🔎 ou veja todas as análises já realizadas

Análise dos Times

Brasil

Principal

Motivo: O texto relata a expectativa de um grande jogo e vitória do Brasil, destacando a identificação do torcedor com a seleção e a recuperação de sua imagem.

Viés da Menção (Score: 0.8)

Motivo: O Chile é descrito como 'mais fraco dos últimos anos', 'lanterninha da classificação' e 'fora da Copa', com poucas menções positivas.

Viés da Menção (Score: -0.2)

Palavras-Chave

Entidades Principais

selecao brasileira maracanã carlo ancelotti chile telê santana pinochet casagrande evaristo de macedo carlos cazely ricardo gareca

Conteúdo Original

A seleção brasileira joga no Maracanã nesta quinta-feira (4) pela penúltima rodada das Eliminatórias contra o Chile mais fraco dos últimos anos. O treinador argentino Ricardo Gareca tem o seu time na lanterna da classificação e já fora da Copa de 2026. Por isso, e pelo momento harmonioso que a seleção brasileira atravessa, a expectativa é de um grande jogo do Brasil e de uma vitória, se possível com muitos gols. Carlo Ancelotti fez questão que a partida fosse no Maracanã, porque ele e o mundo consideram a casa da seleção brasileira, como foi por várias décadas. Uma seleção sendo reformulada, com jogadores recebendo a oportunidade de mostrarem que têm capacidade técnica, tática, emocional e também comportamental para ter um lugar no grupo para a Copa. Aos poucos, a identificação do torcedor com a seleção vem voltando, e essa partida no Maracanã faz parte desse processo de recuperação da imagem da nossa seleção. Esse confronto é bem tradicional no nosso continente, e tenho duas histórias relacionadas bem interessantes e importantes sobre esse jogo. A primeira delas aconteceu no dia 21 de maio de 1985, em Santiago, em plena ditadura assassina do general Augusto Pinochet, no Estádio Nacional de Santiago, que era usado como ponto de torturas e mortes das pessoas chilenas que lutavam pela democracia. O momento da seleção era muito estranho, difícil e perigoso, porque estávamos em greve contra a imprensa brasileira por espalharem notícias falsas. Obviamente não eram todos, mas o que incomodou os jogadores não foram as críticas sobre os resultados e o desempenho. Chegamos no Chile em greve, e numa ditadura autoritária como a de Pinochet, era extremamente proibido qualquer tipo de manifestação política. Por isso, chegamos com a polícia chilena nos cercando e com ordens do próprio general para que a nossa greve acabasse, porque não era permitido "em seu país". Um repórter, que na época era da Globo, me procurou para marcar um encontro com o jogador chileno Carlos Cazely, que era contra o Pinochet e cuja própria mãe havia sido torturada no Estádio Nacional. Seria um encontro clandestino no terraço do hotel em que a seleção brasileira estava, e eu topei. Seria às 20h da noite anterior à partida, mas quando deu umas 19h, esse repórter bateu na porta do meu quarto e me disse: "Casão, vim te avisar para não subir no terraço porque o general ficou sabendo do encontro e armaram uma armadilha. Iria prender a todos nessa reunião." O clima estava tenso para o jogo, até porque seria também a despedida da seleção chilena do Carlos Cazely, que inclusive entrevistei para o Esporte Espetacular pouco antes de deixar a Globo, e tenho contato com ele até hoje. O treinador da seleção brasileira era Evaristo de Macedo, que não pôde convocar nenhum jogador que estava jogando na Itália, porque o campeonato local ainda estava em curso, e naquela época não existia essa coisa de data Fifa. Fomos para o jogo e fomos dominados pela seleção chilena. Perdemos por 2 x 1, e poderia ter sido mais. Os gols chilenos foram marcados por Hugo Rubio e Carlos Cazely, e o do Brasil foi meu, depois de um belo passe do Bebeto. O sr. Evaristo escalou a seleção assim: Carlos, Édson, Oscar, Mozer e Wladimir; Jandir, Alemão (Geovani) e Casagrande; Bebeto, Reinaldo e Éder. Já o Chile, do treinador Pedro Morales Torres, entrou em campo com: Rojas, Hormazábal, Garrido, Herrera e René Venezuela; Mário Gonzalez, Héctor Puebla e Aravena (Mordomez); Meira, Rubio (Letier) e Cazely (Hurtado). Depois dessa derrota, Evaristo de Macedo foi demitido pelo presidente da CBF da época, o sr. Giulite Coutinho, que trouxe de volta Telê Santana. E junto com ele, os caras que jogavam na Itália, e o ambiente mudou completamente. Já no primeiro treino, o Telê decidiu o time titular para as Eliminatórias, e nos classificamos tranquilos para a Copa do México. Já em 1986, o último jogo de preparação antes do embarque para o México foi em Curitiba, no Estádio Pinheirão, contra o mesmo Chile. Estávamos novamente em um momento muito tenso, porque o Telê já havia cortado o Éder após o jogo em que vencemos o Peru por 4 x 0, por uma agressão ao adversário, e o Renato Gaúcho por problemas pessoais entre os dois. O Renato estava voando, era uma unanimidade e fez muita falta na Copa. E eu, que estava muito bem, sendo titular desde 1985, saí do time para esse último jogo e achei muito estranho. O jogo foi muito ruim, com o Chile fazendo 1 x 0 e perdendo várias chances de aumentar, e o Brasil criando muito pouco, mas sempre com o Müller e o Careca, que quando se aproximavam, acontecia algo bom — mas muito menos do que se esperava. A torcida vaiando muito a seleção e gritando o nome do Renato a cada erro do time, em um clima muito ruim. Nada acontecia, principalmente no segundo tempo, com a torcida impaciente, até que o Telê me chamou para entrar. Fui com tudo, porque usei a minha revolta por ter saído como arma a meu favor. Entrei e, em pouco tempo, fiz o gol de empate, e a própria narração do Luciano do Valle define o meu momento e a indignação por eu ter ficado fora do time. O Telê escalou a seleção assim: Carlos, Leandro (Edson), Oscar, Mozer e Júnior; Elzo (Alemão), Falcão, Zico (Sócrates) e Dirceu; Müller (Casagrande) e Careca. O maior problema foi que o Telê convocou 29 jogadores e precisava cortar sete jogadores até a inscrição final para a Copa. Ele já havia cortado o Éder, Renato, Sidney e o Marinho. No embarque, veio o problema: o Leandro não quis ir por solidariedade ao Renato. E já no México, ele cortou Dirceu e Cerezo, que estava muito bem. Enfim, foi uma época tumultuada e de indefinições. Que o jogo desta quinta-feira (4) em um Maracanã lotado celebre este novo momento da seleção brasileira. Mas todos esperam ver um grande espetáculo.