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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Os dez livros que mais me impactaram em 2025 Milly Lacombe Colunista do UOL 25/12/2025 13h12 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Livraria de Richard Booth Imagem: Richard Collett/BBC Reduzi a dez a lista dos livros que mais me impactaram nesse ano que chega ao fim. É sempre uma classificação cruel fazer esses cortes porque a tendência é que aqueles livros lidos por último estejam mais fortes no sentimento. Mas tentei ser justa às sensações que livros me causaram nos últimos 12 meses ainda que seja certo que cometi injustiças e deixei de fora obras importantes. Vamos a eles. Sakamoto Bolsonaro atiça guerra entre Flávio e Michelle Josias de Souza Cirurgia de Bolsonaro vira palanque de projeto familiar Anna Virginia Balloussier Tainara ia ser feliz de novo; agora é hora de justiça Daniela Lima Silêncio de Fachin sobre Moraes alarma STF 1. "As Fúrias Invisíveis do Coração", de John Boyne. É um livro de ficção que conta a história de uma garota irlandesa que engravida ainda adolescente e é expulsa do vilarejo onde mora, tendo que morar em Dublin em condições longe de ideais. Começa nos anos 50 e vem até os dias de hoje, acompanhando a vida dela e do filho que ela pariu e entregou para adoção. Boyne, escritor gay irlandês, escreve de forma sublime e captura nossa atenção até o ponto final. Li também seu novo livro ("The Elements"), mas esse ainda não foi traduzido para o português. Achei até melhor do que "As Fúrias Invisíveis do Coração". Boyne é autor do best-seller "O Menino do Pijama Listrado". 2. "A Esquerda Que Não Teme Dizer seu Nome", de Vladimir Safatle. O livro de não ficção é na verdade a versão completa do livro que Safatle lançou há dez anos, com o mesmo título. Atual e lúcido, como tudo o que o professor de filosofia da USP escreve, "A Esquerda Que Não Teme Dizer Seu Nome" explica como viemos parar aqui e aponta o refletor para um campo político que de fato morreu: o de uma esquerda radical e comprometida com igualdade e soberania popular. Para quem quer entender o Brasil e o pêndulo político que teima em balançar do centro para a extrema direita e acredita que esse balanço cobre todo o escopo político que existe. 3. "Desafio Poliamoroso", de Brigitte Vassalo. Comecei a ler esse no ano passado e só acabei em 2025. A demora se deu porque trata-se de um livro para ser estudado mais do que lido. Anotar, reler, marcar. Um vai e vem que levou muitos meses. É uma obra de não ficção que trata da centralidade da monogamia em nossas vidas e de como o regime monogâmico, compulsório, afeta a vida das mulheres de formas brutais. 4. "O Pensamento Hétero", de Monique Wittig. Também uma não ficção e obra clássica da teoria feminista que li com imenso atraso. O pensamento de Wittig é matriz para teorias quer fundamentais nos dias de hoje, como a de Paul Preciado e Judith Butler. Wittig, feminista francesa que morreu em 2003, aborda a heterossexualidade como fator de aprisionamento de mulheres e base do regime binário da diferença sexual. 5. "Uma Teoria Feminista da Violência", de Françoise Vergès. Também não ficção, o livro de uma das mais importantes teóricas do feminismo, trata das formas pelas quais a prática da não violência deve ser analisada sob múltiplos ângulos e abordar o ideal de uma sociedade sem conflitos que tenha sido capaz de não mais naturaliza formas simbólicas e igualmente devastadoras de violência. Vergès fala de colonialismo e do papel do Estado como agressor. Feminista decolonial, a autora francesa é voz incontornável no debate político atual. 6. "Baldwin", de Nicholas Boggs. É a biografia do grande pensador estadunidense James Baldwin, que morreu em 1987. Escrito com extremo cuidado e repleto de detalhes ainda não conhecidos sobre a vida do escritor, a biografia é totalmente viciante. Ainda não acabei de ler, mas certamente terminarei antes do fim do ano. Infelizmente, só temos versões na língua inglesa porque ele acabou de ser lançado. Certamente chegará às nossas livrarias em pouco tempo. Continua após a publicidade 7. "A Culpa é do Diabo", de Carolina Rocha. Um livro que me deixou sem fôlego. Carolina Rocha é professora-doutora, historiadora e socióloga. Conhecida como Dandara Suburbana, reuniu nessa obra material de sua pesquisa de campo que trata do racismo religioso no Brasil. "Na sociedade brasileira do período colonial até os dias de hoje o Diabo tem cor, gênero e classe social; é um homem preto, seja ele o temido "traficante", desumanizado nas mídias e nos discursos públicos, seja Exu, considerado o próprio Diabo e representado pelas lideranças de terreiro". Simplesmente leiam. 8. "A Esperança a Gente Planta", de Alexandre Coimbra Amaral. Deixo aqui a dica desse livro porque o ano de 2026 vai pedir que sejamos esperançosos. O psicanalista Alexandre Coimbra Amaral ensina como plantar a esperança para que ela nunca saia de perto da gente. Um livro delicioso que faz as vezes de uma amiga ou de um amigo pegando a gente pela mão e nos ajudando a seguir. Deixem ao lado da cama durante todo o ano que vem, um ano que promete ser conturbado do começo ao fim. 9. "Ejaculação Responsável", de Gabrielle Blair. Uma obra absolutamente transgressora que tira o foco do corpo da mulher e o joga para o corpo do homem para falar de direitos reprodutivos, aborto, gravidez indesejada e emancipação feminina. É para alargar nossa compreensão sobre o tema e para revelar como nosso pensamento é capturado desde muito cedo por modelos de pensamento que nos aprisionam e limitam. 10. "Eva", de Cat Bohannon. Um livro para causar assombro e revolta e que reescreve a história da evolução colocando as mulheres no centro. Uma correção tardia e urgente da história vigente que se tomou o corpo masculino cisgênero como base para todo tipo de estudo, de pesquisa, de reflexão e de análise. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. 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