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Marcelo Gouvêa oficializou a candidatura à presidência do São Paulo em evento no bairro Cidade Jardim, zona sul da capital paulista, com a presença do Lance! . Representante da oposição, ele é até aqui o único nome formalizado para a eleição de dezembro. A Situação ainda não chegou a um consenso sobre quem apoiará no pleito. Sócios e conselheiros se organizaram em torno da chapa durante o evento. A chapa terá Eduardo Alfano como vice e Fábio Mariz como candidato à presidência do Conselho.
O Lance! teve acesso ao programa de governo apresentado no lançamento da candidatura. O documento estabelece três pilares para uma eventual gestão: reestruturação financeira, reforma administrativa e uma cultura de responsabilidade nas decisões do clube .
O primeiro eixo é a reestruturação financeira , com reorganização da dívida e maior controle das despesas. O segundo propõe uma reforma administrativa , com a substituição do modelo atual de gestão no Morumbi, na Barra Funda e em Cotia por uma diretoria executiva profissional, formada por profissionais de mercado, com metas e avaliações de desempenho.
O terceiro pilar é definido no documento como uma cultura inegociável de responsabilidade , segundo a qual cada decisão do clube deverá considerar seus impactos financeiros, esportivos e institucionais.
O programa estabelece que nenhuma decisão estrutural será tomada antes de uma auditoria . Os três primeiros meses seriam dedicados a auditorias financeira, fiscal, administrativa e de tecnologia, com atenção especial aos contratos de longo prazo e suas respectivas garantias.
O trabalho seria coordenado por um CEO contratado no mercado , com o auxílio de um profissional especializado em reestruturação. A função seria mapear os riscos da operação e conduzir a seleção dos demais executivos. Vale destacar que antes quem ocupava este cargo era Márcio Carlomagno, também envolvido em investigações na gestão Casares. O antigo CEO deixou o cargo em aberto após deixar o comando, no mesmo dia da renúncia de Casares no começo deste ano.
Na questão da dívida, a proposta é substituir dívidas de curto prazo e alto custo por compromissos de prazo maior , por meio de renegociações bancárias e refinanciamentos com bancos e fundos. O programa estabelece três parâmetros: custo inferior ao atual, prazo mínimo de quatro anos e carência de pelo menos 18 meses. Marcelo alegou, durante o evento, que a dívida pode ultrapassar R$ 1 bilhão no final deste ano.
O documento também estabelece limites para instrumentos financeiros. O Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) seria utilizado de maneira seletiva e não poderia servir para cobrir o caixa do mês .
A concessão de direito de superfície sobre áreas do clube seria avaliada, mas sem oferecer o Morumbi como garantia. Já eventuais operações de mercado de capitais abertas a investidores institucionais e torcedores dependeriam da aprovação do Conselho Deliberativo e do Conselho de Administração.
Outro compromisso é o cumprimento do orçamento aprovado. Eventuais desvios precisariam ser justificados e publicados. O programa também prevê uma revisão dos contratos de prestação de serviços.
O CEO, que seria buscado no mercado caso Marcelo assuma, ficaria à frente de uma diretoria executiva formada por profissionais de mercado, com metas e avaliações de desempenho.
A chapa também propõe a criação de um núcleo de compliance , responsável por mapear riscos antes da assinatura de acordos, além de um código de conduta com treinamentos sobre prevenção à corrupção e ao assédio moral e sexual. O programa prevê ainda um canal de denúncias com equipe dedicada e o fortalecimento do Conselho Fiscal, que trabalharia em conjunto com a auditoria externa.
Na área de transparência, a promessa é publicar relatórios trimestrais com balancetes, resultados das auditorias, revisão de contratos e andamento das metas. O documento prevê que até os objetivos não cumpridos sejam apresentados, acompanhados das justificativas e das medidas corretivas.
Um portal aberto também mostraria a situação da dívida e a execução do orçamento, com indicadores atualizados mensalmente. A recuperação da SPFCtv também aparece entre as propostas relacionadas à presença digital do clube.
O programa apresenta um dado concreto sobre o futebol. Em 2025, salários, encargos e direitos de imagem do futebol, incluindo as categorias de base, somaram R$ 366 milhões .
A intenção é reduzir a folha do futebol profissional para um patamar compatível com a receita do clube. O valor da redução, porém, não é estabelecido no documento e ficaria condicionado aos resultados da auditoria dos primeiros 90 dias.
O Departamento de Futebol seria dividido em quatro áreas: futebol e experiência de campo; saúde e desempenho; jurídico e integridade; e scouting e inteligência.
Antes de cada janela de transferências, o clube definiria prioridades por posição, perfis procurados e limites de investimento.
Contratações, renovações, saídas e trocas de treinador passariam a ser acompanhadas por dossiês técnico, médico, contratual e financeiro , com registro dos fundamentos e responsáveis por cada decisão.
O programa também prevê a participação de advogados desde o início das negociações, com verificação de intermediários e possíveis conflitos de interesse.
Outro ponto é a separação das responsabilidades. O diretor de futebol teria mandato técnico e não teria vínculo eleitoral , além de metas públicas. A comissão técnica ficaria responsável por treinos, escalações e partidas, enquanto a equipe médica teria autonomia para as decisões clínicas.
Durante entrevista, Marcelo foi questionado pela reportagem do Lance! se manteria algum nome da diretoria no momento, seja Rafinha - atual diretor de futebol -, ou nomes de setores como Cotia e marketing.
- Vou conversar com todas as pessoas no São Paulo. Tem algumas que não conheço, quero entender se estão alinhadas no meu projeto - disse.
A formação de jogadores é colocada como centro do projeto esportivo . O programa prevê integração obrigatória entre Barra Funda e Cotia, além de planos individualizados para o aproveitamento dos atletas.
A prioridade seria desenvolver os jogadores para o elenco profissional antes de pensar em receitas com transferências. O documento fala em reter promessas e vender por estratégia, e não por necessidade de caixa .
A chapa também propõe uma reformulação do sistema de captação, com apoio de tecnologia, limitação do número de atletas por categoria e investimentos em gramados naturais e sintéticos, irrigação, drenagem, academia, fisioterapia e salas de trabalho.
- Conseguir reduzir e aproveitar Cotia, não vender jogador formado por nós barato para comprar jogador caro e em final de carreira. Acredito muito que a gente pode ter time competitivo dessa forma - comentou Marcelo.
No futebol feminino, a meta é aproximar a modalidade da autossuficiência financeira em três anos .
O programa prevê integração da modalidade à gestão executiva, respaldo institucional para ampliar a utilização do Morumbi conforme o calendário do estádio, estudo para melhorar a estrutura de treinamentos e concentração e um plano de comunicação para aumentar a conexão com a torcida.
O programa propõe a criação de uma diretoria comercial responsável pela precificação e negociação dos ativos do clube . A chapa também reconhece o impacto da atual conjuntura. A proibição das apostas pela Medida Provisória 1.394/2026 é apontada como um fator que aumenta a necessidade de buscar novos patrocinadores e diversificar as fontes de receita.
O documento também cita o contrato de naming rights do Morumbi, que vence em dezembro . A proposta é buscar um novo acordo de longo prazo e com valor considerado compatível com o estádio. A exploração comercial do Morumbi e do Concept Hall, além do licenciamento e das marcas próprias, também aparece entre as alternativas para ampliar receitas.
No programa, o sócio-torcedor é tratado como uma área que rende abaixo do potencial do clube . A proposta é reformular categorias, valores e recompensas.
A chapa também registra sua posição na votação do contrato com a Ticketmaster. O grupo votou pela exclusão do programa de sócio-torcedor do acordo, por cautela jurídica . Com a aprovação da transferência da operação por cinco anos, a promessa agora é acompanhar o contrato e negociar eventuais mudanças nos termos pactuados.
A candidatura de Marcelo Gouvêa carrega um sobrenome conhecido no São Paulo. Ele é filho de Marcelo Portugal Gouvêa , presidente do clube entre 2002 e 2006, período marcado pelos títulos da Libertadores e do Mundial de Clubes de 2005 , além da consolidação de Cotia como centro de formação.
Marcelo Portugal Gouvêa foi presidente do São Paulo entre 2002 e 2006 , depois de uma longa trajetória como conselheiro e dirigente do clube.
Durante sua gestão, o Tricolor conquistou o Supercampeonato Paulista de 2002, além do Paulista, da Libertadores e do Mundial de Clubes de 2005. Entre seus principais legados estruturais estão a criação do CFA de Cotia, inaugurado em 2005 e que se tornou referência na formação de jogadores, e a inauguração do Reffis, na Barra Funda, voltado à recuperação e fisioterapia esportiva. A administração também promoveu uma modernização do Morumbi e da área social do clube. Antes de assumir a presidência, Gouvêa havia sido diretor de futebol entre 1988 e 1990, período em que o São Paulo conquistou o Campeonato Paulista de 1989.
Como dito, somente a oposição oficializou candidatura. Do lado do outro grupo político do São Paulo, chamado de "Situação" ainda não oficializou. Harry Massis, atual presidente, surge como uma possibilidade.