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Análise dos Times

São Paulo

Principal

Motivo: O artigo relata uma investigação policial que envolve o presidente do clube e suspeitas de desvio de dinheiro, afetando diretamente a imagem da instituição.

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Palavras-Chave

Entidades Principais

São Paulo Polícia Civil Julio Casares Mara Casares Daniel Bialski Coaf Bruno Borragine

Conteúdo Original

Só para assinantes São Paulo: Polícia investiga R$ 1,5 mi recebidos em dinheiro por Casares Pedro Lopes e Danilo Lavieri Colunistas do UOL, em São Paulo 06/01/2026 05h30 Deixe seu comentário Imagem: Marina Uezima/Brazil Photo Press/Folhapress/Arte UOL Carregando player de áudio Relatórios de análise financeira do Coaf aos quais o UOL teve acesso mostram que o presidente do São Paulo, Julio Casares, recebeu R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro na sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025. O valor corresponde, segundo os documentos, a quase metade -47%— da renda de Casares no período. É a maior fonte de renda do cartola durante os meses analisados. O salário recebido por Casares no São Paulo correspondeu a apenas 19,3% de toda a movimentação na mesma conta - foram R$ 617 mil. Os depósitos em dinheiro foram feitos em valores pequenos, de forma fracionada. Isso caracteriza uma prática chamada pelo Coaf de "smurfing", que é uma tentativa de burlar os mecanismos de controle. Há registros de 12 depósitos em um único dia, e operações no valor de R$ 49 mil -o limite para que o Coaf seja notificado automaticamente é de R$ 50 mil. Casares chegou a justificar os recebimentos ao seu banco como "recursos recebidos em espécie do SPFC referente bonificação dos campeonatos (sic)". Os relatórios embasam a investigação que a Polícia Civil conduz sobre possíveis desvios de dinheiro no São Paulo. Procurada pela reportagem, a Polícia apenas confirma a existência de uma investigação, mas não fornece nenhuma informação ou comentário sobre o seu conteúdo ou investigados. A própria instituição pediu segredo de Justiça no caso em três ocasiões. A investigação aponta ainda que foram sacados do São Paulo, entre janeiro de 2021 e novembro de 2025, R$ 11 milhões em espécie, divididos em 35 saques . Esse dado aparece em outro relatório também do Coaf, mas a investigação não aponta até agora qualquer correlação com os depósitos na conta de Casares. O São Paulo afirma que apresentará a contabilidade integral dos R$ 11 milhões, e que eles não têm qualquer relação com depósitos investigados do presidente. Os documentos ainda mostram que a conta de Casares era usada, de forma sistemática, para custear despesas de sua ex-mulher, e diretora licenciada do São Paulo, Mara Casares. Mara Casares, diretora afastada do São Paulo e ex-esposa de Julio Casares Imagem: Reprodução Foram pagos 104 boletos bancários emitidos no nome de Mara, que é investigada por se beneficiar de um suposto esquema de venda de camarote clandestino no clube. Segundo o relatório, nos 29 meses analisados Casares teve uma renda de cerca de R$ 3,2 milhões, sendo R$ 2,6 milhões que excedem o salário do período -destes, a maior parte, R$ 1,5 milhão, composta pelos depósitos fracionados em dinheiro. Procurado pelo UOL , Casares respondeu por meio de seus advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine. "Todas as movimentações financeiras de Julio contidas nos relatórios do Coaf possuem origem lícita e legítima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira. Esclareça-se que antes de assumir a presidência do São Paulo Futebol Clube, nosso constituído desempenhou e exerceu funções de alta direção na iniciativa privada, com boa remuneração. Ademais, a origem e o lastro de tais movimentações serão detalhadas e esclarecidas no curso das investigações -com a apresentação de provas, declarações e informações fiscais - justamente para rebater qualquer ilação que se fizer e, ainda mais porque não tiveram acesso à integralidade do inquérito policial", diz o comunicado enviado pelo escritório. Ao UOL , o São Paulo afirma que monitora as investigações e que agirá de acordo com a lei e com qualquer determinação judicial. O clube ainda afirma que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos conforme necessário. Banco alertou sobre movimentações atípicas A investigação divide-se em três períodos consecutivos, com movimentações atípicas em todos eles. O próprio banco no qual o presidente do São Paulo mantinha conta emitiu alerta ao Coaf ainda em 2023 apontando as operações na conta do dirigente como fora do padrão. Casares vem sendo alvo de protestos e de um pedido de impeachment no São Paulo Imagem: Thiago Ribeiro / AGIF Entre janeiro de 2023 e março de 2024, primeiro período analisado, os relatórios apontam que Casares teria tido entradas de R$ 1,1 milhão -destes, R$ 476 mil em dinheiro vivo, divididos em 17 transações no caixa de agências e 62 em caixas eletrônicos. No segundo período, entre março e outubro de 2024 foram R$ 600 mil em depósitos -53,5% da renda de Casares no período. O valor foi dividido em 24 transações em guichês de caixa e 12 em caixas eletrônicos. No terceiro e último período, entre outubro de 2024 e maio de 2025, os relatórios apontam R$ 415 mil em depósitos. Casares já constituiu defesa na investigação para acesso aos autos. Ele é representado pelo criminalista Daniel Bialski. O São Paulo também designou o escritório Iokoi Advogados para acompanhar o caso. A banca de advogados é a mesma que, em 2019, representou o clube em outra acusação envolvendo dirigentes. Na época, foram acusados de desvios de dinheiro os ex-presidente Carlos Miguel Aidar e o ex-diretor jurídico Leonardo Serafim e de lavagem de capitais o ex-diretor adjunto da base Douglas Schwarzmann. Na ocasião, o São Paulo peticionou se recusando a atuar como assistente de acusação e afirmando que os pagamentos feitos eram dentro da legalidade. Comunicar erro Deixe seu comentário Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. Mais 227 226 225 224 223 222 Mostrar mais