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Com brilho de Gallardo e "Lei do Ex" de Passarella, River eliminou Corinthians no Pacaembu Cenas de destruição no Pacaembu, jogo encerrado aos 37 minutos do segundo tempo e a tentativa de invasão de centenas de torcedores ao gramado. O Corinthians viveu uma das piores noites de sua história em 4 de maio de 2006, há exatos 20 anos, ao ser eliminado nas oitavas de final da Conmebol Libertadores pelo River Plate. + Siga o canal ge Corinthians no WhatsApp 1 de 4
Corinthians x River Plate, oitavas de final da Libertadores (2006) — Foto: Daniel Augusto Jr/Ag.Corinthians Corinthians x River Plate, oitavas de final da Libertadores (2006) — Foto: Daniel Augusto Jr/Ag.Corinthians Após perder por 3 a 2 em Buenos Aires, o time galáctico e de alto investimento montado pela MSI (Media Sports Investment) não conseguiu reverter o resultado e foi derrotado por 3 a 1, de virada, na capital paulista. O terceiro gol do clube argentino, aos 36 minutos do segundo tempo, marcado pelo atacante Gonzalo Higuaín, deu início a um dos episódios mais violentos do futebol brasileiro. Responsável pelo grupo de policiais que foi até o alambrado do Pacaembu para conter a invasão de torcedores naquela noite de quinta-feira, o tenente Alexandre Vilariço conversou com a reportagem do ge e relembrou a adrenalina do momento. – A torcida resolveu invadir o campo. Foram no portão, que era justamente a parte mais frágil do alambrado. Tentaram forçar o portão para invadir. Utilizamos munições de efeito moral, munição de luz e som. Deu resultado. Abriram o portão em determinado momento, mas eles não conseguiram invadir . Eu estava comandando aquele grupo de policiais que ficou na linha. Conseguimos dar uma carga de cassetete. Se eu te falar que não fiquei com medo, não estarei falando a verdade. Tivemos policiais lesionados, mas nenhum com gravidade. Alguns tomaram chutes, teve um que caiu no chão e precisamos levantar ele rapidamente. Outros policiais tiveram arranhões. – Eu acho que foi um divisor de águas, não só para a polícia. A partir daquele momento, todos os envolvidos no evento passaram a ter uma preocupação . Polícia Civil, delegacia do torcedor, Ministério Público... A Federação Paulista de Futebol também se profissionalizou e os clubes começaram a encarar o negócio de forma mais técnica e profissional. Passou a ter preocupação real com o evento. Outros confrontos aconteceram, mas ali começamos a ter uma visão um pouco mais de trabalho em conjunto dos órgãos. Os órgãos passaram a ter um relacionamento melhor, fazer reuniões preparatórias em todos os jogos. Antes isso só acontecia em grandes jogos. Entre torcedores e policiais, cerca de 30 pessoas precisaram ser atendidas no posto médico do Pacaembu. Mais notícias do Corinthians : + Empresas, acordo por dívida e redução salarial: Corinthians e Memphis negociam renovação + Corinthians começa 2026 com déficit de quase R$ 100 milhões no primeiro bimestre Há 20 anos, Corinthians sucumbiu ao River no Pacaembu em "noite de terror" na Libertadores Promotor de Justiça à época, Paulo Castilho acredita que a partida influenciou mudanças no futebol brasileiro, como a criação de setores específicos para torcidas organizadas e a redução da presença de torcedores visitantes nos estádios. – Muita coisa que aconteceu no futebol brasileiro foi decorrência de estudar esse fatídico dia, que quase terminou em tragédia e teve ação heroica dos policiais. Se não fosse aquele dia, talvez nada tivesse acontecido. Não teriam crimes penais, não teria reduzido para 5% de torcida visitante e também a torcida única anos depois. Tudo começou nesse dia — disse Paulo Castilho em entrevista ao ge . – Foi um divisor de águas. A partir daquele momento eu fui designado para combater a violência no futebol brasileiro. Fui conhecer exatamente tudo do futebol, não só a arquibancada. Estudei torcidas, legislações, itinerário dos clubes, estádios, centro de treinamento, como era a movimentação das torcidas e a chegada e saída do estádio, seja por ônibus, metrô ou a pé. Percebi que não tínhamos uma legislação criminal atualizada, nem mecanismos eficazes para combater a violência e ajudar na prevenção. – Celebramos um termo com a Federação Paulista de Futebol onde nós impusemos várias obrigações, como isolar a organizada em determinado setor. Exigimos cadastramento atual das torcidas organizadas. Estabelecemos o relatório Taylor, que foi usado para combater os hooligans na Inglaterra. Estudei todo esse relatório e aproveitamos muitas coisas dele. Não dava para a torcida organizada ficar no meio de torcedor comum, precisávamos identificá-los e colocá-los em determinado setor. A torcida única em clássicos segue como uma das principais medidas em vigor. Embora haja conversas para flexibilizar a regra, adotada há dez anos no estado, uma definição a curto prazo não é esperada. Veja o rastro de destruição no Pacaembu após o confronto entre corintianos e policiais Dentro de campo A partida teve tom dramático porque o Corinthians precisava de uma vitória pelo placar mínimo para garantir vaga nas quartas de final da Libertadores. Na época, os gols marcados fora de casa ainda eram decisivos para o avanço de fase. A equipe comandada por Ademar Braga saiu na frente com gol do atacante Nilmar. O empate do River Plate veio no segundo tempo, com gol contra do lateral Dyego Coelho, e a virada aconteceu com dois tentos de Higuaín, que havia entrado na etapa final. A escalação titular do Corinthians teve: Silvio Luiz; Coelho, Marcus Vinícius, Betão e Rubens Júnior; Xavier, Marcelo Mattos, Carlos Alberto e Ricardinho; Nilmar e Carlitos Tevez . Eduardo Ratinho e Roger Flores entraram durante o jogo. Em entrevista ao ge , Ademar Braga classificou a eliminação como uma catástrofe e a segunda pior derrota de sua carreira. – Mascherano tinha sido expulso na Argentina. Xavier era um volante que entrou no Monumental e fez o gol. O jogo de ida ficou 3 a 2 para eles. Aí eu coloquei o Xavier na volta, pensei que estava com moral, mas foi um desastre. Ele não fez nada. Só que não foi por isso que a gente perdeu. – Fizemos 1 a 0 com o Nilmar, aí fomos para o segundo tempo confiantes. Era 1 a 0 no placar, no Pacaembu lotado e só com corintiano. Pensávamos que faríamos até mais de três gols. Aí aconteceu o que aconteceu. Foi uma catástrofe. Eu tive duas grandes derrotas na minha vida, a primeira tinha sido pela seleção brasileira na Copa de 1990. 2 de 4
Ademar Braga, técnico do Corinthians em 2006 — Foto: Reprodução/TV Globo Ademar Braga, técnico do Corinthians em 2006 — Foto: Reprodução/TV Globo O treinador acredita que o gol contra marcado por Coelho mudou o cenário do jogo. Aos 11 minutos do segundo tempo, Marcelo Gallardo, até então jogador, cruzou da direita e o lateral corintiano tentou afastar, mas mandou contra o próprio gol. – Achava que era muito difícil eles virarem o jogo. O Coelho era lateral-direito e o escanteio foi no lado direito, ele não deveria estar no segundo pau, ali era lugar do lateral-esquerdo. Ele foi ali e fez o gol contra. Quem mandou? É um detalhe que ninguém vê, ninguém fala. O que esse cara estava fazendo ali? Tem várias coisas que a imprensa deixa passar. Errou um posicionamento que não poderia errar. Ademar Braga ainda lembrou da qualidade da equipe montada pela parceira MSI. – Eu não encontro explicação para essa derrota. Não tenho trauma, quem vive até 81 anos não tem trauma, se tivesse já tinha morrido antes. Mas é inexplicável. Se não foi o melhor time que trabalhei, está entre os três melhores. Esse de 2005 era mais time do que o que ganhou a Libertadores de 2012. Era um time completo . A eliminação com certeza esse jogo influenciou meu futuro no clube. Se eu ganhasse teria ido para a seleção, como o outro foi. O que ganhou foi para a seleção depois. 3 de 4
Nilmar comemora primeiro gol do Corinthians contra o River: depois, Timão levaria três... — Foto: Eduardo Nicolau/Estadão Conteúdo Nilmar comemora primeiro gol do Corinthians contra o River: depois, Timão levaria três... — Foto: Eduardo Nicolau/Estadão Conteúdo O pós-jogo para os jogadores do Corinthians Formado nas categorias de base do Parque São Jorge e com mais de 200 jogos pelo profissional do Corinthians , Betão relembrou as horas após o fim da partida no Pacaembu. Enquanto alguns jogadores deixaram o estádio em carros da polícia, o restante da delegação seguiu de ônibus até o hotel onde estava concentrada. Com receio de uma possível emboscada, o grupo optou por permanecer no local e só deixou o hotel na manhã seguinte. – Dentro do gramado nos juntamos perto do gol para não descer para o vestiário. Ficamos ali unidos na porta do túnel. A tensão só ia aumentando. Depois, veio toda a apreensão de vestiário. Escutávamos muitos barulhos do lado de fora, bombas e gritaria. Nisso, o policiamento começou a entrar no vestiário para ver se poderíamos sair do estádio. E chegou um momento que começaram a chamar alguns jogadores, que foram de camburão. Entraram no carro da polícia e conseguiram sair . Lembro que o ônibus com os jogadores que ficaram foi sair só depois das 3, 4 horas da manhã. Aí fomos para o hotel. A tensão continuou – relatou ao ge . – Os torcedores sabiam onde concentrávamos. Nossos carros estavam lá e iríamos para nossas casas. Ficamos com medo de emboscada. Ficamos acordados, ainda estava escuro. Ficamos pensando no que fazer. Iríamos embora logo que chegamos, umas 4h/4h30, ou esperávamos clarear? A maioria ficou acordada esperando clarear para poder ter uma visão do ambiente. Começamos a sair do hotel quando clareou. Aí, os companheiros iam avisando o outro, dizendo que já estava tranquilo – concluiu. 4 de 4
Corinthians x River Plate, oitavas de final da Libertadores (2006) — Foto: Daniel Augusto Jr/Ag.Corinthians Corinthians x River Plate, oitavas de final da Libertadores (2006) — Foto: Daniel Augusto Jr/Ag.Corinthians A Libertadores de 2006 O Corinthians venceu quatro dos seis jogos iniciais daquela edição da Libertadores e terminou a fase de grupos na liderança de sua chave, com 13 pontos. Adversário nas oitavas de final, o River Plate era comandado por Daniel Passarella, que havia tido breve passagem pelo Parque São Jorge em 2005. Após eliminar o Corinthians , o time de Buenos Aires avançou às quartas de final, mas acabou superado pelo Libertad, do Paraguai. Na decisão, o Internacional venceu o São Paulo e conquistou o título continental. Testemunhas relatam cenas de terror no Pacaembu: "Você pensa que vai morrer" + Leia mais notícias do Corinthians 🎧 Ouça o podcast ge Corinthians🎧 + Assista: tudo sobre o Corinthians na Globo, sportv e ge 50 vídeos