Conteúdo Original
Futebol Corinthians pode vender o Parque São Jorge para pagar Arena? Fábio Lázaro Do UOL, em São Paulo 13/10/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Parque São Jorge, sede social do Corinthians Imagem: Fábio Lázaro/IUOL O Corinthians deve atualmente cerca de R$ 630 milhões à Caixa Econômica Federal pela construção da Neo Química Arena. O Parque São Jorge, sede social do clube, é avaliado em R$ 602 milhões. Como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu em setembro, uma saída seria vender um para pagar o outro. É uma conta simples: o Corinthians vende o Parque São Jorge e usa o valor para quitar quase toda a dívida da Arena. O UOL foi atrás dos detalhes da operação mencionada por Lula. Na prática, porém, o negócio está longe de ser simples, passa por obstáculos políticos, aprovações políticas e pela opinião dos sócios. Josias de Souza Flávio pode trocar de princípios para frear Lula João Paulo Charleaux Manifestações mudam clima na esquerda Milly Lacombe Acho que devemos um agradecimento a Renato PVC Lamine Yamal é um absurdo de craque Neo Química Arena antes de Corinthians e Chapecoense pelo Brasileirão Imagem: Anderson Romão/AGIF Sugestão informal A ideia apareceu no podcast "Desce a Letra", em 16 de setembro. Lula disse ter sugerido ao presidente da Caixa, Carlos Vieira, que aproximasse o Corinthians do setor imobiliário para discutir a venda do Parque São Jorge. Fontes que acompanham o cotidiano do Governo disseram à reportagem que a declaração teve caráter informal. A avaliação é que Lula falou sobre o tema dentro do estilo despojado que costuma adotar ao abordar futebol. A menção a Carlos Vieira também foi interpretada nesse contexto. Segundo essas pessoas, a ideia não foi lida como ordem ou pressão do Palácio do Planalto para que a Caixa conduzisse uma venda. A declaração também não deu origem a qualquer estudo ou proposta envolvendo o imóvel. Oficialmente, a Caixa informou que não comenta operações bancárias específicas nem eventuais negociações. O banco citou o sigilo previsto na Lei Complementar nº 105/2001. Continua após a publicidade O UOL também apurou que a instituição não pretende transformar o assunto em uma disputa política. A posição é buscar soluções negociadas para os contratos, inclusive na relação com o Corinthians. Quanto vale o Parque São Jorge? O Parque São Jorge recebeu uma avaliação conjunta de R$ 602,2 milhões, em fevereiro. O cálculo considera quatro matrículas que formam o complexo localizado no Tatuapé, na zona leste de São Paulo, e aparece em um acordo firmado entre o Corinthians e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, a PGFN. Essa avaliação serve como referência, mas não é o potencial total de valor do imóvel. Marcelo Nudelman, CEO e fundador da Think Construtora, considera a quantia de R$ 602 milhões compatível com as características da região, mas alerta que o preço da casa corintiana pode ser maior. O incorporador diz que o valor de R$ 3.800 por metro quadrado (a conta considera uma área próxima de 158 mil metros quadrados) é "razoável, mas talvez abaixo do mercado". A variação tem a ver com as possibilidades do que poderia ser construído. Sem um estudo completo sobre o potencial imobiliário da área e avaliação de zoneamento, divisão dos terrenos, limites para construção ou eventuais necessidades de regularização, é impossível definir quanto o terreno poderia valer em uma negociação real. Continua após a publicidade A conta também mudaria se o Corinthians vendesse apenas a Fazendinha, em vez de todo o complexo. Nesse caso, seria necessário identificar a área exata, a matrícula correspondente e o que poderia ser construído no local. Parque São Jorge, a Fazendinha, que fica na sede do Corinthians Imagem: Rodrigo Coca / Agência Corinthians O formato da operação também influenciaria. A venda direta representa dinheiro rápido, mas um valor menor. Nudelman avalia que uma permuta física costuma oferecer uma remuneração maior ao proprietário do terreno. Nesse modelo, o Corinthians entregaria o terreno a uma incorporadora e receberia unidades construídas no futuro empreendimento. O retorno total poderia ser maior, mas o clube não teria liquidez para pagar suas dívidas. Mas o terreno pode ser vendido? O principal obstáculo é justamente o acordo entre o Corinthians e a Fazenda Nacional que definiu o valor do Parque São Jorge. O documento, obtido pelo UOL , reorganizou o pagamento de dívidas tributárias que poderiam voltar a ser cobradas do clube. Continua após a publicidade O Corinthians recebeu descontos sobre juros, multas e encargos e ganhou mais tempo para pagar os impostos atrasados. Em troca, assumiu uma série de compromissos. Um deles foi oferecer o Parque São Jorge como garantia. O documento relaciona quatro matrículas registradas no 9º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo. Juntas, elas foram avaliadas em R$ 602,2 milhões. A situação ganhou relevância porque o Corinthians deixou de pagar as últimas quatro parcelas da transação tributária, informação publicada inicialmente pelo "ge" e confirmada pelo UOL . As prestações vencidas desde junho somam cerca de R$ 27,3 milhões, considerando as dívidas previdenciárias e não previdenciárias. O atraso daria margem para que a Fazenda cancelasse o acordo e até executasse as dívidas - o que, em um caso extremo, poderia levar à perda do imóvel da sede social corintiana. A legislação permite o encerramento quando três parcelas consecutivas ou alternadas deixam de ser pagas. A reportagem apurou, porém, que isso não aconteceu. A PGFN informou oficialmente que a transação permanece regular e que não comentará possíveis cenários futuros. Enquanto o acordo continuar válido, o Parque São Jorge permanece como garantia da dívida tributária. O atraso aumenta a importância do imóvel para a Fazenda Nacional, mas não significa que o terreno será tomado imediatamente. O Corinthians também não poderia simplesmente vender o imóvel e decidir sozinho o que fazer com o dinheiro. Uma operação desse tipo dependeria de autorização prévia e expressa da Fazenda Nacional. Continua após a publicidade O acordo permite que a União estabeleça as condições para liberar o imóvel. A Fazenda pode exigir, por exemplo, o pagamento das parcelas atrasadas, a antecipação de valores que ainda venceriam ou que parte do dinheiro da venda seja usada para quitar a própria dívida tributária. Os R$ 602,2 milhões não representam, portanto, dinheiro que o clube poderia receber e imediatamente usar para pagar a Caixa. Primeiro, seria necessário regularizar os atrasos, negociar a liberação do Parque São Jorge e definir com a União quanto do valor da operação poderia ser destinado a outra dívida. A dívida da Arena era de R$ 642,8 milhões no fim de 2025, segundo o último balanço anual publicado pelo Corinthians. Depois dos pagamentos feitos em 2026, o débito é estimado atualmente em cerca de R$ 630 milhões. Conselho e sócios precisariam aprovar Outro obstáculo para a venda seria a política interna do Corinthians. O assunto precisa ser levado ao Conselho Deliberativo em uma reunião convocada especificamente para essa finalidade. A proposta só seria aprovada com o voto favorável de dois terços dos presentes. Pelo menos metade dos conselheiros precisa participar da sessão. Continua após a publicidade Uma venda de todo o Parque São Jorge teria ainda outra dificuldade. O Estatuto estabelece que a sede do Corinthians fique na Rua São Jorge, nº 777. Para o clube deixar o local, seria necessário alterar o regimento social. Essa mudança exigiria a participação dos associados em uma Assembleia Geral. Uma parceria com uma incorporadora também poderia exigir novas votações. Isso ocorreria, por exemplo, se o Timão transferisse o terreno para uma empresa criada especificamente para desenvolver o projeto. O Corinthians afirmou ao UOL que nunca houve tratativa, estudo ou iniciativa para negociar o Parque São Jorge ou a Fazendinha. Segundo a posição oficial, os dois locais permanecem como patrimônios do clube. A diretoria declarou ainda que a sede social e o estádio possuem valores históricos e institucionais que ultrapassam suas estruturas físicas. A possibilidade levantada por Lula depende, portanto, de uma sequência de decisões que nunca começou. O valor atribuído ao complexo se aproxima da dívida atual da Arena, mas uma eventual venda enfrenta hoje uma série de obstáculos jurídicos, financeiros e políticos. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Aos 29 anos, Richarlison estreia pelo sub-21 do Tottenham Resumo da novela 'Quem Ama Cuida' da semana: capítulos de 14/10 a 24/10 Voto 'dupla face' sobre fim da 6x1 torna Flávio cabo eleitoral de Lula Rede de parques fecha 9 montanhas-russas após morte de homem nos EUA Pedreiro viaja mais de 2 mil km para conhecer mulher criada por IA