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Análise dos Times

Motivo: Mencionado como time que perdeu a partida analisada, sem viés explícito na narrativa.

Viés da Menção (Score: 0.0)

Motivo: Contextualizado historicamente com Diniz, sem viés direto no comportamento atual analisado.

Viés da Menção (Score: 0.0)

Motivo: Mencionado em relação a um artigo de Juca Kfouri, não relacionado diretamente à crítica a Diniz.

Viés da Menção (Score: 0.0)

Palavras-Chave

Entidades Principais

sao paulo vasco botafogo rojas mirassol fernando diniz red bull bragantino coutinho tche tche nuno moreira juca kfouri fabio carille vanderlei luxemburgo

Conteúdo Original

Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Fernando Diniz passou dos limites. Mais uma vez. Alicia Klein Colunista do UOL 30/01/2026 05h30 Deixe seu comentário Carregando player de áudio Ler resumo da notícia Fernando Diniz esbraveja durante clássico entre Vasco e Botafogo, pelo Brasileirão Imagem: Jorge Rodrigues/AGIF Em janeiro de 2021, escrevi nesta coluna sobre o descontrole de Fernando Diniz no São Paulo, especificamente sobre a maneira como ele tratava seus jogadores. Ontem, na partida que terminaria com a derrota do Vasco para o Mirassol, o técnico perdeu a cabeça. De novo. Na parada técnica, esbravejou, histérico, enfurecido, com o dedo em riste, as veias saltando e a voz rouca de tanto desespero: "Você (Nuno Moreira) não quer jogar? Você tá parado! Você (Rojas) tá parado! Coutinho não tá descendo para jogar! Assim não tem como jogar, se não vamos só chutar. Está parado! Agora mesmo nós perdemos (a bola) e você (Nuno) tava aqui, aqui, aqui, aqui, aqui. Você (Rojas) a mesma coisa. Como que vai jogar? Aí o time só vai chutar. Aí vocês vão reclamar que o time só chuta, como vocês reclamavam com o outro técnico (Fábio Carille), caralho! Baixa pra jogar. Vai dentro da área, vai se foder. Vai dentro da bola!" Nuno Moreira tentou se defender, dizendo que não tinha feito nada. Diniz retrucou, furioso: "Ah, o quê? Você não fez nada mesmo. Nada! É para você fazer, é para você jogar. Porra! Caralho! Ninguém quer ganhar essa merda desse jogo! Tomar no cu!" Notem que a descompostura não aconteceu nos vestiários. Ele expôs seus comandados, mandando todo mundo se foder, ali mesmo, no campo, com as câmeras e os microfones ligados, para geral ouvir. Juca Kfouri Botafogo goleia o favorito e lidera o Brasileirão Sakamoto Kassab vence a rodada no vazio da direita Josias de Souza Omissões significam mais que explicações de Toffoli Letícia Casado Submissão custa projeto eleitoral de Tarcísio Na coletiva, Diniz se defendeu: "Em relação às discussões, eu sou um cara que é assim, não é novidade para vocês. A maneira de eu cobrar os jogadores, eu sou duro, mas eu sou muito amoroso. Muito mais do que vocês imaginam. O que eu faço é pro jogador produzir mais. Os jogadores aceitam isso, porque eles sabem que eu faço pro bem deles. E, eventualmente, se eu passar do ponto e errar, eu peço desculpas. E eu vou errar uma hora". Claramente, ele não acha que essa hora foi agora. Parece acreditar, porém, que a agressão verbal é uma maneira apropriada e saudável de demonstrar cuidado. Algumas coisas mudaram nos últimos cinco anos. Entre outras, Diniz foi campeão da Libertadores e técnico da seleção brasileira. Mas seu comportamento e minha opinião sobre este assunto permanecem inalterados: Seu chefe mandou você se f****. E aí? A discussão de ontem entre Fernando Diniz e Tchê Tchê deveria acender um alerta no futebol. Precisamos parar de normalizar situações extremas sob a justificativa de que é um povo tão bem remunerado, que não tem direito a reclamar na gerência. Imagine-se no seu ambiente de trabalho. A chefia está insatisfeita com sua performance, quer discutir suas entregas. Você rebate e é ignorado, então questiona: "Não posso falar com você?" Ao que a chefia responde, cuspindo na sua cara: "Não pode mesmo! Seu ingrato do caralho, seu perninha do caralho, seu mascaradinho. Vai se foder." Ah, mas foi coisa de escritório, é o jeito de cobrar, conversaremos internamente, era só pra motivar. Não. É assédio. Ponto. Continua após a publicidade Diniz, formado em psicologia (!), é só mais um numa linhagem de treinadores que "cobram" os atletas pública e violentamente (escola Vanderlei Luxemburgo de xingamento motivacional). Só para esclarecer: não estou sugerindo que palavrões sejam banidos, que o técnico permaneça em silêncio durante 90 minutos ou que peça por obséquio para o volante fazer a gentileza de, se possível, se não for incômodo, a fineza de se posicionar da maneira correta para, com graça, marcar o atacante adversário. Mas existe um abismo entre gritar na beira de campo para acertar o time, de fato cobrar desempenho de uma pessoa da sua equipe, e mandar que ela se foda. Não só é desnecessário como pode se mostrar nefasto. Tchê Tchê acabou expulso contra o Red Bull Bragantino, num lance idiota, de descontrole. Nada a ver com o embate com o chefe? Será? Claro, o São Paulo lidera o campeonato desde o início de dezembro, então questionar o estilo de gestão de Diniz não é algo simples. No papel, ele não tem o melhor elenco e, apesar das críticas sobre sua falta de versatilidade e alguma instabilidade em momentos decisivos, o tricolor está cada vez mais próximo do título que encerrará um longo jejum de júbilos. Atropelou grandes rivais, em vitórias inquestionáveis. O receio é justamente que bons resultados sigam justificando comportamentos abusivos, como há muito é o caso no esporte. São dezenas de denúncias no universo olímpico, décadas de crianças destruídas psicologicamente em nome de algumas medalhas. Por que aceitar no esporte algo que não toleraríamos fora dele? Porque os salários são obscenos? Qual o limite então, dependendo do soldo: ofensa verbal, tapa na cara, cusparada, arremesso de objetos? O mundo já está violento demais. No campo ou fora dele, chega de agressão. 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