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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Narrativas se repetem para tentar minimizar caso de racismo contra Vini Jr Rodrigo Mattos Colunista do UOL 18/02/2026 10h55 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Vinicius Jr, do Real Madrid, em jogo contra o Levante pelo Espanhol Imagem: Jose Breton/Pics Action/NurPhoto via Getty Images O jogo Benfica e Real Madrid foi marcado pela acusação de racismo de Vinícius Jr contra o jogador Prestianni, do Benfica. A ofensa ocorreu logo após o belo gol marcado pelo atacante brasileiro. Antes de tudo, centremos na validade da acusação de Vinicius. Prestianni fala algo com a camisa na boca, isto é, a usa para se proteger de uma leitura labial. E o brasileiro reage imediatamente indignado apontando para ele e chamando o juiz Françóis Letexier. Diz que o argentino o chamou de mono (macaco). É acionado o protoclo contra o racismo e o jogo paralisado. Não dá para acreditar que alguém inventaria uma revolta assim. Ou seja, Vinicius ouviu o macaco. Juca Kfouri Outra vez, Vini Jr.? E o que é ser populista Aline Sordili IA barateia, mas abre crise de credibilidade com vídeos Ronilso Pacheco Direita instrumentaliza 'família em conserva' José Fucs O recado vigoroso de Rubio para a Europa e o Ocidente Prestianni nega, alegando uma má interpretação. "Quero esclarecer que em nenhum momento dirigi insultos racistas contra o jogador Vinicius Junior, que infelizmente interpretou mal o que pensou ter ouvido." Ele não diz publicamente o que falou. Ou seja, nega a acusação sem dar uma outra versão. Mbappé também diz que ouviu a palavra macaco cinco vezes vindo de Prestianni. "Mas depois ele coloca a camiseta aqui (na frente da boca) para chamar Vini de macaco cinco vezes. Eu ouvi, outros jogadores do Benfica também" Durante o jogo é possível ver o atacante francês chamando Prestianni de "puto racista". O argentino não reage de forma indignada: mostra-se em posição defensiva. A acusação de Vinicius é clara, se conecta com os vídeos e é confirmada por Mbappé. A versão de Prestianni não explica nem o que aconteceu de fato. Outros episódios de racismo contra Vini Jr tiveram negativas com versões difícil de acreditar. Quando uma torcida espanhola dizia cantar "tonto" em vez de "mono". E também houve casos de jogadores que apostaram na dificuldade de se provar falar em um campo de futebol. O técnico José Mourinho defendeu seu jogador e atacou Vinicius Jr por sua comemoração. O atacante foi dançar na bandeira do Benfica. Continua após a publicidade "Uma coisa é o que Vinicius diz, outra coisa é que diz o Prestianni. São coisas completamente diferentes. Aquilo que eu disse ao Vinicius de modo independente, não defendendo a minha dama (Benfica), é: quando se faz um gol daqueles, sai em ombros, não se vai mexer com o estádio ou mexer com o coração de um estádio, que é o estádio adversário. Como dizem na Espanha, quem marca um gol daqueles corta o rabo, corta a orelha e sai em ombros. Não acaba com o jogo. E ele acabou com o jogo", diz Mourinho. Quase todos os episódios de abuso contra Vini Jr na Europa são seguidos por falas de técnicos, jogadores e ex-atletas com justificativas por seu comportamento. Tratam de danças, de supostas provocações. Em geral, fogem da questão central do racismo, como fez Mourinho. Como se dançar em uma bandeira desse direito a alguém discriminar outra pessoa. Há uma tentativa de colar em Vinicius a imagem de alguém que não respeita os códigos do futebol. Na realidade, é uma parte do mundo do futebol que não respeita os códigos de humanidade. Por fim, o Benfica, clube que tem como ídolo Eusébio, também se alinhou à versão de Prestianni. De novo, ocorreu o mesmo em outros clubes onde a torcida ou jogadores atacaram Vinicius Jr com insultos discriminatórios. As comunidades em volta de times de futebol tendem a se recusar a olhar para os próprios erros ou para sua face feia. Um exemplo é a Argentina. Há seguidos casos de racismo de torcidas e jogadores do país, em um claro reflexo de um problema no país. E a questão é pouco discutida no país, salvo raríssimas exceções. Sim, também há casos de racismo no Brasil, mas a questão é bem mais debatida e gera punições criminais em vários casos. De todo episódio, fica a manifestação de Luisão, zagueiro brasileiro e ídolo do Benfica. Classificou o texto do Benfica de apoio a Prestianni como "mentira" e se disse "envergonhado". Luisão, negro, como a maioria dos jogadores que apoiou Vinicius Jr em mais esse episódio. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Rodrigo Mattos por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Record é condenada por noticiar morte de homem errado em acidente aéreo Coutinho diz ao Vasco que quer rescindir contrato BC decreta liquidação do Banco Pleno, do ex-Master Augusto Lima Por que a BlackRock, gigante global, virou dona de 5% da Marcopolo Crime inspirado na vida real fará Bagdá escorraçar Lucélia em 'Três Graças'