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Análise dos Times

Corinthians

Principal

Motivo: O autor é torcedor declarado do Corinthians e relata os jogos sob sua perspectiva de corintiano, destacando os ídolos e momentos marcantes do time.

Viés da Menção (Score: 0.8)

Motivo: Apesar de ser o time adversário, o Vasco é tratado com grande admiração, especialmente pela figura de Roberto Dinamite, ídolo do autor.

Viés da Menção (Score: 0.7)

Palavras-Chave

Entidades Principais

vasco corinthians campeonato brasileiro socrates maracanã morumbi casagrande serginho chulapa roberto dinamite claudio adao

Conteúdo Original

Neste domingo, teremos em São Januário um clássico brasileiro que já marcou história no nosso futebol: Vasco e Corinthians, que infelizmente jogam um confronto direto pela fuga do rebaixamento. São clubes muito endividados, times fracos e oscilantes, com pouca qualidade técnica, mas a única coisa que não mudou é o enorme número de torcedores das duas equipes e suas paixões. Porém, vou contar a história de dois jogos marcantes na minha vida de torcedor corintiano, apaixonado por futebol e com diversos ídolos de outros clubes também. Tenho meu amigo Roberto Dinamite como um dos meus grandes ídolos no futebol e também como uma forte referência como jogador. Desde o início da sua carreira no Vasco, ele já me chamou a atenção pelo jeito de jogar, pelos seus cabelos longos e seu incrível faro de gol. A primeira história que vou contar é ambígua, porque foi exatamente seu primeiro jogo na volta ao Vasco, depois de uma rápida passagem pelo Barcelona. Me lembro como se fosse hoje: dia 4 de maio de 1980, domingo à tarde, com 107.474 torcedores no Maracanã para receber de volta o camisa 10 cruz-maltino em sua casa. Estava eu na sala com meu pai para assistir a esse jogo. Sr. Walter estava ali para torcer para seu Corinthians e, sem dúvida alguma, meu pai foi o maior corintiano que conheci na vida. Nunca vi nada igual a ele. Já o filho, Waltinho, que já havia jogado uma Copa São Paulo, sendo o artilheiro e a revelação, já treinava com os profissionais. Estava ali, de frente com a TV, para também torcer pelo Corinthians, mas também com muita felicidade de poder rever um grande ídolo e referência como Roberto Dinamite. O Coringão fez 1 a 0 com Caçapava, e parecia que tudo iria bem quando o "Monstro" Roberto começou seu show particular, talvez o grande show que o Maracanã já viu de um único jogador. O Dinamite passou a fazer gols sem parar: de cabeça, de direita, de fora da área pelo lado esquerdo, driblando os zagueiros Mauro e Amaral — ou seja, de tudo quanto é jeito e todos com a bola rolando. Foram cinco gols, sendo nenhum de pênalti. Foi um dos maiores espetáculos que vi na vida. Sr. Walter se revoltou e saiu da sala antes que Roberto completasse o espetáculo. Waltinho arregalou os olhos, e claramente sua admiração, paixão e vontade de ser igual ao Roberto aumentaram. Não consegui ficar desapontado nem com raiva pela derrota; minha reação foi de arregalar os olhos e pensar: "Caramba, quero ser igual ao Roberto". Ainda no final, meu outro ídolo, que depois virou uma grande paixão e parceiro, Sócrates, fez o segundo gol do Corinthians, e o jogo terminou 5 a 2. Vasco: Mazzaropi; Paulinho, Juan (Ivan), Léo e Paulo César; Carlos Alberto Pintinho, Guina e Edu; Wilsinho (João Luís), Roberto Dinamite e Catinha. Técnico: Orlando Fantoni. Corinthians: Jairo; Zé Maria, Mauro, Amaral e Wladimir; Caçapava (Djalma), Sócrates e Basílio; Piter, Geraldão (Toninho) e Wilsinho. Técnico: Jorge Vieira. Aquilo me marcou tanto que a primeira vez que vi o Roberto de perto, meus olhos brilharam e não tirei os olhos dele. Foi num amistoso em janeiro de 1983 entre a seleção brasileira escolhida pelo povo contra a seleção gaúcha no estádio Olímpico do Grêmio. Estávamos no vestiário, e o time que sairia como titular estava aquecendo. Fiquei olhando o aquecimento que era em dupla e estava simplesmente o Éder com o Roberto Dinamite. Depois disso, enfrentei diversas vezes o Vasco e virei amigo do Roberto. Recebi um dos grandes elogios que ouvi em um comentário seu para a revista Placar, que acho que foi de 1985. Perguntaram a ele quem era o maior centroavante do Brasil naquele momento, e ele respondeu assim: "O maior é o Albeneir (na época no Joinville), mas o melhor é o Casagrande". Albeneir era um ótimo centroavante que fazia muitos gols, passagens importantes em vários times e que tinha mais de 1,95 m. Infelizmente, faleceu precocemente em 15 de junho de 2023. Já a outra história que vou contar foi na primeira rodada do Campeonato Brasileiro de 1985. No domingo, 27 de janeiro de 1985, no Morumbi, foi a estreia do novo time do Corinthians, que era uma verdadeira seleção, que criou uma enorme expectativa no Brasil todo, mas que não deu certo. Nesse dia foram as estreias do zagueiro uruguaio Hugo De Leon, vindo do Grêmio, e do centroavante Serginho Chulapa, que veio do Santos, juntamente com a minha volta ao Corinthians, após uma ótima passagem pelo São Paulo no Campeonato Paulista de 1984. Bom, fizemos uma partida brilhante, principalmente no primeiro tempo, quando acertamos duas bolas na trave, além de tantas outras chances criadas. Hoje em dia, todos os treinadores tentam fazer seus atacantes marcarem pressão na saída de bola da defesa adversária. Eu sempre tive isso dentro de mim, porque minha referência principal é a Holanda de 1974, e no vídeo ficará claro isso. Massacramos, e numa jogada confusa fiz um gol de cabeça de fora da área, aproveitando uma socada do goleiro Roberto Costa em um cruzamento do ponta João Paulo. Poderíamos ter feito mais gols, mas o Vasco empatou no finalzinho com Cláudio Adão, além de um passe meu para o Serginho, que ficaria na cara do gol, com o bandeirinha marcando um impedimento absurdo. Voltamos para o segundo tempo da mesma maneira, dominando o jogo, e marcamos o segundo gol com Serginho Chulapa, com a bola batendo em sua mão involuntariamente, mas que talvez hoje essa jogada fosse invalidada. E tudo aconteceu igual ao primeiro tempo, porque no final do jogo, em outro vacilo, tomamos o empate novamente com Cláudio Adão. Daí em diante, nosso time nunca mais conseguiu jogar da mesma maneira. Corinthians: Carlos; Édson, Juninho, De Leon e Wladimir; Biro-Biro, Casagrande e Dunga; Paulo César (Arthurzinho), Serginho e João Paulo. Técnico: Jair Picerni. Vasco: Roberto Costa; Edvaldo, Ivã, Daniel González e Airton; Victor, Oliveira (Roberto Dinamite) e Geovani; Mauricinho, Cláudio Adão e Rômulo. Técnico: Edu Coimbra. Tudo muito diferente dos dias de hoje, quando duas das maiores histórias do futebol brasileiro fazem um péssimo Campeonato Brasileiro. Inclusive, o Corinthians, nas últimas 10 partidas, só ganhou uma. Já o Vasco fez uma das maiores partidas da sua história, goleando o Santos em pleno Morumbis por 6 a 0, para em seguida ser amassado e dominado pelo Juventude, que também luta contra o rebaixamento. Mas os apaixonados por futebol amam tanto Corinthians quanto Vasco da Gama e têm duas histórias incríveis para matar a saudade de grandes momentos desse clássico maravilhoso. Obs: o jogo de 1985, que foi 2 x 2, também foi gravado um capítulo da novela "Vereda Tropical", que o personagem Luca, interpretado pelo Mário Gomes, era um jogador de futebol e centroavante do Corinthians naquele momento.