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Futebol Corinthians corta 60% dos custos na base mesmo com 'segunda pandemia' Fábio Lázaro Do UOL, em São Paulo (SP) 17/10/2026 12h16 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Executivo das categorias de base do Corinthians, Erasmo Damiani concedeu entrevista ao UOL Imagem: Foto: Divulgação/Corinthians O Corinthians reduziu em 60% os custos com a folha salarial e a estrutura das categorias de base durante o primeiro ano da gestão de Erasmo Damiani à frente do departamento. A reestruturação envolveu cortes no número de atletas e funcionários, além de mudanças nos processos internos. Agora, com a etapa mais pesada concluída, o clube pretende concentrar esforços na formação dos jogadores. O trabalho, porém, começou em um cenário que o próprio Damiani define como uma espécie de "segunda pandemia", em entrevista exclusiva ao UOL . A Hora Arenão articula reforma eleitoral anti-Nikolas Juca Kfouri Corinthians fora da Z4 hoje, mas ainda tem o domingo Julián Fuks O fim da 6x1 e de sua morte diária, despercebida Paulo Camargo Senna não foi substituído. Você precisa ser O executivo assumiu a base em meio a um período sem competições relevantes para a formação dos atletas corintianos, provocado pela saída do Corinthians do Movimento de Clubes Formadores, depois de um impasse com o Palmeiras envolvendo a contratação do jovem Pedro Morelli. A base do Corinthians sofreu uma segunda pandemia. A diferença é que a primeira foi para todo mundo, enquanto essa segunda pandemia foi só para o Corinthians. Damiani, ao UOL Início com diagnóstico Damiani explicou que, quando chegou ao Corinthians, em outubro de 2025, dedicou as primeiras semanas a entender o funcionamento do departamento. O levantamento passou por atletas, funcionários, logística e diferentes setores da estrutura. Parte dos problemas relatados antes de sua chegada foi confirmada, enquanto outros se mostraram maiores do que o esperado. Quando cheguei, procurei entender o que realmente estava acontecendo. Conversei com todos os setores e percebi que precisávamos reorganizar a estrutura para tornar o departamento mais eficiente. Erasmo Damiani Os primeiros cortes ocorreram entre novembro e dezembro. A reorganização atingiu funções sobrepostas e categorias que mantinham mais jogadores do que o departamento considerava necessário. A ideia, segundo o executivo, era adequar a estrutura sem perder de vista o trabalho de formação. Continua após a publicidade Tínhamos pessoas desempenhando funções muito parecidas e precisávamos entender com quantos profissionais conseguiríamos executar o trabalho. Não foi um processo simples, mas era necessário estruturar o departamento. A redução do quadro de funcionários foi de aproximadamente 13%, segundo os números apresentados por Damiani. A economia chegou a 60% quando considerados os gastos com a folha salarial e as demais despesas relacionadas à base. Mais do que o salário Damiani ao lado do presidente Osmar Stabile Imagem: Divulgação/Corinthians Continua após a publicidade O tamanho dos elencos também entrou na conta. Uma das categorias chegou a reunir cerca de 60 jogadores, segundo o executivo. Damiani destaca que a despesa com um atleta não se resume ao salário ou à bolsa mensal. Quando se fala em atleta, as pessoas pensam apenas no salário ou na bolsa. Mas existe alimentação, transporte, lavanderia, uniforme, plano de saúde, suplementação, alojamento e uma série de despesas indiretas. Damiani, ao UOL As decisões sobre a permanência dos jogadores passaram a envolver as áreas de gestão, comissões técnicas, psicologia, nutrição e captação. Com isso, o clube passou a considerar tanto o potencial esportivo quanto as necessidades de desenvolvimento de cada atleta. O objetivo não é simplesmente reduzir números. É entender quais atletas têm potencial de evolução e qual o caminho mais adequado para cada um deles. Um ano e meio sem competições Corinthians em ação contra o Atlético-GO, pelo Brasileirão Feminino Imagem: Rodrigo Gazzanel Continua após a publicidade Além dos ajustes financeiros e estruturais, o Corinthians precisou lidar com os efeitos do período sem competições relevantes. Para Damiani, a falta de jogos de alto nível prejudicou o desenvolvimento dos jovens justamente em uma etapa importante da formação. Imagine os meninos ficando um ano e meio sem jogar e sem confrontar um nível alto. Houve uma perda no desenvolvimento. Enquanto isso, os demais clubes continuaram competindo e evoluindo. Erasmo Damiani O cenário também influenciou as expectativas esportivas para a temporada. No Campeonato Brasileiro Sub-17, por exemplo, a meta inicial era terminar a primeira fase entre os oito primeiros colocados e avançar de etapa. O Corinthians, porém, encerrou a fase na segunda posição. O objetivo era ficar entre os oito primeiros. Conseguimos terminar a primeira fase em segundo lugar, o que mostra a capacidade das comissões e dos profissionais que chegaram para o departamento. Continua após a publicidade O resultado superou a previsão estabelecida pelo departamento, segundo o executivo, em meio ao processo de reorganização e à retomada competitiva das categorias. Próxima etapa terá menos cortes A redução de despesas não deve se repetir na mesma proporção na próxima temporada. Damiani afirma que a fase mais intensa dos cortes ficou para trás e que os ajustes daqui em diante serão pontuais, de acordo com as necessidades de cada categoria. A fase mais pesada já passou. Agora é o momento de qualificar ainda mais o trabalho, melhorar os elencos, ampliar a captação e desenvolver os atletas que permaneceram conosco. Damiani A mudança de foco passa também pelo acompanhamento individual dos jogadores. Com grupos menores, a comissão técnica e os profissionais de apoio podem dedicar mais atenção ao desenvolvimento de cada atleta, além de estimular a disputa por espaço nas equipes. Quanto menos excesso você tem dentro da categoria, mais consegue trabalhar cada jogador. Esse passa a ser o foco principal da próxima etapa do projeto. Continua após a publicidade Depois de um ano marcado pela redução de custos e pela reorganização interna, o Corinthians pretende direcionar a base para a qualificação dos elencos, a busca por novos talentos e o desenvolvimento dos jogadores que permaneceram no clube. A intenção é avançar para uma etapa em que a estrutura enxuta sirva de base para o trabalho esportivo. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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