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Só para assinantes Assine UOL Reportagem Esporte Supremo da Espanha confirma absolvição de Neymar e cartolas do Barcelona Thiago Arantes Colunista do UOL, em Barcelona 22/04/2026 11h14 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Neymar com o então presidente do Barcelona, Sandro Rosell, em 2013 Imagem: ALBERT GEA / REUTERS O Tribunal Supremo, última instância da Justiça na Espanha, encerrou nesta quarta-feira, 22, de forma definitiva, o chamado "Caso Neymar". O Supremo confirmou a absolvição de Neymar da Silva Santos Júnior, de seus representantes e de ex-dirigentes do Barcelona das acusações por corrupção entre particulares e fraude. A decisão põe fim a um processo que se estendeu por mais de uma década, desde os primeiros contratos até o julgamento final na mais alta instância da Justiça espanhola. A origem do caso remonta a 2009, quando Neymar ainda atuava pelo Santos. Naquele ano, a empresa DIS adquiriu 40% dos direitos econômicos do jogador, pagando R$ 5 milhões. Esse tipo de acordo garantia participação em uma futura transferência, mas não dava à empresa controle sobre o vínculo esportivo do atleta. José Fucs 'Bullying' da toga, governo: o arbítrio se institucionaliza Aline Sordili Brasileiro troca promessa de lucro pelos boletos Mônica Bergamo Evangélicos se mobilizam por Messias no STF Narrativas em Disputa Trump, o papa e a dissonância cristã Em novembro de 2011, o Barcelona firmou um acordo com o jogador para assegurar preferência na sua contratação futura, caso ele ficasse livre no mercado. Esse contrato previa o pagamento de cerca de 40 milhões de euros e tratava de direitos futuros. Em 2013, porém, o clube catalão decidiu antecipar a contratação e negociou diretamente com o Santos, formalizando a transferência por 17,1 milhões de euros. A DIS recebeu 40% desse valor — 6,84 milhões de euros — conforme previsto. A partir daí começou a disputa judicial. A DIS alegou que o pagamento feito em 2011 deveria ser considerado parte do custo total da transferência e que teria havido uma estrutura para reduzir artificialmente o valor sobre o qual ela tinha direito. Com base nisso, apresentou acusação por corrupção entre particulares e fraude. O processo avançou com a fase de instrução, incluindo análise documental e depoimentos de dirigentes, intermediários e integrantes do departamento esportivo do Barcelona. Em meio à polêmica gerada pelo caso, o então presidente do Barcelona, Sandro Rosell, renunciou ao cargo, em janeiro de 2014. Neymar pai, Neymar Jr. e dirigentes do Barcelona prestaram depoimento em Madri, em fevereiro daquele mesmo ano. Em seu depoimento, cujos áudios foram revelados pela primeira vez no podcast Neymar, do UOL , o jogador afirmou que "apenas assinava" os contratos que seu pai e seus empresários enviavam. Continua após a publicidade Em 2022, a Audiência Provincial de Barcelona julgou o caso e absolveu todos os acusados, entendendo que não havia prova de fraude nem de simulação contratual. A empresa recorreu ao Supremo, que revisou o enquadramento jurídico dos fatos. A decisão final, que o UOL teve acesso, é estruturada em 25 pontos que detalham o raciocínio dos magistrados. Entre os principais, o tribunal destacou que: A DIS possuía apenas direitos econômicos, e não os direitos federativos do jogador, que são os que permitem a transferência entre clubes O pagamento de 40 milhões de euros em 2011 correspondia a um acordo legítimo sobre direitos futuros, e não a parte oculta da transferência; Não houve prova de intenção fraudulenta (dolo) na celebração dos contratos; E a DIS recebeu integralmente o que lhe cabia quando a transferência foi efetivamente realizada em 2013.; Continua após a publicidade Na decisão publicada nesta quarta-feira, o Supremo confirmou integralmente a absolvição. Também ressaltou que eventuais discussões sobre a regularidade dessas negociações pertencem ao âmbito do direito desportivo, e não ao penal, e que não se pode transformar divergências contratuais em crime, sem que haja provas claras de fraude. Com isso, após um percurso que passou por contratos assinados entre 2009 e 2011, transferência em 2013, anos de investigação, depoimentos em Madri e julgamento em Barcelona, o caso é encerrado de forma definitiva. A Justiça espanhola concluiu que não houve corrupção, nem fraude, nem simulação contratual na operação que levou Neymar ao Barcelona. Reportagem Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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