Conteúdo Original
Futebol 'Desespero grande': brasileiro detalha tensão ao deixar Irã antes da guerra Caio Innocencio Colaboração para o UOL 27/04/2026 20h35 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Jair Tavares, volante brasileiro que deixou o Irã pouco antes da guerra Imagem: Reprodução "Dois dias depois que eu saí, a guerra começou". O relato é de Jair Tavares, meio-campista brasileiro que atuava pelo Mes Rafsanjan, do Irã, e que conseguiu deixar o país pouco antes do início do conflito armado contra EUA e Israel . Momentos de tensão O brasileiro passou apenas meia temporada no Irã. Jair, que chegou lá no início de 2025 vindo da Turquia, admite que se surpreendeu ao desembarcar no país árabe — mesmo assim, conseguiu conviver com a tensão da região. Eu tinha uma impressão diferente do Irã, mas quando cheguei lá, notei que era um país muito gostoso de se viver. Eu morava bem no centro de Teerã [capital], era muito tranquilo para sair e tomar um café. As pessoas, ao saberem que eu era brasileiro, achavam o máximo. Eles adoram o Brasil, acredito que ainda mais pelo futebol. [...] Já ouvi alguns alarmes. Um dia, estava com o time no ônibus e começou a tocar. Não sabíamos se era simulação ou não. Tivemos que deixar o ônibus e nos refugiar embaixo de um viaduto. O pânico bate na hora, mas foram só alarmes Jair Tavares, ao UOL Josias de Souza Discurso de Flávio para o agro não se sustenta Michael França É rico por mérito, herança ou circunstância favorável? Casagrande Corinthians deve futebol para sair de perto do Z4 Milly Lacombe Pedro convocou a si mesmo para a Copa Mesmo que tenha recebido o carinho do povo iraniano, Jair teve pouco espaço atuando por lá. Foram apenas quatro jogos disputados, totalizando 76 minutos em campo. Jair Tavares (esq.) durante treinamento no Mes Rafsanjan, do Irã Imagem: Divulgação A situação do brasileiro ficou insustentável quando a guerra estava perto de ter início. Embora o atual conflito tenha começado apenas no final de fevereiro deste ano , Jair deixou o Irã no dia 28 de maio de 2025, pouco antes da chamada Guerra dos Doze Dias, entre 13 e 24 de junho , quando Israel, com apoio dos EUA, atacou instalações nucleares e militares iranianas. Às pressas, ele teve que deixar o Irã, onde morava sozinho. Por meio de um amigo e de um treinador que tinham contatos na embaixada, Jair soube que, se não saísse rápido do país, poderia ficar preso na região. Eu fui avisado antes que tinha que deixar o Irã. Conversei com o clube. Eu tinha que enviar uma quantia para conseguir sair e minha sorte foi que meu amigo, que enviou a quantia para mim, conseguiu chegar a tempo em Teerã. Se não fosse isso, acredito que eu estaria no meio da guerra, porque dois dias depois que eu saí, a guerra começou. Se eu não conseguisse sair naquele dia, depois não conseguiria mais, porque os aeroportos já estavam fechando O desespero foi grande. Eu não conseguia comprar voo pelo fato de que já tinham cancelado as transações online. A mãe da minha filha conseguiu arrumar um voo para mim. O povo não sabia ao certo se era só ameaça, mas era bom prevenir, e eu consegui sair Continua após a publicidade Relacionadas Destaque da seleção do Irã é expulso da equipe após acusação de deslealdade EUA negam desejo de substituir Irã por Itália na Copa do Mundo Irã pede à Fifa para mudar seus jogos da Copa do Mundo para o México Fora do Irã, Jair disputou a última temporada na Romênia, onde já tinha jogado anteriormente. No Brasil, ele foi revelado pelo Ituano, mas jogou pouco antes de se aventurar no futebol da Finlândia — no país nórdico, aliás, o meio-campista teve mais sucesso e conquistou dois títulos da liga local. Ele também soma uma passagem pela Turquia. O brasileiro ainda mantém contato com colegas que não conseguiram sair do Irã. "Eu estava falando com um agente com quem trabalhei no Irã e perguntei como estava a situação. Ele me disse que a Teerã que eu conheço não existe mais, isso me doeu um pouco. Ele disse que aquela bonita Teerã que eu vi está destruída. Muitas vezes, eu mando mensagem para alguns amigos e ela não chega pelo fato de o país trancar a comunicação." Irã na Copa do Mundo Jair também comentou sobre a situação da seleção iraniana com a Copa do Mundo, que será disputada no México, EUA e Canadá. Classificada, a equipe cogitou não participar do torneio por causa da guerra, mas pediu à Fifa que seus jogos fossem alterados para o México. Na fase de grupos, o Irã, que está no grupo G, terá partidas nas cidades de Inglewood e Seattle. O pedido ainda não teve resposta da Fifa. O mais triste é saber que, mesmo se a seleção jogar a Copa, o povo do Irã não vai poder viajar para estar lá perto, para apoiar o time. Eu acredito que é um risco que o país vai correr se não jogar a Copa. Acredito que o futebol deveria estar acima disso, não deveria ter esse problema Jair Tavares Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Corinthians pagou artesanato, Papai Noel, salão e hotel para pet em 2025 Luana Piovani detona Virginia por divulgar bets: Maldição vai colar em você Mãe e filho brasileiros morrem em ataque de Israel no Líbano, diz Itamaraty A jogada da JHSF para dominar a viagem dos ultrarricos de SP a Miami Último capítulo de 'Terra Nostra': 10 cenas impactantes que fecham a novela