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Só para assinantes Assine UOL Opinião Lesões perto da Copa não são fruto do acaso Juca Kfouri Colunista do UOL 24/04/2026 15h09 Deixe seu comentário Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Imagem: iStock POR VINICIUS SOUZA* O que testemunhamos hoje, a menos de 50 dias da Copa do Mundo, não é fruto do acaso, mas sim do impacto severo da carga crônica acumulada. Estamos falando de atletas que vêm de uma sequência exaustiva. O impacto do calendário do Mundial de Clubes e a densidade das ligas continentais reduziram o período de transição e recuperação ao mínimo. O corpo humano tem um limite de tolerância biológica e quando o volume de jogos impede a restauração dos tecidos, o atleta entra em um estado de fadiga residual. Somado a isso, o histórico prévio de lesões é um fator determinante: um tecido já cicatrizado é uma zona de menor complacência e maior risco sob estresse. Nesse cenário, a lesão do bíceps femoral se consolidou como a mais comum na elite mundial. Esse músculo é o protagonista nas ações de explosão e, crucialmente, nas desacelerações bruscas. Como o futebol moderno exige sprints repetidos em curtíssimos intervalos, essa região vive sob sobrecarga constante e acaba pagando a conta do cansaço neuromuscular. Sobre talentos como Estêvão e Lamine Yamal, o desafio é o processo de maturação. Existe um descompasso biológico: os tecidos ósseos e tendíneos deles ainda estão se consolidando, enquanto a demanda competitiva já é de veterano. É um equilíbrio delicado entre a performance imediata e a preservação da carreira. Diferente do caso de Franco Baresi em 94, que voltou após pouco mais de 20 dias de uma cirurgia de menisco (meniscectomia), as lesões musculares atuais exigem um tempo fisiológico de cicatrização que a biologia não permite pular etapas. A pergunta que mais vem à tona neste momento é se é possível tê-los na Copa do Mundo. Para a maioria das lesões, sim. E aqui temos dois grandes polos: o Catar, que oferece um ecossistema de alta performance com centros como o Aspetar, integrando terapias regenerativas e monitoramento por Inteligência Artificial para dar precisão matemática ao retorno do atleta, e, com grande relevância, o Brasil. Muitos atletas de alto nível hoje optam por retornar ao Brasil para o tratamento, porque somos referência mundial em fisioterapia esportiva. A nossa escola de reabilitação une a tecnologia à expertise clínica de forma única. Nesse sentido, a Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil) ganha destaque, contando com mais de 900 fisioterapeutas esportivos associados. Em um trabalho conjunto, garantimos que a ciência e a melhor prática clínica protejam a saúde desses profissionais, assegurando que o espetáculo conte com seus principais protagonistas em máxima performance. No fim das contas, a discussão ultrapassa a presença ou ausência de atletas na Copa e expõe um problema estrutural do futebol moderno. A ciência é clara ao estabelecer que não há desempenho de alto nível sem recuperação proporcional à carga imposta. Ao manter calendários cada vez mais comprimidos, o esporte passa a conviver com um cenário em que lesões deixam de ser exceção e passam a fazer parte da lógica do sistema. Garantir que os principais talentos cheguem em plenitude física exige mais do que tecnologia e centros de excelência: exige uma revisão responsável do modelo competitivo. Do jeito que está, o futebol corre o risco de comprometer carreiras, reduzir a longevidade dos atletas e impactar diretamente a qualidade do espetáculo. A Copa do Mundo deveria representar o auge da performance humana no esporte. Para que isso se sustente, será necessário alinhar ambição, ciência e gestão, sob pena de vermos o maior palco do futebol refletir, cada vez mais, os limites que insistimos em ultrapassar. * Vinicius Souza, fisioterapeuta esportivo especialista pela Sociedade Nacional da Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil). Daniela Lima STF morde isca da direita e alimenta 'agenda ética' Casagrande A Fifa não liga para Estêvão e Yamal Josias de Souza Correios provam que inferno existe Ronilso Pacheco Resposta de Gilmar a Zema expõe preconceitos Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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