Conteúdo Original
Esporte Futebol Por que Flamengo x Palmeiras se coloca como maior rivalidade brasileira Danilo Lavieri e Igor Siqueira Do UOL, em Lima e no Rio de Janeiro 29/11/2025 05h30 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Abel Ferreira (agachado) e Filipe Luís (em pé) terão muitos problemas para escalar Palmeiras e Flamengo no fim de semana Imagem: Gilvan de Souza / Flamengo A segunda final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras nesta década é só mais um capítulo de um contexto maior. A rivalidade entre os dois times extrapola uma mera rixa Rio-São Paulo e ganha contornos nacionais, no palco continental, com a bola rolando a partir das 18h (de Brasília). Não é segredo. São os dois principais times em termos de receitas: ambos na casa do bilhão. A partir disso, conseguem montar times competitivos. E assim, estabelecem um ciclo consistente de briga por títulos desde 2016, com raros hiatos de um ou outro mais distante do ponto mais alto do pódio. Daniela Lima Moraes condena omissão da cúpula da PMDF no 8/1 Wálter Maierovitch Moraes cria desarmonia ao opinar sobre Messias Sakamoto Refit, Master: centrão pode ir à cadeia com delações Josias de Souza Perseguição a Messias desmoraliza o Senado O futebol brasileiro já teve fortes rivalidades interestaduais. Santos x Botafogo na era de Pelé e Garrincha, Flamengo x Atlético-MG no início dos anos 1980 e Grêmio x Palmeiras na década seguinte. Mas o Flamengo x Palmeiras atual tem projeção de se estender por bem mais tempo. Classificação e jogos libertadores Qual o motivo? A reestruturação financeira dos dois, praticamente concomitando no início da década de 2010 — ainda que tenha sido de formas diferentes — é o que dá robustez aos passos rumo aos troféus. Se um lado já produziu e vendeu muito bem Paquetá, Vini Jr e até Reinier, o outro tornou a base ainda mais rentável com Endrick, Estêvão, Luís Guilherme e Vitor Reis. Abel Ferreira se notabilizou por saber trabalhar com esses talentos e aproveitou para destacar como toda essa organização faz diferença na coletiva de imprensa que deu ontem. "Os dois se organizaram internamente, têm processos muito bem definidos, grandes jogadores, gestões profissionais e são capazes de comprar e vender jogadores. Equipes com saúde financeira também. Ao longo dos anos, eu peguei o Palmeiras numa fase boa, mas o Flamengo também passou por um período conturbado. Só melhorou quando organizou, quando foi profissional. Temos que profissionalizar, gente competente em todas as estruturas", falou o comandante palmeirense. Continua após a publicidade "O Palmeiras tem uma visão, o Flamengo tem outra, mas no final o objetivo das duas é o mesmo. Filosofias diferentes, mas estruturas profissionalizadas e gente competente. Só assim é possível que equipes possam estar no nível dos melhores clubes europeus, pela sua organização", completou. No âmbito doméstico, o Palmeiras passou a ter o Flamengo como principal concorrente pelos títulos nacionais pelo derretimento dos rivais paulistas. O Corinthians vive uma crise financeira e administrativa que deixa o clube mais perto de escândalos e transfer bans do que de troféus importantes. O São Paulo deixou de ser a potência do início dos anos 2000, também está apertado financeiramente e tem como memória mais recente o 6 a 0 que levou do Fluminense. Retrato de anos de definhamento. O Santos flerta seriamente com o rebaixamento, apesar da volta de Neymar. No Rio, por mais que o atual campeão da Libertadores seja o Botafogo e o anterior, o Fluminense, os dois não conseguem se equiparar economicamente ao Flamengo. Daí, a disparidade técnica — que eventualmente é compensada em campo por algum enredo específico de cada clássico. Ao longo dessa história recente, vários episódios dentro e fora de campo ajudam a reforçar a grandeza do confronto deste sábado, em Lima. Os dirigentes colaboraram para isso. Sobretudo porque de um lado está Bap e do outro Leila Pereira. Ninguém leva desaforo para casa. Os dois são bons frasistas e não se abstêm de rebater ou fazer provocações, quando acham pertinente. Leila este ano já cunhou o "terraflanismo" que virou lema provocativo no outro lado. Bap já disse que a Libra é verde. Sem contar a gritaria de diretores de futebol e técnicos a respeito de arbitragem. Até o governador do Rio, Claudio Castro, teve o seu momento na briga entre eles. O político tentou entrar no vestiário do Flamengo com seu filho no Allianz Parque e foi impedido. No jogo no Maracanã, foi a vez de Leila Pereira alegar que o governador proibiu a sua passagem em frente ao camarote dele no estádio e disse que aquilo era uma vingança. Continua após a publicidade Pela longevidade à frente do Palmeiras, Abel Ferreira também virou um rosto dessa rivalidade entre os dois. Filipe Luís classifica o português como melhor técnico do Brasil, pelos títulos que conquistou. Mas quer contar a própria história a partir da final de hoje. No Brasileirão, está perto do troféu e em vantagem de cinco pontos. Arbitragem? Segundo Filipe, disso o Palmeiras não pode reclamar. Se o "Palmeiras não tem Mundial" para os flamenguistas, o "cheirinho" é a esperança dos palmeirenses — quem não se lembra da vez que a delegação do Palmeiras fez esse sinal em frente a uma loja do Fla no Aeroporto Santos Dumont, no Rio? E não dá para ignorar o fator Andreas Pereira nesse enredo. Vilão do Fla em 2021, ele hoje veste verde. A rivalidade entre as torcidas, aliás, é antiga. As organizadas têm problemas de relacionamento por causa de alianças externas. A do Flamengo, por exemplo, tem união com a do São Paulo e Cruzeiro. A do Palmeiras, por sua vez, é amiga do Vasco e do Atlético-MG. Isso, claro, já gerou brigas, como a de 2016 no Mané Garrincha, em jogo do Brasileirão. Em Montevidéu, em 2021, e agora em Lima, torcedores também partiram para o confronto, mas com menos gravidade. Pela consistência dos dois projetos, o jogo no Monumental de Lima não será o último embate direto e relevante entre Palmeiras e Flamengo. E a rivalidade só tende a aumentar e ficar ainda mais concentrada nos dois com a disparidade criada com os demais. Tudo sobre a decisão No sábado, a partir das 16h, o Posse de Bola Especial, com Eduardo Tironi, traz as últimas notícias antes da final e análises de Arnaldo Ribeiro, José Trajano, Juca Kfouri, Danilo Lavieri e Mauro Cézar Pereira —os dois últimos direto de Lima —sobre as possibilidades de título de Flamengo e Palmeiras. Continua após a publicidade Depois do jogo, é a vez do Fim de Papo Especial, com Domitila Becker, que trará entrevistas, bastidores e análises de Casagrande, Fabiola Andrade, José Trajano e Alicia Klein, além do ambiente da final com enviados a Lima. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Brasileirão: veja gols e melhores momentos dos jogos de sexta da 36ª rodada Médico é indiciado por morte de bebê de 35 dias durante consulta no ES Pai de Isabel Veloso desabafa sobre filha na UTI: 'O que sinto é esperança' Quem é Osvaldo Nico, novo secretário de segurança pública de São Paulo Vasco goleia em jogo de mais de 3 horas, e Inter pode terminar rodada no Z4