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COI anuncia banimento de atletas trans em competições oficiais O Comitê Olímpico do Brasil (COB) enviou questionamentos ao Comitê Olímpico Internacional (COI) a respeito da política de gênero recentemente anunciada pela entidade global . De acordo com a nova regra, atletas terão que passar por testes de gênero para comprovar que estão aptas a participar de competições femininas organizadas pelo COI. Mulheres trans estarão banidas de torneios olímpicos. Marco Antonio La Porta, presidente do COB, externou que o comitê brasileiro apoia a nova política de gênero, mas tem dúvidas quanto ao funcionamento na prática. – Nós fizemos uma consulta ao COI. Há algumas dúvidas em relação ao posicionamento do Comitê Olímpico Internacional. Nós já enviamos um documento para eles com questões que temos. Precisamos entender a partir de quando (a política) realmente está valendo, se conta para trás, para frente, se vai ser só em Los Angeles (sede das próximas Olimpíadas). O COI teve muito cuidado, passou um ano vendo estudos científicos, procurando um embasamento, e estamos muito seguros de que a decisão deles é correta. Precisamos realmente esclarecer como será na prática – disse La Porta, na quarta-feira (8), durante evento do Hall da Fama do COB. + COI bane mulheres trans ao criar teste para determinar gênero biológico + Regra que barra participação de atletas trans no feminino não valerá para o masculino + Ministra do esporte da França diz que nova política de gênero do COI é "retrocesso" 1 de 4
Marco Antonio La Porta é presidente do Comitê Olímpico do Brasil — Foto: Ricardo Bufolin Marco Antonio La Porta é presidente do Comitê Olímpico do Brasil — Foto: Ricardo Bufolin Na época do anúncio da nova política de gênero, o COI comunicou que a exigência de testes valeria a partir dos Jogos de Los Angeles, em 2028. Apesar de não obrigar, a entidade ainda sugeriu que federações internacionais e comitês nacionais seguissem as mesmas diretrizes. Mas o documento divulgado gerou interpretações diferentes. La Porta contou que a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) procurou o COB para ter esclarecimentos. O ge apurou que a principal preocupação da CBV é com o prazo para aplicação da nova política de gênero. A entidade quer entender se a regra realmente só entrarão em vigor em 2028 ou se haverá algum tipo de retroatividade, considerando competições e testes de gênero realizados antes dos Jogos de Los Angeles. 2 de 4
Olimpíadas de Los Angeles terão testes de gênero para atletas mulheres — Foto: Getty Images Olimpíadas de Los Angeles terão testes de gênero para atletas mulheres — Foto: Getty Images Por enquanto, o COI ainda não respondeu às perguntas enviadas pelo COB. Na visão de La Porta, a entidade internacional precisa de tempo para dar atenção aos contatos feitos por vários comitês nacionais: – Não foi só o Brasil. Com certeza, eles estão recebendo mais consultas. E são várias dúvidas. O COI fez um documento muito amplo, genérico. Há uma diretriz clara, mas precisamos entender como vai ser colocado em prática. + Hall da Fama 2026: Oscar Schmidt, Alex/Lars e Ricardo/Emanuel recebem homenagens + Fogo destrói telhado do Velódromo do Parque Olímpico; ninguém se feriu + Após incêndio, prefeito do Rio garante: "Nada do acervo do museu foi impactado" O presidente do COB ainda ressaltou um outro ponto que precisa de esclarecimento: como serão tratadas as atletas com disfunções hormonais. Um dos casos mais conhecidos é o de Caster Semenya, bicampeã olímpica dos 800m no atletismo. A sul-africana produz mais hormônios masculinos do que a média das mulheres. Semenya, que foi submetida a teste de gênero, está afastada das pistas há anos, porque se recusa a seguir uma determinação da World Athletics. A Federação Internacional de Atletismo exige que atletas hiperandrogênicas, como a corredora sul-africana, tomem medicamentos para reduzir as taxas de testosterona. Caster chegou a levar o caso aos tribunais, mas desistiu do processo no ano passado. 3 de 4
Caster Semenya, bicampeã olímpica — Foto: Paul Childs/Reuters Caster Semenya, bicampeã olímpica — Foto: Paul Childs/Reuters Entenda a nova política de gênero do COI O Comitê Olímpico Internacional anunciou, no fim de março, uma nova política de teste de gênero para determinar a elegibilidade de atletas olímpicas à categoria feminina. Cada competidora poderá fazer o teste apenas uma vez na vida. A medida valerá para todas as modalidades olímpicas, individuais ou coletivas e para os Jogos da Juventude, disputados por atletas adolescentes. A elegibilidade à categoria feminina será determinada por um teste que determina a presença ou a ausência do gene SRY (em inglês, Sex-determining Region Y), que atua como desencadeador do desenvolvimento masculino. Resultados negativos para o gene SRY serão aceitos como prova de que a pessoa poderá competir na categoria feminina, sem precisar passar por novos exames. No entanto, em caso de resposta positiva, não haverá outra chance para testes. 4 de 4
Kirsty Coventry: testagem de gênero valerá para atletas de todas as idades em competições oficiais do COI — Foto: Luca Bruno - Pool /Getty Images Kirsty Coventry: testagem de gênero valerá para atletas de todas as idades em competições oficiais do COI — Foto: Luca Bruno - Pool /Getty Images O COI afirmou que a decisão foi tomada com base em evidências científicas, em estudos liderados por Jane Thornton, diretora de saúde e ciência do Comitê. Além disso, a entidade alega que o rastreamento do gene é feito por métodos menos invasivos, como coleta de saliva ou de sangue. Ao ser questionada, a presidente do COI, Kirsty Coventry, afirmou que a implementação do teste de gênero não teve influência de Donald Trump . O atual presidente dos EUA já havia assinado uma ordem executiva que proibia a participação de atletas trans nas competições esportivas americanas. Vale destacar que a nova política de gênero do COI será aplicada apenas em provas femininas – sem englobar as disputas masculinas.