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Análise dos Times

Portuguesa

Principal

Motivo: O artigo foca na evolução da Portuguesa, destacando pontos positivos como a postura e garra, embora também aponte deficiências. O tom é de análise crítica com esperança de melhora.

Viés da Menção (Score: 0.6)

Motivo: O Água Santa é mencionado principalmente como adversário da Portuguesa, com foco no placar e em poucas oportunidades criadas pelo time.

Viés da Menção (Score: 0.0)

Palavras-Chave

Entidades Principais

Portuguesa Série D Thiaguinho Água Santa Fábio Matias Alex Bourgeois Igor Torres Maceió Ademir Fesan Cecchini Botteghin Cadorini João Diogo

Conteúdo Original

Água Santa 0 x 1 Portuguesa l Gols l 4ª rodada l Campeonato Brasileiro Série D 2026 A grande notícia da vitória da Portuguesa sobre o Água Santa por 1 a 0, em Diadema, pela quarta rodada da Série D, foi a mudança de postura em relação à rodada anterior. Um time ligado, focado, aguerrido, brigador, para o qual não havia bola perdida. Um contraste evidente com outro fim de semana, em que a Lusa entregou um empate por 1 a 1 ao America-RJ, também fora de casa, principalmente por adotar um ritmo, uma concentração e um comportamento desconexos com o jogo e a divisão. Ficou escancarado o quanto o descontentamento não se restringiu à torcida. Os próprios personagens rubro-verdes deixaram isso claro nas reações. Entre eles, a direção da SAF, a comissão técnica e os próprios jogadores. O que não deixa de ser positivo. Quanto à SAF, basta ler a publicação do presidente Alex Bourgeois nas redes sociais após a vitória na Arena Inamar. Um recado para dentro: “o que fica não é o placar”, “é a garra”, “a entrega de cada um”, “o grupo sabe carregar esse peso”. Quanto à comissão técnica e ao elenco, basta assistir ao vídeo com os bastidores do jogo publicado pela Lusa TV e prestar atenção nas falas no vestiário minutos antes da partida, sobretudo à fala do volante Thiaguinho para os companheiros de elenco. O gol que deu a vitória à Portuguesa, aliás, é um retrato disso. Em um jogo amarrado e de poucas oportunidades como era aquele do primeiro tempo, saiu de um escanteio pela esquerda cobrado por Maceió. Botteghin escorou de cabeça e começou um bate-rebate. Naquela bagunça entre a marca do pênalti e a linha da pequena área, Cecchini conseguiu acertar o chute e mandar a bola para o fundo das redes. Um gol típico de Série D. Suado, chorado, renhido. Gol de quem... Está ligado, briga, acredita. 1 de 3 Jogadores da Portuguesa comemoram gol contra o Água Santa — Foto: Victor Bessa/Portuguesa SAF Jogadores da Portuguesa comemoram gol contra o Água Santa — Foto: Victor Bessa/Portuguesa SAF Outro reflexo dessa postura aguerrida, claro, foi a forma como a Lusa lidou com a vantagem no placar no segundo tempo. Salvo raras exceções mais ligadas à limitação técnica do que qualquer outra coisa, deu pouco espaço e lutou a cada dividida. E mais: pela primeira vez no ano, o time esboçou uma tentativa de cera. Cozinhar o galo, amarrar o jogo, fazer o ponteiro girar sem a bola rolar. Alguns podem não gostar, mas a realidade de escassez da Série D pede. Ganha-se, classifica-se e sobe-se assim. A Portuguesa, na atual temporada mesmo, no próprio Paulistão, poderia ter ido mais longe se soubesse fazer isso. Não quer dizer que está resolvido. Ou que só isso basta. Mas é um primeiro sinal de algo que precisa acontecer nesses contextos. 2 de 3 Água Santa x Portuguesa — Foto: Victor Bessa/Portuguesa SAF Água Santa x Portuguesa — Foto: Victor Bessa/Portuguesa SAF Esses são os pontos positivos, ou seja, a boa notícia. No entanto, esse confronto diante do Água Santa ainda expôs sérias dificuldades que demandarão muito, mas muito trabalho por parte da comissão técnica liderada por Ademir Fesan. Sobretudo no primeiro tempo, a Lusa demonstrou uma dificuldade enorme em construir algo. Na verdade, praticamente não construiu nada. O gol, saído de um escanteio, foi a primeira finalização em direção à meta na partida. Em mais de meia-hora. Sim, o Água Santa não havia feito grande coisa também. Mas havia chegado com certo perigo em pelo menos duas oportunidades: um vacilo de Botteghin pela direita e um chute da intermediária que Bertinato rebateu e Biazus livrou no desespero. Aqui não há qualquer desejo de jogo bonito ou vistoso. Longe disso. Isso, aliás, pouco importa em uma Série D. O foco aqui é na competitividade mesmo. A necessidade de construir, criar, levar perigo. Virão adversários melhores e contextos bem piores. O meio-campo está longe de ser o ideal. Portuga é cada vez mais vital. Seja do ponto de vista defensivo, quando ajuda a proteger e desafogar a dupla de zaga, seja em relação à transição ofensiva, quando carrega a bola e dá um passe de rara qualidade técnica. Os combatentes ao lado dele parecem ainda estar sendo testados por Fesan. Normal. O técnico chegou há pouco e está entendendo o que tem a disposição. Thiaguinho, por óbvio, será titular. Mostra ter rara liderança e vibração no elenco, até por isso ganhou a tarja de capitão nessa partida, mas na bola ainda vem deixando muito a desejar. Desta vez, pelas ausências de Hudson (gripe) e Denis (lesão muscular), o outro no meio foi Cecchini. Acabou ganhando destaque pelo gol e pelo empenho. Mas, cá entre nós, ainda falta bastante para poder ser considerado nome para a posição. Bem contestável. E isso faz com que o ataque sofra. Depende demais de ligações diretas, bolas longas, tentativas de fundo com Igor Torres e Maceió. Um não é um primor em qualidade técnica, mas briga bastante. O outro ainda não havia estreado de fato na Série D. Maceió ainda precisa assumir o protagonismo que a ele cabe. Neste jogo, parece ter despertado só após cobrar o escanteio que, no fim, resultou em gol. Ainda assim, aquele despertar com sonolência, em marcha lenta. Só que, claro, houve ali um alento. Esse protagonismo é crucial para essa Lusa. Até porque é um time que, com Fesan, joga de modo a que Cadorini seja abastecido na frente. Um centroavante, como a própria divisão dita, sem um grande primor técnico, mas de muita disputa e sede por gol. São, em suma, as dificuldades que destacamos que Fesan teria desde quando chegou. Dificuldades que o próprio antecessor dele, Fábio Matias, começava a enfrentar após as saídas das peças que foram fundamentais para essa engrenagem funcionar no Paulistão. 3 de 3 João Diogo, atacante da Portuguesa, em partida contra o Água Santa — Foto: Victor Bessa/Portuguesa SAF João Diogo, atacante da Portuguesa, em partida contra o Água Santa — Foto: Victor Bessa/Portuguesa SAF Ademir Fesan, porém, nesse início, vai começando a imprimir a digital dele. Não é mais uma Portuguesa tão semelhante ao trabalho anterior. Por um lado, natural, até porque há dificuldades que antes não havia com as saídas. Por outro, ainda mais desafiador. É impossível prever as soluções. Mas parece bem evidente que o meio-campo capaz de subir para a Série C não é esse. Assim como ainda fica uma incógnita para o período de ausência de Gustavo Henrique no miolo de zaga, recuperando-se de lesão. Será mesmo Botteghin, de origem na posição, ou será Carlos Lima, deslocando o colega Biazus? Respostas que virão com o tempo e com as rodadas desta primeira fase. Sem descartar, principalmente no meio-campo, a possibilidade de se precisar contratar. Já é uma conclusão praticamente unânime entre a torcida e quem acompanha. A ver. Por fim, sobre os alertas desse jogo, algo que ainda não mudou: a incapacidade de a Lusa matar o jogo. No segundo tempo, em que o Água Santa se abriu para correr atrás do placar, a equipe rubro-verde passou a ter espaço para contra-ataques. Não conseguiu, porém, aproveitar. E aqui nem vale citar os dois chutes de fora da área de Portuga, um deles acertando a trave, ainda na primeira etapa. Poderiam ter entrado. Foram um pecado. Resolveriam tudo no primeiro tempo. Mas, dali, não era óbvio. Agora, na etapa final, foram pelo menos quatro oportunidades. Ainda no começo, após descida puxada por Portuga, Igor Torres teve a chance e desperdiçou. Mais adiante, depois das primeiras substituições, Sciencia serviu perfeitamente João Diogo, que falhou na finalização. Cadorini, no rebote, em vez de chutar, tentou passar. Já na reta final, após rara jogada de fundo de Maceió pela direita, Cadorini se viu livre na área, na cara do gol, com a bola nos pés. Chutou alto, por cima, na arquibancada visitante, na Leões da Fabulosa. E houve ainda mais duas descidas em que João Diogo desperdiçou. Em uma delas, sendo fominha. Era só passar para Maceió. João Diogo, aliás, mais uma vez entra no segundo tempo e não vai bem. Sim, ele é brigador. Mostra ter bastante vontade. Só que vai empilhando chances claras de gol desperdiçadas. Essa em que não passou talvez tenha sido reflexo da ofensa que recebeu de um adversário minutos antes, fazendo alusão à acusação de importunação sexual a que respondeu anos atrás. A sede por calar os críticos talvez esteja atrapalhando mais. Enfim, a Portuguesa fez o que se espera em uma Série D: resultado. Evoluiu na postura, mas ainda tem muito trabalho pela frente. Não para ganhar bonito. Mas para encarar adversários mais qualificados. É uma preparação para o mata-mata. Em frente. *Luiz Nascimento, 33, é jornalista da rádio CBN, documentarista do Acervo da Bola e escreve sobre a Portuguesa há 16 anos, sendo a maior parte deles no ge. As opiniões aqui contidas não necessariamente refletem as do site.