevilles. Atrapalhar quem ainda vai para ver o jogo de bola é uma péssima estratégia de longo prazo e atropelar a paixão pelo esporte por mais e mais receita vai acabar por desandar o bolo. Esse ruído, eu sei, não faz nenhuma frente ao coro dos contentes. Mas tudo o que não quero é novamente ir ao estádio e, mesmo com uma vitória verde, não conseguir aproveitar o futebol. Vamos combinar que é pra ficar roxo de raiva. * Rafael Frydman é fotógrafo e videomaker. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Juca Kfouri por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Palmeiras passa sufoco em casa, mas busca primeira vitória na Libertadores Atlético faz no fim e bate Juventud em noite de ira de Bernard com torcida Palmeiras vence na Libertadores, mesmo com lacuna inacreditável Sinal vermelho alerta governo Lula para reeleição em risco, diz professor Resumo novela 'Três Graças' da semana: confira capítulos de 17/4 a 25/4