Conteúdo Original
Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte Flamengo prepara corte de custo por previsão de R$ 700 milhões em impostos Rodrigo Mattos Colunista do UOL 03/02/2026 05h30 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Bap, presidente do Flamengo, durante cerimônia do The Best, da Fifa, em Doha, no Qatar Imagem: Bruno Braz / UOL O Flamengo divulgou um estudo que estima um pagamento extra de R$ 746 milhões em impostos nos próximos oito anos por decisões do governo federal na nova reforma tributária. Com isso, a diretoria clube já prepara um corte de custos. Mas a intenção é preservar o futebol e não se transformar em SAF. O Ministério da Fazenda vetou artigos da reforma tributária que favoreceriam os clubes associativos e as SAFs com reduções de carga tributária. Com a medida, as entidades sem fins lucrativos ficaram com carga fiscal superior (11%) às empresas (6%), segundo advogados tributaristas. O órgão do governo federal defende que ainda não é possível saber a carga exata porque é preciso considerar compensações com créditos tributários por operação. E defendeu a decisão de vetar partes da reforma por serem contra o interesse público e inconstitucionais. Daniela Lima Pesquisa: Lula lidera ranking de relevância digital Sakamoto PM 'assassina' o português na escola em São Paulo Ricardo Kotscho Castro conseguiu se esconder de escândalo Alexandre Borges Israel não reconheceu 70 mil mortos em Gaza Ainda há possibilidade de derrubada dos vetos na Câmara Federal. Flamengo e Corinthians trabalham por mudanças na lei, outros clubes associativos não se manifestaram. Enquanto isso, o clube carioca já contratou um escritório de advocacia para calcular o impacto no clube. Pelo estudo divulgado, os impostos extras começam em R$ 19 milhões, em 2026, e atingem R$ 214 milhões, em 2033. Em oito anos, são R$ 746 milhões. Em comparação, as SAFs pagariam R$ 473 milhões a menos em impostos durante esse período, segundo o estudo feito para o Rubro-Negro. Diante deste cenário, o Flamengo já começou a preparar corte de custos com adaptações a seu orçamento. Em 2026, o clube já estima uma redução de R$ 16 milhões nas despesas. A intenção da diretoria rubro-negra é preparar o clube para o novo cenário econômico. O modelo é cortar atividades deficitárias que geram prejuízo. O esporte olímpico tem um déficit quase R$ 50 milhões e é uma das áreas que podem ser afetadas. "Investimos R$ 70 milhões (em esporte olímpico). Não arrecada mais do que R$ 24/25 milhões por ano. Quando o jogador de futebol volta suas atividades, Flamengo já deve R$ 46 milhões no ano. Temos que buscar esse dinheiro. Não vai botar R$ 700 milhões nos próximos sete anos para aprofundar esse investimento porque vai afetar o futebol rubro-negro", disse o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, à TV do Flamengo. Continua após a publicidade Enquanto isso, o Ministério da Fazenda entende que ainda não é possível dizer que os clubes associativos vão pagar mais impostos dos que as SAFs. A carga tributária exata será determinada de acordo com a compensação das operações, como conta o assessor da pasta, João Pedro Machado Nobre, que foi diretor reforma tributária. "Já tinha uma diferença de tributação. Tem algo para ser resolvido em relação às emendas. Não está claro se há uma desvantagem para um ou para outro. Pode ser mais vantajosa tributação para as SAFs ou para associações. Não é isso, só aplicar as alíquotas", contou o assessor. Explica-se: as SAFs serão tributadas em toda sua receita, os clubes serão cobrados por cada operação, como compras. E cada uma dessas operações gera um crédito tributário que pode ser descontado. Isso vale, por exemplo, para compra de jogador. "O regime tributário é mais simples e mais transparente. Poderá receber os créditos. Serão devolvidos. Objetivo é reduzir as distorções. Acabou tendo um regime diferente. Não é necessariamente mais vantajoso", defendeu Nobre. No caso de patrocínios, por exemplo, a operação iria gerar um crédito tributário para as empresas parceiras do clube. Aí poderia ser feita uma negociação. Mas, no Flamengo, o estudo e análise já foram feitos por advogados tributaristas. E a conclusão é, sim, de aumento significativo da carga de impostos. Na visão da cúpula rubro-negra, o Ministério da Fazenda não estudou o impacto de suas decisões no sistema esportivo brasileiro, principalmente em modalidades olímpicas. Continua após a publicidade Enquanto isso, há uma perspectiva no clube de tentar reverter os vetos do governo na reforma tributária e, assim, reduzir os impostos dos próximos anos. Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Rodrigo Mattos por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Jabuti assusta suspeito de roubo baleado em tiroteio no Morumbi, em SP Bebê de 1 ano morre atacada por pitbull ao brincar em parquinho na Bahia Aposta de SP acerta Lotofácil e leva sozinha mais de R$ 1,8 milhão; confira Palmeiras oferece R$ 154 milhões por Arias e confia que baterá Fluminense Cão Orelha: Polícia pede internação de um adolescente e indicia 3 adultos