Conteúdo Original
Opinião Esporte Quando o Estado entra em campo, o esporte já perdeu o jogo Andrei Kampff Colunista do UOL 02/01/2026 10h11 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia O governo do Gabão anunciou a suspensão da seleção nacional, a demissão do treinador e o afastamento de Pierre-Emerick Aubameyang do elenco após três derrotas na Copa Africana de Nações. A recente intervenção do governo do Gabão na sua federação de futebol não é apenas mais um episódio exótico do futebol africano. Ela é um alerta global sobre o que acontece quando o esporte falha em se proteger por dentro. Ao afastar dirigentes - e atletas - e impor uma gestão provisória na Federação Gabonesa de Futebol , o Estado cruzou uma linha que o sistema esportivo internacional considera inegociável: a da autonomia das entidades esportivas . Não por acaso, o caso imediatamente entrou no radar da FIFA e da Confederação Africana de Futebol . O discurso oficial é conhecido: má gestão, conflitos internos, denúncias, paralisia institucional. Parece ser um caminho necessário0, mas o problema é o método. No futebol global, o Estado não pode substituir dirigentes, dissolver federações ou comandar diretamente a administração , mesmo quando há falhas graves. A sanção é quase automática: suspensão, isolamento esportivo, punição coletiva a clubes e atletas. Sakamoto Clã Bolsonaro faz plot twist oportunista e ruim de doer Casagrande Neymar e Gabriel juntos é aposta arriscada do Santos Demétrio Magnoli Difamadores de Malu são militantes políticos Mariliz Pereira Jorge A pauta do feminismo em 2026 será o homem É o que se chama de princípio da autonomia esportiva, um dos pilares do movimento esportivo global. As regras do esporte são claras. Federações nacionais devem ser independentes de governos , livres de interferência política direta na sua administração, eleições e decisões internas. Essa exigência não é retórica: ela é condição para filiação ao sistema internacional do futebol. Por isso, a gravidade do episódio não está apenas no gesto político, mas nas consequências esportivas possíveis . A ingerência estatal costuma levar a sanções severas: suspensão da federação, exclusão de competições internacionais, bloqueio de repasses financeiros, paralisação de programas de desenvolvimento e isolamento institucional. Na prática, clubes e seleção ficam impedidos de competir e quem paga a conta são atletas, funcionários, torcedores e o próprio futebol local . O caso concreto apresenta um diagnóstico plural. Esse é o paradoxo do direito desportivo contemporâneo. Quando o esporte não constrói mecanismos próprios e eficazes de governança, integridade e controle , ele abre espaço para que agentes externos - governos, tribunais, promotores - tentem ocupar esse vazio. O resultado costuma ser traumático. O caso do Gabão revela algo que o futebol insiste em ignorar: autonomia não é soberania absoluta . Ela é uma concessão condicionada. O sistema esportivo internacional protege a independência das federações, mas exige, em troca, governança mínima, transparência e capacidade de autorregulação . Quando isso não acontece, o discurso da autonomia vira apenas um escudo retórico para proteger más práticas. Continua após a publicidade É nesse ponto que a discussão deixa de ser africana e passa a ser universal, inclusive brasileira. Quantas federações e clubes ainda tratam compliance como custo? Quantas confundem autonomia com ausência de controle? Quantas só reagem quando o problema já virou crise pública? A intervenção estatal é sempre o sintoma , não a causa. Ela aparece quando o esporte falha em se proteger. Quando o esporte confunde autonomia com independência. Aí, perdem todos, federações, Estado, torcida. Perde o esporte. Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo Este conteúdo tem o patrocínio do Rei do Pitaco. Seja um rei, seja o Rei do Pitaco. Acesse: www.reidopitaco.com.br . Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Lei em Campo por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Solteiro, Zé Felipe muda visual e raspa a cabeça; veja Ventos de forte intensidade e chuva devem atingir SP no final de semana Myrian Rios defende ex-marido Roberto Carlos por críticas a vídeo em show 'Via pânico nos olhos de todos', diz sobrevivente de incêndio em bar suíço Pai de vítima da boate Kiss morre afogado no litoral do RJ no ano novo