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Análise dos Times

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Entidades Principais

Cortina d'Ampezzo Milão-Cortina Pat Burgener Carlos Nobre Jaqueline Mourão Emilio Strapasson Bormio Livigno

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Impactos das mudanças climáticas são sentidos nos esportes das Olimpíadas de Inverno O que acontece quando o elemento essencial do espetáculo começa a desaparecer? No esporte, o impacto dessa situação, causada pelo Aquecimento Global, é especialmente sentido nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026, que a Itália receberá a partir da próxima sexta-feira. Essa transformação é bem evidente no Norte da Itália, região que vai abrigar a maioria das modalidades nestas Olimpíadas de Inverno. Um consórcio de pesquisadores europeus investigou a quantidade de neve que incidiu sobre essa área, os Alpes, nos últimos 100 anos. E o problema ficou evidente: 34% menos neve em um século. Por conta disso, não é mais possível conseguir mais sediar uma edição dos Jogos de Inverno apenas com neve natural. Entra em cena, então, a confecção da neve artificial. Serão 2 milhões e meio de metros cúbicos só para Milão-Cortina, cerca de 80% do total de neve utilizada, sobretudo em Bormio, palco das provas de esqui alpino, e, em Livigno, para as disputas de esqui freestyle e snowboard. A produção maciça de material artificial tem um custo ambiental. Serão utilizados 946 milhões de litros de água, o equivalente a 380 piscinas olímpicas de natação. 1 de 4 Canhão de neve artificial é utilizado em área dos Jogos de Inverno Milão-Cortina 2026 — Foto: Claudia Greco/File Photo/Reuters Canhão de neve artificial é utilizado em área dos Jogos de Inverno Milão-Cortina 2026 — Foto: Claudia Greco/File Photo/Reuters Cortina d'Ampezzo já recebeu os Jogos de Inverno, em 1956. Tudo foi feito com neve natural. Agora, exatos 70 anos depois, o cenário é bem diferente. Para montar o percurso que os esquiadores descem nas montanhas geladas, por exemplo, é preciso de uma base de neve de 35 centímetros de profundidade. + Globo terá cobertura multiplataforma nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 + Trenó do bobsled do Brasil nas Olimpíadas de Inverno terá pintura especial com seis estrelas; veja + "Diário de Inverno" será o programa especial do sportv para os Jogos Olímpicos de Inverno + Lucas Pinheiro fica em 4º na Copa do Mundo da Áustria e perde ponta no ranking do slalom Das 93 montanhas que já receberam provas olímpicas desde a primeira edição dos Jogos de Inverno, em 1924, apenas 52 teriam neve suficiente para receber a competição em 2050, de acordo com um estudo liderado por cientistas canadenses. Ou seja, a cada ano, menos locais são frios o suficiente para abrigar esse tipo de evento. Por isso, quem frequenta os ambientes de competição se adaptou a ver isso aí: canhões que produzem neve a toque de caixa. - Quando a temperatura do ar sobe, você forma chuva, não forma neve. Em todo planeta existem eventos extremos de aumento de secas. E esse é um segundo fator que diminui a quantidade de neve produzida - afirmou Carlos Nobre, meteorologista e pesquisador. Grande nome do Brasil no snowboard halfpipe, Pat Burgener também ressalta que o impacto do aquecimento global é evidente. Mas, que, por conta da possibilidade de produção de neve artificial, a prática da sua modalidade ainda está garantida nas competições. - Impacta muito, porque todo ano vai ficar ainda mais quente e não temos mais muita neve nas montanhas. Temos o suficiente para andar de snowboard no Inverno, porque tem máquina de neve. Eu vejo essa mudança desde pequeno. Na montanha vai ser mais difícil, mas para o half ainda tem como praticar, por causa das máquinas - disse o atleta de 31 anos, que trocou a bandeira suíça pela brasileira no ano passado e vai brigar por medalha em Milão-Cortina. 2 de 4 Pat Burgener vibra após apresentação em etapa da Copa do Mundo de snowboard halfpipe, na China — Foto: Lintao Zhang/Getty Images Pat Burgener vibra após apresentação em etapa da Copa do Mundo de snowboard halfpipe, na China — Foto: Lintao Zhang/Getty Images O cenário de escassez também provoca mudanças nos calendários. A janela para disputar campeonatos de inverno está cada vez menor. Se a neve derrete rápido, o desempenho dos atletas é comprometido. As pistas de esqui ficam lenta, as rampas e obstáculos, usados em diversas provas, se tornam escorregadios e perigosos. Assim, muitas vezes, torneios acabam cancelados. Uma realidade que Jaqueline Mourão, que representou o brasil em cinco edições dos Jogos de Inverno, viveu ao disputar provas de esqui cross country neste ciclo olímpico. - É um esporte muito bonito mas como você vai fazer sem neve? Depende da neve. Já tiveram várias provas canceladas por falta de neve. A mudança é bem real ali pra gente - disse Jaqueline, que acabou ficando sem vaga olímpica por pouco nesta edição . 3 de 4 Cortina vai utilizar bastante neve artificial nos Jogos de Inverno — Foto: Fabrizio Bensch/Reuters Cortina vai utilizar bastante neve artificial nos Jogos de Inverno — Foto: Fabrizio Bensch/Reuters Esportes de gelo também sofrem Mesmo competições disputadas no gelo, em ambientes mais controlados, não escapam dos efeitos do aquecimento global. Como, por exemplo, o caso do bobsled, a Fórmula 1 das Olimpíadas. Nele, quatro atletas descem uma pista de gelo num trenó acima 150 quilômetros por hora. No passado, essas pistas tinham inclusive áreas abertas, de contato com o ambiente. Hoje, precisam ser cobertas. E, mesmo assim, o calor é capaz de derreter o gelo e estragar a disputa. Foi o que aconteceu no Mundial do ano passado, disputado nos Estados Unidos. - O sol estava incidindo na pista, a pista ficou muito fina, e a lâmina do trenó passou no concreto. E aí desconsideram aquela descida, de todo mundo. Ou seja: afeta diretamente até a própria competição - comentou Emilio Strapasson, chefe da missão brasileira nos Jogos de Milão-Cortina 2026. O Comitê Olímpico Internacional (COI) se diz atento a esse problema. A entidade estabeleceu padrões de sustentabilidade e metas de redução de poluição para preservar o futuro das competições. 4 de 4 Funcionários da organização de Milão-Cortina 2026 trabalham para reduzir impactos do Aquecimento Global — Foto: Fabrizio Bensch/Reuters Funcionários da organização de Milão-Cortina 2026 trabalham para reduzir impactos do Aquecimento Global — Foto: Fabrizio Bensch/Reuters