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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Escola antiga e defensivismo glamourizado: o coquetel do desastre italiano Julio Gomes Colunista do UOL 31/03/2026 18h35 Deixe seu comentário O árbitro francês Clément Turpin expulsa Bastoni na repescagem entre Itália e Bósnia Imagem: Elvis Barukcic/AFP Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Existe uma máxima no futebol: há vários modos de se ganhar um jogo. Sim, ela é uma realidade. É possível ganhar jogando bem e jogando mal, jogando com protagonismo ou não, com linhas de defesa altas ou baixas, com mérito ou com pura sorte. O futebol é democrático e imprevisível. A Itália, com sua escola orgulhosamente defensiva, conseguiu grandes proezas no futebol do Século XX. Foram títulos de Copa do Mundo, títulos da Europa por seus clubes (que eram nacionais e não globalizados, como hoje) e muita história para contar. Mas é necessário colocar tudo em um contexto. Hoje, o esporte está completamente globalizado. Jogadores de todos os cantos do mundo são observados, contratados, muitos se desenvolvem em outros países, muitos crescem em um lugar e defendem seleções de países que sequer visitaram na vida. Já 50 ou 100 anos atrás, quantas escolas havia? Quem, de fato, jogava futebol? Brasil, Uruguai, depois Argentina, Inglaterra, Alemanha, Itália. Depois Holanda. Eram poucas escolas. Eram poucos jogos. E neste cenário o futebol organizado e defensivo da Itália conseguiu triunfar em vários momentos. Não tanto, claro, como o futebol brasileiro, a verdadeira escola inspiradora de tantas outras. Julio Gomes O coquetel do desastre da seleção italiana Casagrande O fundo do poço da Itália, uma seleção previsível Carla Araújo Demora de Lula sobre Messias incomoda aliados Josias de Souza Eduardo virou estorvo para irmão e para cárcere do pai Agora não há mais escolas. O jogo é globalizado. E parece que a Itália parou no tempo. É um certo glamour, talvez, um fetiche, um orgulhoso descolocado. Que Gennaro Gattuso, um símbolo do futebol de força, uma espécie de ogro no meio de príncipes naquele Milan de Ancelotti, seja o comandante de mais um fracasso italiano é algo emblemático. E vejam, eu estaria falando o mesmo se a Itália tivesse vencido a Bósnia nos pênaltis e se classificado para a Copa. Se tivesse entrado, faria o quê de bom no Mundial? Possivelmente, nada. Só farão falta o hino e a linda camisa. A Itália já estava sendo dominada pela Bósnia no primeiro tempo todo quando Bastoni foi estupidamente expulso. Ainda fez um jogo meio heróico, levou o empate, mas segurou o 1 a 0 até onde deu. Teve lá chances de fazer o segundo, mas desperdiçou contra ataques por pura falta de talento. Nos pênaltis, Donnarumma, que havia sido o herói da partida e é exímio pegador de penalidades, não conseguiu defender nenhum. Importante frisar que a Itália entrou em campo com três zagueiros e, quando Bastoni foi expulso, Gattuso prontamente tirou um atacante para colocar mais um em campo. Obviedade, pobreza, falta de criatividade e coragem. É um futebol empobrecido. Tanto que o pequenino Como, com um estilo de jogo mais atual, comandado por um espanhol, Fàbregas, está fazendo estragos na liga italiana. Fàbregas jogou a partida de 2008, quartas de final da Euro, quando a Espanha bateu a Itália nos pênaltis. Uma partida divisora de águas, disputada em Viena. Se a vitória de 1982 da Azzurra sobre o Brasil foi uma espécie de momento determinante para o futebol, levando técnicos e mais técnicos a acreditar que o "jogo bonito" era insuficiente para vencer, talvez 2008 tenha tido um efeito oposto na Europa, tenha sido o antídoto. A Itália vinha de um título mundial, o tetra de 2006, mas o modo como o futebol estava se desenvolvendo passava a impressão de aquele ser um último suspiro de um tipo de jogo que não emocionava ninguém. Foram-se 20 anos, e a Itália é a única das potências europeias que não conseguiu se reinventar. Depois de perder na repescagem de 2018 para a Suécia, na de 2022 para a Macedônia do Norte, agora a vilã foi a Bósnia, nos pênaltis. Ficar fora de três Copas do Mundo seguidas, uma delas com 48 classificadas, não pode ser só obra do acaso. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Julio Gomes por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora 'Apocalipse e pior pesadelo': jornais europeus analisam Itália fora da Copa Por que fiança de tenente da PM que matou empresário em SP custou R$ 3.000? Itália é eliminada pela Bósnia e fica fora da Copa pela 3ª vez seguida Mega-Sena acumula, e prêmio vai a R$ 7,5 milhões; veja as dezenas sorteadas Messi marca e dá assistência, e Argentina goleia a Zâmbia na Bombonera