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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Com excesso de opções, ataque da seleção vira 'problema bom' para Ancelotti Thiago Arantes Colunista do UOL, em Barcelona 13/01/2026 05h30 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Endrick comemora gol marcado pela seleção brasileira contra a Espanha em amistoso Imagem: Mateo Villalba/Getty Images O ataque da seleção brasileira virou um problema para Carlo Ancelotti. Não pela falta de jogadores, mas pelo excesso de opções no setor. Desde a última Data Fifa — quando o Brasil venceu Senegal e empatou com a Tunísia —, novas peças surgiram no quebra-cabeças. A primeira, e mais óbvia, é Raphinha. O ponta do Barcelona foi titular absoluto com Fernando Diniz e Dorival Júnior. Com Ancelotti, ele começou jogando contra Paraguai e Chile, saiu do banco diante da Bolívia, mas as lesões os tiraram das duas últimas convocações. Um dos melhores jogadores do mundo atualmente, e dos poucos que salvaram no tumultuado ciclo pós-2022 na seleção, Raphinha é forte candidato a ser titular absoluto. E aí está o problema: em que posição? No Barcelona, ele abdicou da ponta direita (motivo: Lamine Yamal), mas tem rendido muito pela esquerda e centralizado. Daniela Lima Trump tenta naturalizar postura de imperador Reinaldo Azevedo Regime do Irã é detestável, mas Trump é a solução? Luciana Bugni Reconhecimento a Wagner Moura é para poucos José Trajano Luciano revela tamanho do drama do São Paulo Raphinha comemora gol do Brasil sobre a Colômbia em jogo das Eliminatórias Imagem: Andre Ricardo/Sports Press Photo/Getty Images Na seleção, Raphinha poderia voltar às origens, brigando com Estêvão; uma segunda opção seria disputar posição com Matheus Cunha na posição de 10; a terceira, entrar na disputa pelo lado esquerdo, com Rodrygo e Vini Jr. O efeito Endrick Nas últimas partidas da seleção, Ancelotti deixou claro que o time poderá jogar a Copa do Mundo sem um "camisa 9 clássico" entre os titulares. Nas boas atuações contra Coreia do Sul e Senegal, a equipe tinha Vini Jr. atuando como atacante mais centralizado, mas Rodrygo e Matheus Cunha também se moviam pelo setor. A estreia de Endrick pelo Lyon pode mudar esse cenário, ou pelo menos colocar mais uma dúvida na cabeça do treinador: será que vale dar uma chance ao jovem de 19 anos? O italiano revelou que, em conversa com o jogador, disse que ele precisava de mais minutos em campo para entrar no radar da seleção. Endrick entendeu o recado: saiu do Real Madrid, onde virou última opção do ataque sob o comando de Xabi Alonso, e foi para um clube em que terá oportunidades e sequência de jogos. A estreia com gol, bola na trave e muita dedicação, recolocou o ex-jogador do Palmeiras no debate. Continua após a publicidade Se conseguir repetir a atuação da estreia, o atacante ganha força para entrar na convocação da próxima Data Fifa, em março, quando a seleção enfrentará França e Croácia. Seria uma espécie de prova final, valendo uma vaga na Copa. Igor Thiago celebra gol do Brentford em jogo do Campeonato Inglês Imagem: Shaun Botterill/Getty Images Igor Thiago, a surpresa Se Endrick e Raphinha eram jogadores com os quais Ancelotti já contava — ou imaginava poder contar — quando assumiu a seleção, o caso de Igor Thiago é diferente. O atacante do Brentford estourou na Premier League nesta temporada, especialmente desde a última Data Fifa. Revelado pelo Cruzeiro, e com passagem pela Bélgica, o centroavante de 24 anos é o vice-artilheiro do Campeonato Inglês. Com 16 gols, ele já quebrou o recorde de um brasileiro em uma única temporada, mesmo com meio campeonato por disputar. Apenas Erling Haaland, com 20 gols, marcou mais vezes. A comissão técnica observa com especial atenção a Premier League; afinal, é o campeonato que mais fornece jogadores para a seleção: dentre os possíveis titulares, o goleiro Alisson, o zagueiro Gabriel Magalhães, os meio-campistas Bruno Guimarães e Casemiro, além de Matheus Cunha e Estevão — todos jogam por lá. Continua após a publicidade Um dos auxiliares de Ancelotti, o inglês Paul Clement, acompanha jogos e faz relatórios para o treinador, e o Igor Thiago foi assunto nos últimos meses. É outro que luta por uma chance de, pelo menos, ser chamado para a próxima Data Fifa e mostrar do que é capaz. Martinelli comemora gol do Arsenal sobre o Porstmouth em jogo da Copa da Inglaterra Imagem: Mike Hewitt/Getty Images E tem mais? O quebra-cabeças de Ancelotti para formar o ataque titular — e também os demais convocados — deve ser um dos grandes assuntos dos próximos meses. Há jogadores que, se nascidos em outros países, não correriam qualquer risco de ficar fora da lista final: é o caso de Gabriel Martinelli e Antony, por exemplo. O primeiro é peça importante no Arsenal, que lidera o Campeonato Inglês rumo a um título que o clube não conquista desde a temporada 2023-04. No domingo, ele marcou três vezes no 4 a 1 sobre o Portsmouth. Antony, por sua vez, virou rei de Sevilha. O ponta-direita do Bétis é o arco e a flecha no time de Manuel Pellegrini: dá passes precisos, que se transformam muitas vezes em assistências, mas também marca gols. A concorrência na posição e a eclosão de Estêvão complicaram a vida do ex-São Paulo na luta por um lugar entre os 26 que irão à Copa. Continua após a publicidade Richarlison comemora na vitória do Tottenham sobre o Brentford Imagem: Divulgação / Tottenham Mas quem sai? Na convocação para a Data Fifa de novembro, oito atacantes foram convocados: além dos titulares Vini, Rodrygo, Estêvão e Matheus Cunha, foram chamados Richarlison, Vitor Roque, Luiz Henrique e João Pedro. Colocar Raphinha, Endrick e Igor Thiago — para citar apenas três exemplos — provocaria uma mudança em quase metade da lista para a posição. Vale ressaltar que Richarlison, criticado pela falta de gols na seleção, voltou a marcar pelo Tottenham nos últimos meses. João Pedro soma sete gols na temporada pelo Chelsea, e Vitor Roque foi destaque do Palmeiras na temporada de volta ao Brasil. A situação de Luiz Henrique é a mais difícil: em dezembro, o Campeonato Russo entrou de recesso e só volta em março, o que acaba tirando o jogador do radar de observações. E ainda há casos como o de Pedro, do Flamengo, que se machucou quando Ancelotti pensava em testá-lo, ou o de Gabriel Jesus, que voltou a jogar após um ano, e vive boa fase no retorno ao Arsenal. Neymar dá volta olímpica na Vila Belmiro, após vitória do Santos sobre o Cruzeiro Imagem: Mauricio De Souza/Mauricio De Souza/AGIF E, por último, Neymar. O camisa 10 das últimas três Copas classifica o Mundial de 2026 como sua "missão final". Para isso, precisa convencer Ancelotti que ainda pode fazer dentro de campo tudo o que já fez no passado. Continua após a publicidade Só que, agora, a fila de quem "talvez mereça uma chance" nos dois últimos amistosos, contra França e Croácia, aumentou. Fechar a lista de março já deve ser difícil; a da Copa do Mundo, ainda mais. O problema é de Carlo Ancelotti. A seleção, com tantas opções de qualidade, agradece. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Jovem de 19 anos é morto a pedradas no 1° dia de trabalho em São Luís Alemanha minimiza risco dos EUA atacarem e invadirem a Groenlândia Servidor é exonerado ao ser flagrado fazendo sexo em carro de prefeitura Parlamento diz que Irã reagirá a qualquer ação dos EUA: Venham e descubram Messi na Kings League? Neymar revela mensagem do argentino: 'Posso ir?'