Conteúdo Original
Futebol Quem pode substituir patrocínio máster dos clubes após veto às bets? Guilherme Padin Do UOL, em São Paulo 01/10/2026 05h30 Deixe seu comentário Alan Patrick, do Internacional, em ação contra o Grêmio, pela Copa do Brasil Imagem: Ricardo Duarte/Internacional Caso a MP do veto às bets seja aprovada pelo Congresso, os clubes brasileiros precisarão correr contra o tempo para fechar novos patrocinadores máster. Em um cenário em que crises financeiras e dívidas altíssimas assolam os grandes do país , cada mês sem as verbas de patrocínio agrava ainda mais um ambiente já enfraquecido. Para especialistas do marketing no futebol nacional ouvidos pela reportagem, é unânime a avaliação de que não há segmento no mercado capaz de igualar os valores oferecidos pelas casas de apostas nos últimos anos. Para se ter uma ideia, o setor era, neste ano, responsável por um terço do valor investido nas equipes da Série A. Portanto, além do corte abrupto nas receitas, os clubes devem encontrar uma conjuntura em que, muitas vezes endividados, terão de aceitar cifras significativamente inferiores às recentes. Tatiana Farah A última cartada de Lula contra Flávio Sakamoto Post de Nikolas sobre Lula é campanha suja Josias de Souza Flávio ensaia perguntas para o púlpito vazio de Lula Matheus Pichonelli Candidatos nanicos adotam discurso de time rebaixado "Nenhum segmento em nenhum momento da história do futebol brasileiro chegou perto [do que as bets injetaram]", afirma Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo. Classificação e jogos Brasileirão Quem pode chegar? Se não há empresa ou setor disposto ou capaz de pagar tanto quanto as casas de apostas, como disseram os especialistas do marketing consultados pelo UOL , os clubes já precisam se preparar para aportes inferiores. Diante desse cenário, alguns setores em comum são citados pelos especialistas como candidatos a ocupar o patrocínio máster dos clubes no país: financeiro (bancos e fintechs), automotivo, varejo, farmacêutico e de alimentos e bebidas não alcoólicas. Em menor frequência, empresas de tecnologia, dados e inteligência artificial também compõem a lista. "Temos alguns [segmentos que podem substituir]: bancos digitais, empresas de tecnologia, dados, IA, mas não sei que serão capazes de manter os valores pagos pelas bets. Eu apostaria na lei de mercado, ou seja, uma tendência de queda, pelo menos no primeiro momento", afirma Rafael Plastina, CEO da Sport Track, agência de inteligência estratégica ligada ao marketing esportivo. "Pode-se pensar no mercado financeiro, que tem necessidade de confiança e capacidade de investimento. E também tecnologia e plataformas digitais, que podem transformar o patrocínio em uma aquisição mensurável, e-commerce", aponta Idel Halfen, economista e ex-vice-presidente de marketing do Fluminense. Continua após a publicidade Uma empresa do ramo de entretenimento adulto já surgiu como candidata a patrocinadora do Corinthians - e também mirou o Flamengo , que negou a abordagem. Os especialistas observam esses primeiros movimentos com cautela. "Se posicionar no sentido de patrocinar o futebol nesse momento é também uma grande oportunidade midiática", afirma Rafael Plastina. De forma mais ampla, para além dos setores com força para uma substituição gradual, há uma tendência natural de empresas que buscam a chamada brand awareness (ou visibilidade de marca), ponderou Eduardo Corch, consultor de marketing e professor do Insper: "Qualquer categoria que precise de visibilidade de marca é candidata natural a apresentar proposta. Mas essas marcas dificilmente igualarão os valores das casas de apostas. O dilema é aceitar ou não aceitar." Em contato com a reportagem, o diretor de marketing de um clube grande paulista tem o mesmo julgamento e cita a presença recente de montadoras chinesas no Brasil, como a GAC, a Leapmotor e a BYD. "São empresas que buscam autoridade no exterior, procuraram o Brasil e fecharam contratos este ano", disse. Em um contexto em que ainda se espera a votação da MP, o mesmo dirigente aponta patrocínios pontuais, como ativações específicas para a Black Friday no mês que vem. Continua após a publicidade Poucos têm estrutura: clubes precisam cuidar dos patrocínios Os profissionais ouvidos pelo UOL entendem que os clubes brasileiros precisam compreender melhor e ampliar a ideia do que significa o patrocínio a uma equipe. Idel Halfen pontuou que é necessário "cuidar para que aquela marca converse com a tua. Não pode ser uma marca qualquer". Já Fábio Wolff destacou que patrocinar vai além de apenas colocar uma marca na camisa, é preciso que ambos os lados se entendam. "Os patrocínios que viram cases são quando o patrocinado enxerga o patrocinador como parceiro de negócio. E, como parceiro, tem que entender o negócio da empresa e onde ela quer chegar como patrocínio", afirmou. Continua após a publicidade Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por UOL (@uoloficial) 'Sem precedentes': o tamanho do buraco Os especialistas lembram que a dificuldade para os clubes brasileiros se reestruturarem se deve ao fato de que os valores injetados pelas bets para patrocínio foram sem precedentes. Saiu das casas de apostas R$ 1,03 bilhão de um total de R$ 3,07 bilhões investidos nos clubes da Série A. O Flamengo, por exemplo, recebe R$ 220 milhões anuais (fixos) de seu patrocinador, o Corinthians tem aporte de R$ 150 milhões, e o Palmeiras, de R$ 100 milhões. "As bets inflacionaram esse patamar", afirmou Plastina. Se tudo se confirmar, prosseguiu ele, os clubes ficarão pelo menos 120 dias no mercado simultaneamente, o que tende a derrubar os valores: Continua após a publicidade "Quanto às placas de publicidade, o cenário me parece ainda mais preocupante, pois a inflação das bets foi maior. Empresas compraram direitos para comercializar essas placas por fortunas. As bets não pediram reserva de mercado, ou seja, se encontram até cinco marcas de bets nas placas. É um crescimento estrondoso de investimento. Esse mercado vai sentir bastante". Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora 13º salário 2026: veja data para pagamento da 1ª e 2ª parcelas Resumo da novela 'Quem Ama Cuida' da semana: capítulos de 2/10 a 10/10 Prêmio da Lotomania acumula e sobe para R$ 7,5 milhões; confira dezenas Mexicano morre após pular sobre capô para impedir fuga de suspeitos no Rio Ex-rainha da Festa do Peão morre aos 26 anos após carro bater em árvore