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Só para assinantes Assine UOL Opinião Atlético: o futebol voltou a ferir onde a ferida ainda não cicatrizou Yara Fantoni Colunista do UOL 23/11/2025 14h36 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia O estádio em Assunção estava tomado por uma fé quase teimosa. A torcida do Galo, mais uma vez, transformou uma decisão em um espetáculo que nenhum placar consegue traduzir. Os atleticanos foram para o Paraguai de todos os cantos: de carro, de van, de avião. Gente que atravessou estradas, vendeu o que dava, pediu folga no trabalho, remarcou compromisso, gastou o que não tinha, tudo para estar ali, para apoiar, para acreditar que dessa vez seria diferente. O sacrifício de cada torcedor era um lembrete vivo do tamanho desse clube. Mas o futebol, sempre irônico, voltou a ferir onde a ferida ainda não cicatrizou. O Atlético não perdeu para o adversário com mais qualidade, ele perdeu para si mesmo. Se enroscou nas próprias escolhas, no próprio nervosismo, nos mesmos erros que insistem em se repetir. Na bola na trave, no gol desperdiçado! E isso torna tudo ainda mais dolorido, porque a sensação é de ver um gigante tropeçar no mesmo degrau, de novo. A partida foi até o limite do coração: teve prorrogação, pênalti e drama para um livro inteiro. E quando tudo parecia desabar, surgiu Everson, o herói silencioso que nunca reclama do peso que carrega. Defendeu, segurou, manteve o sonho vivo e ainda converteu o dele com a frieza de quem honra cada centímetro dessa camisa. Fez a parte dele, mais uma vez. Mas a sequência foi cruel e os batedores de pênalti não tiveram o mesmo êxito a favor do Galo. Josias de Souza Eduardo faz apologia da fuga no dia da prisão do pai Nelson de Sá O que Lula e Moro veem na segurança da China Carla Jimenez Lula opta por cautela ao falar de Bolsonaro Milly Lacombe Atlético-MG fez contratações estapafúrdias Mas o filme terminou como nos últimos capítulos recentes. Ano passado, a dor já tinha vindo em dose dupla: final da Libertadores e da Copa do Brasil perdidas. Agora, mais uma. A terceira em tão pouco tempo. Um roteiro que se repete como uma peça maldita, empurrando o torcedor para aquele tipo de tristeza que não vira raiva, vira silêncio, vira lágrima escondida no retorno da viagem, vira a pergunta inevitável: "por quê de novo conosco?" A massa deu show. Já o time, não. E faltou algo que todo mundo vê, mas que ninguém da diretoria resolve: falta um camisa 10 e um elenco mais qualificado, justamente para as substituições surtirem efeito de mudança, não de declínio. Falta aquele cérebro no meio-campo que pensa quando o resto esquenta, que acalma quando o jogo enlouquece, que decide quando ninguém mais consegue decidir. O Ronaldinho de 2013, o Nacho de 2021. Saudades! Falta alguém que assuma o protagonismo que, nessas horas, faz toda a diferença entre vencer e colecionar cicatrizes. Faltou até mais caras que tivessem coragem de se expor ali nas cobranças de pênaltis. Como foram escolhidos os batedores? Qual o vacilo ali na entrada do Reinier? Por que demorou a substituir? Uma pergunta que não adianta mais procurar por respostas. A derrota na final está sangrando. No fim, o torcedor volta para casa, para a estrada, para o aeroporto, para o banco da van, seja qualquer meio de transporte escolhido, carregando o cansaço da viagem e um peso no peito. Fez tudo o que podia, deu tudo o que tinha. No caminho, ainda a angústia de chegar em casa e poder ver o Flamengo levantar mais um caneco na Arena MRV. E mesmo ferido, o alvinegro continua amando um time que, por vezes, parece não saber o tamanho desse amor. Porque a torcida do Atlético já encontrou seu caminho faz tempo. O time, ainda não. E enquanto isso não acontecer, o sofrimento continua sendo companhia constante. Ainda que, no que depender das arquibancadas, o show seja sempre garantido. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Yara Fantoni por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Cinquenta alunos fogem de sequestro na Nigéria; 250 permanecem em cativeiro Foragido nos EUA, Ramagem aparece em vídeo recebendo família no aeroporto Quem é Ana Luiza Sanches, amiga de Ana Castela que detonou Virginia? O que Lula e Moro querem aprender com a segurança pública da China? Michelle chega para visitar Bolsonaro na superintendência da PF em Brasília