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Análise dos Times

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Rio Branco Acre Comitê Paralímpico Brasileiro Amazonas Iandra Reis Francisca Alexandra Nilton Pontes Ufac

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Paratleta usa açude para treino em área rural de Rio Branco A paratleta amazonense Iandra Reis, 17 anos, é moradora da zona rural de Rio Branco, capital do Acre. Diagnosticada com hidrocefalia aos 14 anos, ela perdeu a visão em três meses e encontrou no esporte, mais precisamente na natação, uma nova razão para viver, superando dificuldades, vencendo desafios e passando a colecionar medalhas e alegrias. 1 de 8 Iandra Reis é natural do Amazonas e mora no Acre desde a infância — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre Iandra Reis é natural do Amazonas e mora no Acre desde a infância — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre – Logo quando eu perdi a visão passei um tempo isolada em casa porque não podia sair, não conseguia sair e nem queria fazer nada – relembra a paratleta, que nasceu no estado do Amazonas e se mudou para o Acre ainda na infância. Apaixonada por literatura, ela usa o celular para escrever histórias com auxílio de um leitor de telas. A prática da modalidade esportiva iniciou há três anos, após indicação de uma professora. 2 de 8 Iandra Reis, paratleta deficiente visual passou a praticar natação há três anos — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre Iandra Reis, paratleta deficiente visual passou a praticar natação há três anos — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre – Foi o esporte que me ajudou a retomar a minha vida. Com o esporte alcancei coisas que eu nem pensava que podia fazer um dia – diz. Iandra treinou, competiu e já conquistou medalhas em um campeonato estadual e em um regional. – Conquistei novos amigos, pessoas maravilhosas que me ajudaram a superar minha deficiência – ressalta. 3 de 8 Iandra Reis ao lado da mãe, Francisca Alexandra — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre Iandra Reis ao lado da mãe, Francisca Alexandra — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre E não é apenas a dificuldade da deficiência visual que a paratleta precisa superar. Para que ela tenha condições de treinar diariamente e evite se deslocar até o centro de treinamento, a família construiu, em 2025, um açude com 12 metros de largura e 25 metros de comprimento no terreno da propriedade. As raias foram improvisadas com garrafas pet. Inicialmente, a ideia era apenas armazenar água para os períodos de seca, mas a finalidade do espaço ganhou outro sentido. 4 de 8 Iandra Reis treina duas vezes por semana em açude no terreno de casa, na zona rural de Rio Branco — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre Iandra Reis treina duas vezes por semana em açude no terreno de casa, na zona rural de Rio Branco — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre – Conversando com o professor dela, ele perguntou se não teria como ela nada por aqui num açude, alguma coisa. Aí eu disse: tem, nós temos um açude lá em casa. Aí ele disse: não tinha como fazer um jeito para ela treinar o dia que ela não viesse para cá, dia que está chovendo, está melado e não dá para ela vir? E eu digo: tem! – recorda a mãe Francisca Alexandra. Os treinos no açude são realizados, pelo menos, duas vezes por semana. Outros três dias, Iandra treina no Centro de Referência Paralímpico, localizado a cerca de 20 km de distância, na Universidade Federal do Acre (Ufac). Para chegar ao Centro, a paratleta precisa andar por uma estrada de terra e pegar um ônibus escolar que a transporta até a Escola Jorge Kalume, localizada na Estrada do Barro Vermelho. Na escola, encontra o treinador Nilton Pontes, que a conduz até o Centro de Referência Paralímpico. 5 de 8 Iandra Reis usa transporte escolar para se deslocar para treinos — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre Iandra Reis usa transporte escolar para se deslocar para treinos — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre Diferente dos treinamentos no açude com raias improvisadas, Iandra tem no Centro de Referência a orientação do treinador em uma piscina semiolímpica de 25 metros, o que a aproxima da condição de treinamento de outros paratletas. 6 de 8 Iandra com o treinador Nilton Pontes, que ajuda no trajeto para chegar ao Centro de Referência Paralímpico, em Rio Branco — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre Iandra com o treinador Nilton Pontes, que ajuda no trajeto para chegar ao Centro de Referência Paralímpico, em Rio Branco — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre – Ela tem evoluído nos últimos três anos e pode evoluir muito mais. Mas, a dificuldade que ela tem de locomoção por morar em zona rural, infelizmente, atrapalha – destaca Nilton Pontes. Os treinos no açude com água barrenta ajudam na preparação para os trabalhos mais puxados na piscina. 7 de 8 Paratleta Iandra Reis treina em açude com 12 metros de largura e 25 metros de comprimento — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre Paratleta Iandra Reis treina em açude com 12 metros de largura e 25 metros de comprimento — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre – A principal coisa do açude estava relacionada ao condicionamento físico dela. Ela passava uma semana, duas, três sem treinar, quando voltava o condicionamento físico já estava muito baixo. Então, para recuperar demorava – conta o treinador. O Centro de Referência é fruto de iniciativa do Comitê Paralímpico Brasileiro e funciona em parceria com a Ufac e os governos estadual e municipal. Nele, a menina que cria romances no celular descobriu que também pode escrever a própria história com mergulhos e braçadas, seja nas águas turvas do açude ou nas claras da piscina. + 1ª etapa do Acreano de Natação está marcada para 28 de março; inscrições abertas + Esporte ajuda atletas do interior do Acre a superar dificuldades impostas pela vida 8 de 8 Aos 17 anos, paratleta já conquistou medalhas em competição estadual e regional — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre Aos 17 anos, paratleta já conquistou medalhas em competição estadual e regional — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre – A natação é justamente um dos motivos que tenho para levantar todos os dias. Eu penso na minha rotina, já conto meus dias que tenho treinos. Por mais que seja difícil chegar até aqui, isso não me influencia a querer parar ou desistir – destaca.