Conteúdo Original
Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Festa flamenguista nas ruas do Rio escancara o que o Maracanã deixou de ser Milly Lacombe Colunista do UOL 01/12/2025 10h28 Deixe seu comentário Flamengo: taça da Libertadores quebrou ainda em Lima e foi para a festa remendada Imagem: Gilvan de Souza/Flamengo Carregando player de áudio O domingo, 30 de novembro, foi todo rubro-negro nas ruas do Rio. Multidões aglomeradas celebrando o tetra da Libertadores. No centro da cidade, a maior delas. O cálculo oficial era de 200 mil. Flamenguistas garantem que havia um milhão. Nelson Rodrigues diria que eram 200 milhões, entre vivos e mortos. O que importa? Importa sentir e não calcular ou medir. Que medição juvenil é essa que bate boca por métrica e ofusca a emoção? O Rio era vermelho, preto e negro. O povo das favelas e comunidades, há muito excluído do Maracanã, ocupou a cidade para celebrar sua paixão. No UOL, Luis Adorno escreveu um texto lindo a respeito desse pertencimento. Os Complexos da Penha e do Alemão, que há pouco foram vítima de um extermínio promovido pelo Estado do Rio - mais um - nesse domingo estavam em festa. Olhar o aglomerado no centro da cidade era compreender que a cor da pele ali era a negra. O Flamengo do povo negro do Brasil. O Flamengo da geral. O Flamengo da massa que se entrega na boa e na ruim, na saúde e na doença, na vida e na morte. Josias de Souza Correios endividaram-se até raiz dos nossos cabelos Reinaldo Azevedo O golpismo remanescente para derrotar um democrata Daniela Lima Lula tenta conter tensão com Senado e Alcolumbre Domitila Becker Parem de zoar os palmeirenses Menos no Maracanã. Ali, é o Flamengo da elite, o Flamengo da torcida de teatro, o Flamengo que só apoia na boa (contra o Ceará, defendendo o título, vai ser pura festa), o Flamengo branqueado porque, num país que por quatro séculos escravizou pessoas e nunca trabalhou políticas públicas de inclusão, encarecer é embranquecer. A elitização do futebol é um crime, uma indecência, uma excrescência e uma imoralidade. E é também racista. O domingo mostrou o que o Maracanã poderia ser. O que ele um dia foi. O que ele já não é mais. E a quem ele pertence de fato. Um dia, o morro excluído de seus espaços de existência, vai descer e não vai ser nem Carnaval (salve Wilson das Neves), nem título do Flamengo. "E não vai nem dar tempo de ter o ensaio geral". Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Carro blindado: conferimos 'tiroteio' em manta que pode salvar sua vida BC cria ferramenta para bloquear abertura de contas após aumento de fraudes Faustão aparece em momento raro ao lado de Tom Cavalcante e Muricy Ramalho Virginia sobre relação com Vini Jr: 'Precisa ter paciência e querer mesmo' Viviane Araujo diz que reencontro com Belo é só trabalho: 'Tô tranquila'