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Esta segunda-feira (5) abre a semana final de um dos períodos mais marcantes da história do futebol: os últimos dias de Lionel Messi na seleção argentina. Pensando nisso, o ESPN.com.br elegeu o melhor jogo e o melhor gol do craque pela seleção antes de sua despedida do Benim, que acontece nesta terça-feira (6), às 20h (de Brasília).
E a tarefa não é nada fácil. Somando mais de 200 jogos pela Argentina, Messi coleciona performances históricas de alta qualidade. Além disso, também balançou a rede 125 vezes com a albiceleste , também anotando diversos golaços entre seu centenário de tentos.
Então, para chegarmos o mais perto possível de uma resposta certa, convocamos os especialistas da ESPN Argentina para ajudarem na eleição. Eles selecionaram alguns grandes momentos -- que também serão discutidos aqui --, mas também foram conclusivos ao eleger o real dono do posto de melhor jogo e melhor gol. Prontos para a discussão?
Vamos aos eleitos!
Três vezes finalista da Copa do Mundo : é seguro dizer que Messi produziu diversas performances incríveis nos momentos mais importantes para a sua seleção. Entretanto, não é surpresa que as maiores performances do argentino no torneio mais importante tenham vindo em 2022, quando finalmente levantou o tão cobiçado troféu.
Naquele torneio, a Argentina iniciaria sua campanha perdendo para a Arábia Saudita , antes de se recuperar e vencer México e Polônia para fechar a fase de grupos. Apesar de ter anotado dois gols nessa etapa da competição, Messi só atingiria as melhores performances da carreira quando chegasse o mata-mata. A partir daí, a eleição se torna mais difícil.
Lionel e a Argentina enfrentaram, em ordem: Austrália (vitória por 2 a 1), Holanda (empate em 2 a 2 e classificação nos pênaltis), Croácia (vitória por 3 a 0) e a França (empate por 3 a 3 e vitória nos pênaltis) na grande final. Nessa sequência, Messi faria cinco gols e ainda distribuiria duas assistências, tendo pelo menos duas colaborações em três dos quatro jogos.
Então, qual partida entre essa sequência insana? Para os argentinos, a resposta é óbvia. Contra a Austrália, nas oitavas, Messi abriu o placar e foi fundamental para a vitória. Contra a Croácia, nas semifinais, converteu um pênalti e deu uma assistência formidável para Julián Alvarez depois de driblar Josko Gvardiol . A final contra a França teve o peso máximo do resultado. Lionel marcou dois gols, converteu na disputa de pênaltis e ergueu sua primeira Copa do Mundo da carreira.
No entanto, a partida contra a Holanda reúne outro tipo de valor: a genialidade, o confronto, o medo de perder tudo e a capacidade de seguir em frente coexistiram na mesma noite. A escolha sempre será subjetiva, mas esse jogo é, por si só, um resumo da carreira de Messi. Baseia-se no futebol que ele apresentou, no adversário que enfrentou e no que essa atuação deixou na memória coletiva.
Messi jogou naquela noite como se estivesse iluminado. Havia uma aura que o acompanhava desde o primeiro minuto. Mas algo aconteceu: ele passou de extraordinário a carismático. De reconhecido a ídolo sem igual. Seu talento já estava à mostra há anos. Em Lusail, também ficaram à mostra seu nervosismo, sua raiva e sua maneira de assumir o controle de um jogo de futebol.
Por isso, o “Vai pra lá, bobo” sobreviveu à partida. Foi uma frase espontânea que o torcedor adotou como lembrança de algo muito maior: a noite em que sentiu que Messi estava travando a mesma luta que ele. Nove dias depois, naquele mesmo estádio, ele ergueu a Copa do Mundo.
Se a eleição da melhor partida da carreira de Messi se resumiu à Copas do Mundo, a decisão do gol mais bonito também não fugirá disso. Dos 125 tentos anotados pelo argentino, 21 deles foram na competição -- o colocando em segundo do ranking, atrás apenas do jovem Kylian Mbappé , com 22.
Seus torneios mais artilheiros foram, com sobras, os dois últimos. Em 2022, balançou as redes sete vezes. Em 2026, superou a marca e anotou oito tentos. Mas essas duas campanhas passam longe de serem as únicas que guardam golaços de Messi, que anotou seu primeiro ainda em 2006.
Dentre tantas campanhas, Lionel Messi estava verdadeiramente inspirado. Para essa eleição, dois tentos do campeonato sediado no Brasil foram considerados: contra Bósnia e Hezergovina e contra o Irã , ambos na fase de grupos. O primeiro lance viu o argentino driblando alguns oponentes antes de acertar um chutaço de canhota da entrada da área. O segundo foi um míssil de ainda mais longe que morreu no ângulo. Em 2022, seu destaque veio contra a França. Em 2026, contra o Egito . Mas nenhum desses tentos foi o selecionado.
Em 2018, Messi marcou apenas uma vez: contra a Nigéria , na fase de grupos. Mesmo assim, isso foi o suficiente para anotar o mais belo gol de toda a sua carreira com a albiceleste .
Em 26 de junho de 2018, em São Petersburgo, Messi abriu o placar aos 14 minutos. Lionel atacou o espaço pela direita. Teve que calcular a trajetória da bola em plena corrida e manter a vantagem sobre Kenneth Omeruo, que estava colado nele. O primeiro toque, com a coxa esquerda, amorteceu a bola. O segundo, com o pé do mesmo lado, direcionou-a para a finalização. O terceiro foi o chute cruzado de direita que não deu chances a Francis Uzoho.
O gol teve um passe que exigia um domínio difícil, um controle em corrida e uma finalização com o pé direito. Tudo ocorreu sob a pressão de uma partida decisiva. A Argentina precisava vencer a Nigéria para se classificar para o mata-mata após empatar com a Islândia e perder para a Croácia.
Messi transformou essa soma de exigências em uma sequência que se aprecia do início ao fim. Outros gols ficaram associados a times mais felizes, a vitórias mais grandiosas ou ao momento de erguer uma taça. Este manteve seu brilho em meio a um torneio sombrio.
A Argentina da Rússia 2018 teve muitas perguntas sem resposta. Messi respondeu a uma delas com a coxa, o pé esquerdo e o pé direito. Foi, sem dúvida, um traço de um gênio solto em meio ao caos.