Conteúdo Original
O clima é de tensão nos bastidores do Avaí . Os jogadores decidiram não treinar na manhã desta quarta-feira (4), em protesto pelos salários atrasados .
Segundo informações apuradas pela ESPN , o elenco está há três meses sem receber. Esta é a primeira vez que os atletas se recusam a participar de uma atividade por causa da situação financeira do clube.
Os problemas financeiros não são novidade no Leão da Ilha. Ainda no primeiro semestre, dois meses de salários foram pagos com recursos emprestados pela Kactus Capital , empresa responsável pela implantação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Ao todo, foram repassados R$ 5 milhões.
Agora, porém, não há previsão de novos repasses até que o processo de formalização entre o clube e a investidora seja concluído.
Em entrevista coletiva realizada na terça-feira (3), o presidente Bernardo Pessi falou sobre o andamento das negociações e evitou estabelecer um prazo para a conclusão do processo.
"A gente tem que fazer isso de forma rápida, mas segura. Não podemos assinar qualquer coisa porque a gente tá no desespero. Eu não posso afirmar, e não vou afirmar um prazo porque não sou eu que posso assegurar. O que posso informar é que estamos caminhando de forma rápida, apesar de não parecer. Já temos minutas contratuais em vias de assinatura", afirmou Pessi.
Durante a coletiva, convocada para esclarecer a situação financeira do clube, o andamento da SAF e as conversas com os jogadores, Pessi reconheceu as dificuldades para manter as contas em dia.
"A receita mensal do clube ela não consegue pagar nem a dívida, quanto mais o restante do clube. Nós temos que pagar mensalmente mais de R$ 1 milhão em dívidas", declarou.
A reportagem da ESPN questionou o presidente sobre uma promessa de pagamento que teria sido feita ao elenco às vésperas da partida contra o Náutico . Pessi, no entanto, preferiu não confirmar a informação e justificou que não poderia entrar em detalhes naquele momento.
"Eu não posso, infelizmente, por mais que eu gostasse de transmitir informações em relação à situação salarial, questão financeira do clube, em razão das regras das quais o clube está submetido e as consequências que nós podemos sofrer", explicou.
A crise salarial também foi abordada pelo técnico interino Marquinhos Santos após a partida contra o Náutico, no estádio dos Aflitos, no Recife.
O treinador, que é ídolo do clube, demonstrou preocupação com os reflexos dos atrasos salariais no desempenho da equipe e chegou a afirmar que não sabia se teria jogadores profissionais à disposição para enfrentar o São Bernardo , neste sábado, na Ressacada.
"Não sei responder o que passa na cabeça do jogador, não sei se foi a situação de salário, que prometeram pagar até sexta-feira e não conseguiram. A gente vem nessa pindaíba de situação salarial há muito tempo e justo no jogo importante vem a notícia que não iriam cumprir com o que prometeram", afirmou Marquinhos.
A paralisação acontece em um dos momentos mais delicados da temporada. Além da crise nos bastidores, o Avaí enfrenta uma situação crítica na luta pela permanência na Série B do Campeonato Brasileiro .
Com apenas duas rodadas restantes, o Leão precisa vencer os confrontos contra São Bernardo, em casa, e América-MG , fora, para continuar sonhando com a permanência.
Mesmo com duas vitórias, o time catarinense ainda depende de outros resultados. O Avaí precisa torcer para que o Ceará não some pontos nas rodadas finais.
Em meio à indefinição financeira, à pressão sobre o elenco e ao risco de rebaixamento, o Avaí se prepara para uma semana decisiva dentro e fora de campo.
São Bernardo (C): 07/11, 16h (de Brasília) - Série B
América-MG (F): 14/11, 16h30 (de Brasília) - Série B