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Nesta quarta-feira começam as quartas de final da Copa do Brasil, e vou contar uma história que vivi em campo num confronto contra o Athletico-PR. Em 1984, pela última rodada da 3ª fase do Campeonato Brasileiro, Corinthians e Athletico-PR se enfrentaram para decidir uma vaga do grupo para a 4ª fase, que já seria a de confronto eliminatório em duas partidas. O jogo foi às 21h30 do dia 25 de abril de 1984, no Morumbi, e estávamos bem desfalcados. O treinador Jorge Vieira teve que se virar para escalar o time. O Magrão (Sócrates) e o volante Paulinho estavam machucados, e Zenon, Biro-Biro e o lateral Edson estavam suspensos, sendo que, naquela época, os elencos eram curtos. Mesmo com cinco desfalques importantes e com o nosso meio de campo todo reserva, conseguimos dominar totalmente a partida, sem sofrer nenhum risco, e já no primeiro tempo decidimos o jogo. Vencemos por 2 a 0, com dois gols meus, sendo o primeiro logo aos 4 minutos, de pênalti, e o segundo de cabeça, aos 31, depois de um ótimo cruzamento do lateral Ronaldo, que era meu companheiro desde o início na base. Fizemos um jogo bem agressivo, marcando a saída de bola lá em cima, porque já era uma característica do Corinthians da Democracia Corinthiana desde 1982. Fazer pressão era uma arma que surpreendia, porque o jogo daquela época era um pouco mais cadenciado, e quando uma equipe colocava mais intensidade, dificultava muito para o adversário. O Furacão já era, naquela época, um clube organizado e começava a formar times nacionalmente importantes, disputando o Campeonato Brasileiro e batendo de frente com os principais times dos anos 80. Naquela noite, as equipes jogaram assim: Corinthians: Carlos; Ronaldo, Mauro, Juninho e Wladimir; Wagner, Luis Fernando e Dicão; Ataliba, Casagrande e Eduardo. Técnico: Jorge Vieira. Athletico-PR: Rafael; Sóter, Augusto, Oliveira e João Luís; Mossoró, Vânder e Nivaldo; Capitão, Amauri e Renato Sá (Binga). Técnico: Paulo Sérgio Poletto. O interessante foi que na 4ª fase pegamos o Flamengo e fizemos dois confrontos memoráveis, mas essa história fica para outra oportunidade. Obs: Naquela época, não existia a Copa do Brasil. Já o jogo de hoje à noite é totalmente diferente porque os tempos são outros e vale pela Copa do Brasil. O gramado da Arena do Furacão é artificial, o que deixa o jogo mais rápido, mas apesar disso e do total apoio da belíssima torcida do Athletico, o Corinthians é favorito para a classificação. A diferença de receita e de elenco é muito grande. O Corinthians não está bem, mas joga na Série A do Brasileiro, enquanto o Athletico está mal na Série B. Nesse ponto que a diferença técnica fica significativa. Dorival Jr possivelmente terá a volta de Memphis Depay, que é um reforço de peso. Eleva o nível técnico do time e a capacidade criativa, que também é uma das deficiências do elenco. A garotada deu conta do recado no último domingo contra o Vasco, e a tendência com o Memphis em campo é que eles fiquem mais soltos. Já do lado do experiente e muito bom treinador Odair Hellmann, a coisa não está nada legal. Seu time está em 12º lugar na Série B com 30 pontos e bem distante dos três primeiros colocados: Goiás (45), Coritiba (43) e Chapecoense (40), mas só a seis pontos de Criciúma e Novo Horizontino, que estão com 36. Mas não era o que a torcida esperava do Furacão porque a expectativa era que voltaria para a Série A nadando de braçadas. Por tudo isto e ainda por jogar a segunda na Neo Química Arena, o Corinthians é o grande favorito para chegar a semifinal da Copa do Brasil.