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O grande destaque da seleção na noite de terça, em El Alto, foi a contribuição para a classificação da Bolívia à repescagem, garantindo aos donos da casa a oportunidade de voltar a uma Copa do Mundo depois de 32 anos. A 4.100 metros do nível do mar, os comandados de Ancelotti mostraram pouco futebol, como era de esperar. Os anfitriões deram a vida, os pulmões e usaram de todos os recursos possíveis para não deixar escapar a chance de uma geração. A CBF reclamou da altitude, da recepção, da arbitragem, dos gandulas, do céu e das estrelas, mas a seleção acabou mesmo com a sua pior campanha em Eliminatórias: um melancólico quinto lugar, dez pontos atrás da Argentina e empatada em pontos com Colômbia, Uruguai e Paraguai. Em outros tempos, antes de a Fifa abrir o Mundial para praticamente todas as nações, a posição teria significado a nossa ida para a repescagem. O quanto Carleto carrega de responsabilidade nessa história? Para mim, nenhuma. Não me incluo no time dos empolgados com o que se viu até agora — nem nas vitórias, que dirá na derrota nessas condições. Agora, se alguém achou que ele faria mágica, sem nunca ter atuado por aqui, o problema é de quem foi ingênuo. Aliás, a presença do italiano é provavelmente a única coisa nos separando de uma crise tão grande quanto a pobreza do nosso futebol. Por ora, ele personifica a esperança. Estamos nesta draga porque a Confederação achou por bem não ter um técnico definitivo, mesmo sabendo com grande antecedência que Tite não ficaria pós 2018. Topou Ramon Menezes. Topou dividir Fernando Diniz com o Fluminense. Topou Dorival Jr. Enquanto mais um presidente era defenestrado do cargo. Mas a culpa é do cara que chegou ontem da Europa? Ou do pênalti (bastante aceitável) marcado em El Alto? Ou mesmo da enorme cera, das bolas esvaziadas e arremessadas dentro de campo, da segurança ou do ar rarefeito? Não. A culpa é da CBF e sua absoluta incapacidade de planejar este ciclo. Ah, mas a geração não é tão boa quanto a de 2002 ou de 1994. Não temos Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Romário, Bebeto, Cafu e companhia. Fato. O que temos não deveria, no entanto, ser melhor do que o Paraguai ou o Equador? Ah, mas a AFA estava imersa no mais absoluto caos e a Argentina foi campeã em 2022. Sim, com Scaloni no cargo desde 2018. E Lionel Messi. Ah, mas o Neymar. Bom, o que dizer de quem ainda deposita esperança em Neymar? Invejável fé na humanidade. Resta-nos acreditar que Ancelotti e a geração que temos sejam capazes de superar os obstáculos colocados no seu caminho por quem deveria tê-lo pavimentado. Agora é esperar. Siga Alicia Klein no Se inscreva no Assine a