Conteúdo Original
Athletico e Coritiba tem intervalo de preparação na Série A A presidente do Coritiba , Marianna Libano, criticou a relação entre a Associação e a SAF que administra o futebol. Em entrevista à Rádio TMC Curitiba , ela afirmou que há falta de diálogo, desrespeito institucional e problemas estruturais no contrato firmado durante a venda do clube para a Treecorp Investimentos, em 2023. 🗞️ Leia mais notícias sobre o Coritiba ✅ Clique aqui e siga o canal ge Coritiba no WhatsApp Segundo Marianna, a Associação — que detém 10% da SAF — tenta colaborar com o projeto, mas encontra resistência para participar das decisões, em especial por parte do CEO Lucas de Paula. — Nós somos sócios do negócio e queremos que dê certo. Mas muitas vezes não somos ouvidos, e isso gera um desrespeito institucional — afirmou. — A gente se coloca à disposição de colaborar. As nossas sugestões fazem sentido e não são nada fora do que o Coritiba possa alcançar. Não nos escutam. Quando você não escuta, você desrespeita uma legião de torcedores e uma instituição centenária — completou. 1 de 3
Marianna Libano, presidente do Coritiba — Foto: Everton Franco/RPC Marianna Libano, presidente do Coritiba — Foto: Everton Franco/RPC A presidente afirmou ainda que a SAF foi notificada formalmente após, segundo ela, descumprir normas de governança estabelecidas entre as partes. De acordo com Marianna, a notificação foi motivada por atitudes do CEO que teriam ultrapassado limites previstos em contrato e no acordo de acionistas. — Quando um CEO não senta com a presidente, que é a responsável na cadeia de governança, e vai direto conversar com o presidente do Conselho Deliberativo e com o presidente do Conselho Consultivo, ele está pulando essa cadeia. Isso ultrapassa limites e interfere em outra empresa, que é a Associação — falou Marianna. — Se você não senta com a presidente, mas senta com os outros dois, qual recado está querendo passar? Além do desrespeito institucional, isso infringe o acordo de acionistas e o contrato de aquisição, porque lá está definido quem é o responsável pela comunicação entre as partes. A ideia sempre foi somar forças. Quando há resistência do outro lado, fica difícil seguir por esse caminho — concluiu. Procurado pelo ge , a SAF do Coritiba afirmou que não irá se manifestar diante das críticas da presidente do clube. Exclusivo: CEO do Coritiba quer time forte na Série A de 2026 Protestos da torcida Na última sexta-feira, os torcedores do Coritiba protestaram contra a SAF e principalmente pedindo as saídas do CEO Lucas de Paula e do Head Esportivo William Thomas. Marianna disse compreender as recentes manifestações, afirmando que a insatisfação nasce da expectativa criada quando o clube foi vendido para investidores. — Nós tentamos de todas as formas para que esse projeto decole e que funcione, que o Coritiba decole e seja grande novamente. Quando houve essa onda de protestos iniciada na semana passada pelos torcedores, a gente vê com legitimidade essas cobranças da torcida — apontou. De acordo com Marianna, a ideia transmitida aos torcedores era de que o Coritiba mudaria de patamar esportivo e financeiro. — Quando lá atrás se foi vendido o Coritiba , a ideia que foi passada era que o Coritiba mudaria de patamar, né? Eu acho que isso foi o que ficou mais claro para a torcida. 'A gente vai virar SAF, e o Coritiba vai mudar de patamar. O Coritiba vai ser um clube com outros níveis de contratação, outros níveis de investimento'. E quando a gente olha para o contrato que foi feito, a gente tem uma discrepância muito grande com aquela ideia que foi vendida e o contrato que foi estabelecido — disse. 2 de 3
SAF de Mendigo: torcida do Coritiba protesta com faixa no Couto Pereira — Foto: Reprodução/Instagram SAF de Mendigo: torcida do Coritiba protesta com faixa no Couto Pereira — Foto: Reprodução/Instagram Participação limitada nas decisões Pelo contrato da SAF, a associação tem direito a uma cadeira no Conselho de Administração. Marianna ocupa essa posição atualmente. Além disso, a Associação solicitou participação no comitê de futebol do clube. A presidente afirma, porém, que o espaço teve pouca efetividade. Segundo ela, o representante indicado pela Associação deixou o cargo após perceber que não participava das decisões estratégicas. — Eu vejo que esse desrespeito vem muito ligado ao quanto de cobrança a Associação faz. Quando a gente cobra demais, a gente tem muitas portas fechadas. E isso para mim, pelo menos, não é postura de gestor que deve estar à frente do Coritiba — pontuou. — O Coritiba merece muito mais. O Coritiba merece um debate sério. Um debate com ideias, um debate com motivos, com razões, e não simplesmente birra de pessoa grande, sabe? — questionou a presidente. Marianna, Leila e Michelle são raras mulheres no comando do futebol brasileiro Apesar das críticas, Marianna reconhece que a SAF cumpre formalmente as obrigações previstas no contrato, sendo a principal delas o pagamento da Recuperação Judicial. Ainda assim, ela considera que o acordo foi mal estruturado e favoreceu os investidores. — O nosso questionamento sempre foi com a forma que esse contrato foi feito e o quanto esse contrato foi prejudicial ao Coritiba . Porque ele foi um contrato que protegeu apenas a Treecorp — falou. O investimento mínimo estipulado para o futebol — cerca de R$ 120 milhões — já era considerado baixo no momento da assinatura, segundo a dirigente. — Hoje o futebol inflacionou demais, mas na época quando se fez o contrato o valor mínimo de investimento no futebol de R$ 120 milhões para uma Série A já era pouco. Era um valor já de times medianos. E imagine para hoje que a houve ainda mais inflacionamento no mercado de futebol? Nós temos legitimidade para falar que não se pensou no Coritiba quando foi feito esse contrato — avaliou. 3 de 3
Lucas de Paula, CEO do Coritiba — Foto: Everton Franco/RPC Lucas de Paula, CEO do Coritiba — Foto: Everton Franco/RPC Em junho de 2023, o Coritiba concretizou a venda de 90% da SAF à Treecorp Investimentos por R$ 1,1 bilhão em um período de 10 anos. Os outros 10% ficam sob responsabilidade da Associação. Na época, os principais pontos acordados era a quitação total da dívida do clube, em torno de R$ 270 milhões, construção de um novo centro de treinamentos em Campina Grande do Sul, com investimento de R$ 100 milhões. Mais R$ 450 milhões para operação (ao longo de 10 anos, de modo a garantir o investimento mínimo no futebol por ano). Reforma e modernização do estádio Couto Pereira, com R$ 500 milhões previstos. 50 vídeos