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Análise dos Times

Corinthians

Principal

Motivo: O artigo foca na derrota traumática do Corinthians, nas consequências da violência e na atuação do time, apresentando um tom de reviver um evento negativo.

Viés da Menção (Score: -0.7)

Motivo: O River Plate é apresentado como o adversário que eliminou o Corinthians, com menções aos gols, mas sem um aprofundamento de viés positivo ou negativo sobre sua performance em si.

Viés da Menção (Score: 0.2)

Palavras-Chave

Entidades Principais

Corinthians Libertadores River Plate Ricardinho Pacaembu Carlos Alberto Xavier MSI Roger Flores Nilmar Mascherano Gallardo Passarella Higuaín Alexandre Vilariço Paulo Castilho Ademar Braga Coelho Marcelo Mattos Carlitos Tevez Eduardo Ratinho

Conteúdo Original

Com brilho de Gallardo e "Lei do Ex" de Passarella, River eliminou Corinthians no Pacaembu Cenas de destruição no Pacaembu, jogo encerrado aos 37 minutos do segundo tempo e a tentativa de invasão de centenas de torcedores ao gramado. O Corinthians viveu uma das piores noites de sua história em 4 de maio de 2006, há exatos 20 anos, ao ser eliminado nas oitavas de final da Conmebol Libertadores pelo River Plate. + Siga o canal ge Corinthians no WhatsApp 1 de 4 Corinthians x River Plate, oitavas de final da Libertadores (2006) — Foto: Daniel Augusto Jr/Ag.Corinthians Corinthians x River Plate, oitavas de final da Libertadores (2006) — Foto: Daniel Augusto Jr/Ag.Corinthians Após perder por 3 a 2 em Buenos Aires, o time galáctico e de alto investimento montado pela MSI (Media Sports Investment) não conseguiu reverter o resultado e foi derrotado por 3 a 1, de virada, na capital paulista. O terceiro gol do clube argentino, aos 36 minutos do segundo tempo, marcado pelo atacante Gonzalo Higuaín, deu início a um dos episódios mais violentos do futebol brasileiro. Responsável pelo grupo de policiais que foi até o alambrado do Pacaembu para conter a invasão de torcedores naquela noite de quinta-feira, o tenente Alexandre Vilariço conversou com a reportagem do ge e relembrou a adrenalina do momento. – A torcida resolveu invadir o campo. Foram no portão, que era justamente a parte mais frágil do alambrado. Tentaram forçar o portão para invadir. Utilizamos munições de efeito moral, munição de luz e som. Deu resultado. Abriram o portão em determinado momento, mas eles não conseguiram invadir . Eu estava comandando aquele grupo de policiais que ficou na linha. Conseguimos dar uma carga de cassetete. Se eu te falar que não fiquei com medo, não estarei falando a verdade. Tivemos policiais lesionados, mas nenhum com gravidade. Alguns tomaram chutes, teve um que caiu no chão e precisamos levantar ele rapidamente. Outros policiais tiveram arranhões. – Eu acho que foi um divisor de águas, não só para a polícia. A partir daquele momento, todos os envolvidos no evento passaram a ter uma preocupação . Polícia Civil, delegacia do torcedor, Ministério Público... A Federação Paulista de Futebol também se profissionalizou e os clubes começaram a encarar o negócio de forma mais técnica e profissional. Passou a ter preocupação real com o evento. Outros confrontos aconteceram, mas ali começamos a ter uma visão um pouco mais de trabalho em conjunto dos órgãos. Os órgãos passaram a ter um relacionamento melhor, fazer reuniões preparatórias em todos os jogos. Antes isso só acontecia em grandes jogos. Entre torcedores e policiais, cerca de 30 pessoas precisaram ser atendidas no posto médico do Pacaembu. Mais notícias do Corinthians : + Empresas, acordo por dívida e redução salarial: Corinthians e Memphis negociam renovação + Corinthians começa 2026 com déficit de quase R$ 100 milhões no primeiro bimestre Há 20 anos, Corinthians sucumbiu ao River no Pacaembu em "noite de terror" na Libertadores Promotor de Justiça à época, Paulo Castilho acredita que a partida influenciou mudanças no futebol brasileiro, como a criação de setores específicos para torcidas organizadas e a redução da presença de torcedores visitantes nos estádios. – Muita coisa que aconteceu no futebol brasileiro foi decorrência de estudar esse fatídico dia, que quase terminou em tragédia e teve ação heroica dos policiais. Se não fosse aquele dia, talvez nada tivesse acontecido. Não teriam crimes penais, não teria reduzido para 5% de torcida visitante e também a torcida única anos depois. Tudo começou nesse dia — disse Paulo Castilho em entrevista ao ge . – Foi um divisor de águas. A partir daquele momento eu fui designado para combater a violência no futebol brasileiro. Fui conhecer exatamente tudo do futebol, não só a arquibancada. Estudei torcidas, legislações, itinerário dos clubes, estádios, centro de treinamento, como era a movimentação das torcidas e a chegada e saída do estádio, seja por ônibus, metrô ou a pé. Percebi que não tínhamos uma legislação criminal atualizada, nem mecanismos eficazes para combater a violência e ajudar na prevenção. – Celebramos um termo com a Federação Paulista de Futebol onde nós impusemos várias obrigações, como isolar a organizada em determinado setor. Exigimos cadastramento atual das torcidas organizadas. Estabelecemos o relatório Taylor, que foi usado para combater os hooligans na Inglaterra. Estudei todo esse relatório e aproveitamos muitas coisas dele. Não dava para a torcida organizada ficar no meio de torcedor comum, precisávamos identificá-los e colocá-los em determinado setor. A torcida única em clássicos segue como uma das principais medidas em vigor. Embora haja conversas para flexibilizar a regra, adotada há dez anos no estado, uma definição a curto prazo não é esperada. Veja o rastro de destruição no Pacaembu após o confronto entre corintianos e policiais Dentro de campo A partida teve tom dramático porque o Corinthians precisava de uma vitória pelo placar mínimo para garantir vaga nas quartas de final da Libertadores. Na época, os gols marcados fora de casa ainda eram decisivos para o avanço de fase. A equipe comandada por Ademar Braga saiu na frente com gol do atacante Nilmar. O empate do River Plate veio no segundo tempo, com gol contra do lateral Dyego Coelho, e a virada aconteceu com dois tentos de Higuaín, que havia entrado na etapa final. A escalação titular do Corinthians teve: Silvio Luiz; Coelho, Marcus Vinícius, Betão e Rubens Júnior; Xavier, Marcelo Mattos, Carlos Alberto e Ricardinho; Nilmar e Carlitos Tevez . Eduardo Ratinho e Roger Flores entraram durante o jogo. Em entrevista ao ge , Ademar Braga classificou a eliminação como uma catástrofe e a segunda pior derrota de sua carreira. – Mascherano tinha sido expulso na Argentina. Xavier era um volante que entrou no Monumental e fez o gol. O jogo de ida ficou 3 a 2 para eles. Aí eu coloquei o Xavier na volta, pensei que estava com moral, mas foi um desastre. Ele não fez nada. Só que não foi por isso que a gente perdeu. – Fizemos 1 a 0 com o Nilmar, aí fomos para o segundo tempo confiantes. Era 1 a 0 no placar, no Pacaembu lotado e só com corintiano. Pensávamos que faríamos até mais de três gols. Aí aconteceu o que aconteceu. Foi uma catástrofe. Eu tive duas grandes derrotas na minha vida, a primeira tinha sido pela seleção brasileira na Copa de 1990. 2 de 4 Ademar Braga, técnico do Corinthians em 2006 — Foto: Reprodução/TV Globo Ademar Braga, técnico do Corinthians em 2006 — Foto: Reprodução/TV Globo O treinador acredita que o gol contra marcado por Coelho mudou o cenário do jogo. Aos 11 minutos do segundo tempo, Marcelo Gallardo, até então jogador, cruzou da direita e o lateral corintiano tentou afastar, mas mandou contra o próprio gol. – Achava que era muito difícil eles virarem o jogo. O Coelho era lateral-direito e o escanteio foi no lado direito, ele não deveria estar no segundo pau, ali era lugar do lateral-esquerdo. Ele foi ali e fez o gol contra. Quem mandou? É um detalhe que ninguém vê, ninguém fala. O que esse cara estava fazendo ali? Tem várias coisas que a imprensa deixa passar. Errou um posicionamento que não poderia errar. Ademar Braga ainda lembrou da qualidade da equipe montada pela parceira MSI. – Eu não encontro explicação para essa derrota. Não tenho trauma, quem vive até 81 anos não tem trauma, se tivesse já tinha morrido antes. Mas é inexplicável. Se não foi o melhor time que trabalhei, está entre os três melhores. Esse de 2005 era mais time do que o que ganhou a Libertadores de 2012. Era um time completo . A eliminação com certeza esse jogo influenciou meu futuro no clube. Se eu ganhasse teria ido para a seleção, como o outro foi. O que ganhou foi para a seleção depois. 3 de 4 Nilmar comemora primeiro gol do Corinthians contra o River: depois, Timão levaria três... — Foto: Eduardo Nicolau/Estadão Conteúdo Nilmar comemora primeiro gol do Corinthians contra o River: depois, Timão levaria três... — Foto: Eduardo Nicolau/Estadão Conteúdo O pós-jogo para os jogadores do Corinthians Formado nas categorias de base do Parque São Jorge e com mais de 200 jogos pelo profissional do Corinthians , Betão relembrou as horas após o fim da partida no Pacaembu. Enquanto alguns jogadores deixaram o estádio em carros da polícia, o restante da delegação seguiu de ônibus até o hotel onde estava concentrada. Com receio de uma possível emboscada, o grupo optou por permanecer no local e só deixou o hotel na manhã seguinte. – Dentro do gramado nos juntamos perto do gol para não descer para o vestiário. Ficamos ali unidos na porta do túnel. A tensão só ia aumentando. Depois, veio toda a apreensão de vestiário. Escutávamos muitos barulhos do lado de fora, bombas e gritaria. Nisso, o policiamento começou a entrar no vestiário para ver se poderíamos sair do estádio. E chegou um momento que começaram a chamar alguns jogadores, que foram de camburão. Entraram no carro da polícia e conseguiram sair . Lembro que o ônibus com os jogadores que ficaram foi sair só depois das 3, 4 horas da manhã. Aí fomos para o hotel. A tensão continuou – relatou ao ge . – Os torcedores sabiam onde concentrávamos. Nossos carros estavam lá e iríamos para nossas casas. Ficamos com medo de emboscada. Ficamos acordados, ainda estava escuro. Ficamos pensando no que fazer. Iríamos embora logo que chegamos, umas 4h/4h30, ou esperávamos clarear? A maioria ficou acordada esperando clarear para poder ter uma visão do ambiente. Começamos a sair do hotel quando clareou. Aí, os companheiros iam avisando o outro, dizendo que já estava tranquilo – concluiu. 4 de 4 Corinthians x River Plate, oitavas de final da Libertadores (2006) — Foto: Daniel Augusto Jr/Ag.Corinthians Corinthians x River Plate, oitavas de final da Libertadores (2006) — Foto: Daniel Augusto Jr/Ag.Corinthians A Libertadores de 2006 O Corinthians venceu quatro dos seis jogos iniciais daquela edição da Libertadores e terminou a fase de grupos na liderança de sua chave, com 13 pontos. Adversário nas oitavas de final, o River Plate era comandado por Daniel Passarella, que havia tido breve passagem pelo Parque São Jorge em 2005. Após eliminar o Corinthians , o time de Buenos Aires avançou às quartas de final, mas acabou superado pelo Libertad, do Paraguai. Na decisão, o Internacional venceu o São Paulo e conquistou o título continental. Testemunhas relatam cenas de terror no Pacaembu: "Você pensa que vai morrer" + Leia mais notícias do Corinthians 🎧 Ouça o podcast ge Corinthians🎧 + Assista: tudo sobre o Corinthians na Globo, sportv e ge 50 vídeos