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Como técnico da seleção, Carlo Ancelotti deixara clara sua ansiedade por um jogo no Maracanã. Sua experiência, no entanto, não deixou que isso afetasse seu estilo prático e discreto na condução do time durante a vitória contra o Chile, por 3 a 0, pelas Eliminatórias da Copa. É verdade que houve alguns poucos momentos de irritação do italiano. Mas, no geral, ele não correu, não esbravejou e indicou, com gestos econômicos, como queria que seus comandados jogassem. Seus braços só se abriram de forma indignada no início do jogo, quando o VAR da Conmebol demorou um longo tempo para definir a anulação do gol de Casemiro por impedimento. Logo em seguida, voltou a reger o time com os braços. Indicava um passe aqui, puxava Wesley para a ponta, levava Estêvão para o meio, pedia bolas longas a sua zaga... Sempre caminhando, lento. Só dava lugar ao seu auxiliar Francesco Mauri em horas de bolas paradas. É ele quem treina o time nessas jogadas. Quanto à arbitragem, Ancelotti limitou-se a uma conversa em tom ameno com auxiliar e o quarto árbitro. Nada de gritaria com o trio de juízes. Quando o chileno Maripán chegou a tomar cartão vermelho do árbitro Alexis Herrera, o italiano permitiu-se ao máximo da rebeldia: foi espiar o VAR mais de perto enquanto o juiz decidia o lance. Repreendido pelo quarto árbitro, voltou para sua área. Outro leve momento de contrariedade foi quando uma saída errada do Brasil levou Casemiro a fazer uma falta que lhe rendeu um amarelo. As comemorações de gol foram contidas, no máximo aplausos, como é seu hábito. Assim festejou quando o Brasil, enfim, furou a retranca chilena que tinha até linha de seis. Estêvão, uma aposta sua pela direita, achou o gol após jogada pela esquerda. O segundo tempo seguia morno, e Ancelotti decidiu: era hora de mudar. Chamou seu auxiliar Paul Clement para pedir trocas. Em um momento curioso, o telefone sem fio levou orientação pelo rádio de que Andrey Santos e Caio Henrique entrariam. O lateral se apresentou, mas na realidade o escolhido era Luiz Henrique. A escolha se revelou acertada quando o ponta do Zenit entrou bem com dribles e participou das duas jogadas dos gols seguintes. De novo, Ancelotti aplaudiu, enquanto o banco se exaltava, e Paquetá agradecia aos céus pelo seu gol. Com o jogo decidido, Ancelotti não mudou a postura. Só se viam mais períodos de mãos nos bolsos ou com braços para trás. Nenhuma ansiedade em seus gestos, a urgência da estreia no Maracanã parecia curada.