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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte O que queremos da seleção brasileira? Milly Lacombe Colunista do UOL 02/06/2026 11h48 Deixe seu comentário Seleção brasileira embarcou para a Copa do Mundo, nos Estados Unidos, nesta segunda-feira Imagem: Nelson Terme/CBF Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Partimos para mais uma Copa. Embalados por fenômenos grandiosos desde a festa da convocação. Podemos achar tudo cafona e dissonante com a realidade do nosso futebol, mas não podemos questionar a grandiosidade dos eventos que marcaram a despedida da seleção de solo brasileiro. A pergunta que caberia aqui é por que algumas pessoas se sentem incomodadas com esses atos festivos de imensa proporção? É uma pergunta legítima e eu arrisco tentar responder. As festividades, incluindo a convocação, parecem querer forçar uma paixão e uma excelência que não estão mais ali. Nada é espontâneo. Tudo deixa a impressão de ter sido contratado. Uma torcida que se denomina movimento verde e amarelo e tenta subir bandeirão de patrocinador comunica mais dever do que amor. José Roberto de Toledo Trump faz Pix eleitoral e entrega bandeira a Lula José Paulo Kupfer Trump usa comércio para camuflar objetivo no Brasil Milly Lacombe O que queremos da seleção brasileira? Casagrande Leila faz 'cortina de fumaça' por interesses no Palmeiras Uma campanha de marketing que repete "o hexa vem aí" não entendeu que o caminho deveria ser mais importante do que o resultado. Um estádio muito branco e capaz de xingar com raiva a mulher traída não está ali por amor à camisa, mas apenas porque teve dinheiro para comprar ingressos para a família, para tirar selfies e poder dizer que foi ao Maracanã ver o jogo de despedida. Onde podem meter um apoio publicitário, lá está ele. Todas as etapas do processo de embarque, desde a convocação, entendidas como um negócio orientado pelo lucro e nada mais. Soa falso, exagerado, forçado, deslocado, cafona. Tenho perguntado a pessoas com as quais interajo no dia a dia - no mercado, na rua, na padaria, na mecânica - o que acham da seleção. Ainda não encontrei uma pessoa apaixonada. Falam com frieza. Gostam da Copa, querem o hexa, mas se ele não vier não ligarão nem um pouco. Assim como talvez a CBF também não ligue. O dinheiro está circulando, o lucro é certo; sob o ponto de vista do negócio a campanha já é um sucesso. Mas volto à pergunta: o que queremos da seleção? Continua após a publicidade Eu acho que queremos vínculo. Queremos nos ver nesse time. Queremos nos identificar, nos reconhecer. A imagem de milhares de fãs berrando por Neymar não mostra o Brasil. O Maracanã, que um dia nos representou tão bem, não é mais o Brasil. Em campo, jogamos sem beleza. Contra o Panamá, num jogo que não valia nada, até conseguimos nos soltar ainda que sem encanto. Mas não temos um time com a cara da nossa cultura. Sem isso, não há como engajar. O único engajamento possível é convocar o popstar em decadência, fora de forma e lesionado; uma estratégia orientada pelo ponto de vista do negócio e por nenhuma outra. Neymar retém a atenção e, assim, faz o dinheiro circular. Mataram nossa cultura em campo, mataram a espontaneidade, mataram os espaços para construção de vínculo, mataram a torcida, mataram a descontração, mataram a originalidade. O futebol resiste porque é soberano e, como a água, encontra caminhos. Mas se seguirmos jogando concreto sobre a terra fértil que é o futebol brasileiro um dia tudo virará negócio. Meia dúzia de engravatados ficarão felizes, dezenas de atletas se sentirão senhores do mundo e milhões de brasileiros abrirão seus celulares para fazer uma nova aposta. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Governo vê margem para redução de taxas, mas diz que Pix é inegociável Casão: Leila faz 'cortina de fumaça' sobre 3º mandato no Palmeiras Vice-prefeito acidentado após fugir da polícia é preso em Santa Catarina Diretor detona Val Kilmer: 'Pior ser humano que já conheci' BC apertou cerco a lavagem com cripto e gerou tensão com os EUA