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Análise dos Times

Espanha

Principal

Motivo: Retratada como potência absoluta: 'principal seleção deste século', 'on fire', foco central da tese da espanholização

Viés da Menção (Score: 0.9)

Psg

Motivo: Elogiado como campeão europeu e mundial sob Luis Enrique; 'alcançou enfim o topo'

Viés da Menção (Score: 0.6)

Motivo: Exaltado como base do estilo espanhol, 'encanta' com Flick; berço de Guardiola e La Masia

Viés da Menção (Score: 0.5)

Motivo: Campeão invicto com Xabi Alonso; admiração pelo recorde de 49 jogos sem derrota

Viés da Menção (Score: 0.5)

Motivo: Citado como gigante dominante e referência de títulos ('o Real de Zidane'); tom elogioso

Viés da Menção (Score: 0.4)

Motivo: Descrito como muito acima da concorrência nacional, exemplo brasileiro de dominância

Viés da Menção (Score: 0.3)

Motivo: Citado com o Flamengo como dominante no futebol brasileiro; tom factual elogioso

Viés da Menção (Score: 0.3)

Motivo: Espanha descrita como 'kriptonita' dos franceses, que 'sofrem' diante dela

Viés da Menção (Score: -0.1)

Motivo: Derrotada em casa pela Espanha; dilema de imitar o estilo adversário; tom de frustração

Viés da Menção (Score: -0.2)

Motivo: Seleção 'pena' e fora das últimas três Copas; crítica ao conservadorismo tático

Viés da Menção (Score: -0.4)

Palavras-Chave

Entidades Principais

Flamengo Hansi Flick Barcelona Holanda Palmeiras Real Madrid Premier League Copa do Mundo PSG Luis Enrique Xabi Alonso Bayer Leverkusen França Inglaterra Mikel Arteta Champions League Anthony Gordon Alemanha Guardiola Itália Bundesliga Fabian Ruiz Xavi Espanha Unai Emery Nations League Zidane Cesc Fabregas Roberto Martinez

Conteúdo Original

Ficou popular no Brasil o termo “espanholização” para definir o momento atual do nosso futebol, com Flamengo e Palmeiras muito acima da concorrência e disputando ano após ano os principais títulos (lembrando assim o que acontece com Real Madrid e Barcelona na Espanha). Só que a última Copa do Mundo e esta gorda Data Fifa que destaca a Nations League aponta para uma espanholização muito mais dominante e singular. O sucesso histórico da seleção espanhola, que chegou ao recorde de 40 partidas sem perder, respinga em várias das principais escolas mundo afora. A minha querida Holanda , por exemplo, recorreu a Xavi como treinador. Isso depois de o Ajax , principal clube holandês e pilar ao longo dos tempos da seleção laranja (até no tradicional esquema 4-3-3), ter contratado Míchel, outro espanhol para assumir a comissão técnica. A pátria de Rinus Michels ajudou a desenvolver o futebol espanhol, sobretudo o Barcelona , e agora parece só enxergar saída e perspectiva de melhora trazendo espanhóis que resgatem o futebol total da Holanda (o sonho maior era Guardiola mesmo). Os primeiros jogos de Xavi têm despertado certo otimismo, pois, além da invencibilidade após três partidas na Uefa Nations League , o futebol tem sido mais agradável, com aquele DNA ofensivo característico dos holandeses. Mas vamos para a Inglaterra , derrotada em casa pela Espanha em uma das melhores partidas desta Nations League, um duelo que deveria ter sido para muita gente a final da Copa do Mundo na América do Norte. “Sinto que estamos tentando imitar a Espanha. Sei que temos jogadores no mesmo nível de qualidade, mas os atributos são diferentes. Por que queremos que os jogadores ingleses sejam iguais aos espanhóis? Os espanhóis também não têm algumas coisas que nós temos e vice-versa. Às vezes, vejo decisões que os jogadores espanhóis tomam com bola e penso: ‘Não sei como é que viram aquilo’. É a forma de ser e estar deles. Não sei o que é, talvez nunca consiga definir. São diferentes, não há dúvida” desabafou Anthony Gordon, um dos tantos talentos ingleses que se renderam ao domínio espanhol, embora conteste essa cobrança para que sua seleção historicamente tão objetiva se transforme em simulacro da Espanha. Guardiola saiu da Premier League deixando legado tão forte que o badalado campeonato inglês tem um de seus discípulos (Mikel Arteta) como técnico campeão vigente e sério candidato ao bicampeonato. Na esteira dessa recente influência espanhola, o Liverpool foi buscar no mercado Andoni Iraola, o Chelsea investiu em Xabi Alonso, e o Aston Villa já vinha muito feliz e satisfeito com o copero Unai Emery. A Espanha está on fire! Sigamos então para a França . A seleção com mais talento individual no planeta na atualidade tem sofrido basicamente com a Espanha, uma espécie de “kriptonita” para os franceses. A mudança de Deschamps para Zidane aponta para um time ainda mais vistoso, mais solto, lembrando que o ex-craque francês têm em sua medula o gigante espanhol Real Madrid, onde brilhou como jogador e treinador. O futebol francês tem circulado em torno do Paris Saint-Germain , campeão europeu e mundial sob o comando de um espanhol: Luis Enrique. Por mais que tenha defendido tanto Real Madrid quanto Barcelona, o técnico do PSG, sempre com personalidade forte, pende mais para o estilo da Catalunha (o Cruyffismo), com muita troca de passes, uma marca, por exemplo, do meio-campista Fabián Ruiz, multicampeão com a Espanha e com o poderoso clube francês. Quase todos os treinadores espanhóis que dominam de alguma forma o cenário do futebol mundial pautam seu jogo na posse de bola e no chamado jogo posicional, com triangulações que abrem espaços na defesa adversária. Por mais que tivesse um monte de estrelas nos últimos anos e profissionais de alto nível de diversas nacionalidades, foi na mão de um comandante espanhol que o bilionário time da capital francesa alcançou enfim o topo. A pressão para recuperar logo a bola do adversário, outra característica desse tipo de jogo dominante, consagrou até um novo lance no futebol, algo que o PSG faz sistematicamente: chutar a bola para a linha lateral no começo das partidas e adiantar o time para tentar já recuperar a mesma no campo de ataque depois. Na Alemanha, a última grande novidade no futebol foi o Bayer Leverkusen de Xabi Alonso, campeão da Bundesliga e da Copa da Alemanha (levou a Copa da Alemanha depois) em 2024. O técnico espanhol ganhou o prêmio de melhor do mundo nessa temporada não apenas pelos resultados, mas também pelo grande impacto que causou no futebol alemão e europeu, estabelecendo um recorde de 49 partidas sem derrota, levando seu time para a final da Europa League , quando caiu surpreendentemente para a Atalanta . O Bayer Leverkusen curtiu tanto o estilo espanhol que tem hoje no comando o técnico Carles Martínez Novell. A escola alemã de treinadores ainda é muito respeitada e domina a Bundesliga, mas quem treina o colossal Bayern de Munique é o belga Vincent Kompany, ex-zagueiro do Manchester City que bebeu muito na fonte de Guardiola, sendo outro de seus discípulos. Curiosamente, há uma conexão forte hoje entre o futebol espanhol e o alemão. O treinador do Barcelona, que tanto tem encantado nos últimos tempos, é o alemão Hansi Flick, cujo estilo se encaixa com o da Espanha. Na Itália, outra pátria formadora de técnicos de ponta para o futebol mundial, quem brilha é o espanhol Cesc Fàbregas, que revoluciona com o humilde Como , sensação do calcio desde a temporada passada. Formado em La Masia, a famosa categoria de base do Barcelona , o ex-meio-campista de fino trato com a bola teve passagem marcante pelo Arsenal , que começou a jogar muito nesse estilo vistoso com Arsène Wenger. Se a Azzurra pena com sua seleção, fora das últimas três Copas, um renascimento pode vir na mão de ideias estrangeiras (no épico filme “Gladiador”, o general romano Máximo Décimo Merídio era o “Espanhol”). A Itália sempre curtiu uma sólida defesa e um bom contra-ataque, mas talvez seja a hora de mudar os conceitos e se adequar à modernidade, ao tipo de jogo que têm feito a diferença no futebol em clubes e em seleções. Roberto Martínez talvez não seja melhor que Roberto Mancini, mas ele treinou as boas equipes de Bélgica e Portugal em Copa do Mundo e teve resultados. Em 2018, eliminou o Brasil de Tite e conduziu os belgas à semifinal, o máximo que conseguiram na história. Neste ano, com a seleção de Cristiano Ronaldo , caiu justamente diante de seu país, a Espanha, que seria campeã. No entanto, ele conquistou o título da Nations League com a equipe lusitana em 2025 e posa como mais um técnico espanhol dos mais influentes nos últimos anos. A Espanha é indiscutivelmente a principal seleção de futebol deste século, tendo conquistado no período duas Copas do Mundo (2010 e 2026), três Eurocopas (2008, 2012 e 2024) e uma Nations League (2023, sendo vice em outras duas edições). Em termos de clubes, a Espanha também reina soberana neste século, sendo o país com mais títulos da Champions League (11 no período) e da Liga Europa (12 neste século), com times dominantes pelo tipo de jogo, como o Barça de Guardiola e o Real de Zidane, sem falar no Sevilla , Mister Europa League. Tem sobrado pouca coisa no futebol para quem não tem se espanholizado. Hasta cuándo?