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Saiba como será o regulamento da Fórmula 1 na temporada de 2026 A Fórmula 1 é um esporte em constante evolução desde os primórdios - portanto, é da natureza da categoria renovar o regulamento de tempos em tempos, seja para introduzir novidades técnicas ou tornar as disputas mais competitivas. E embora a igualdade de forças seja uma tentativa incessante, algumas equipes ao longo da história conseguiram se sobressair em anos com grandes alterações e construir verdadeiras hegemonias. Acesse o canal de automobilismo do ge no WhatsApp Em geral, grandes mudanças no regulamento abrem margem para inovações técnicas e soluções criativas, com vantagens significativas para quem explora as regras com inteligência. É o que pode acontecer com as normas em vigor a partir deste ano – por isso, o ge mostra alguns exemplos nos quais as equipes de 2026 podem se inspirar. McLaren domina com Senna e Prost Hegemonia da McLaren Período Títulos de pilotos Títulos de construtores Vitórias Pódios 1988 a 1991 4 4 39 79 deslize para ver o conteúdo A hegemonia protagonizada pela McLaren no fim dos anos 80 e início dos anos 90 é uma das mais famosas da história da Fórmula 1, com Ayrton Senna e Alain Prost se tornando rivais dentro da equipe. A trajetória de sucesso se consolidou após o banimento dos turbocompressores em 1989, mas precisa começar a ser contada com um ano de antecedência. Vice-campeã da F1 em 1987, a McLaren chegou ao ano de 1988 com um carro que viria a se tornar lendário: o MP4/4. Embora as restrições aos motores turbo tenham sido totalmente introduzidas em 1989, o ano anterior já contava com muitas limitações em relação a esse sistema. 1 de 10
Ayrton Senna pilota a McLaren MP4/4 no GP do Brasil de 1988, no Rio de Janeiro — Foto: Getty Images Ayrton Senna pilota a McLaren MP4/4 no GP do Brasil de 1988, no Rio de Janeiro — Foto: Getty Images Por isso, a Honda – que substituía a Porsche como fornecedora do time a partir daquele ano – forneceu motores já pensados para lidar com essas limitações, enquanto outras equipes foram ainda mais ousadas e migraram completamente, antes mesmo da introdução das novas regras. O resultado foi impressionante: a McLaren venceu 15 das 16 provas da temporada e conquistou com (muita) folga o campeonato de construtores de 1988. No ano seguinte, o time inglês foi um dos primeiros a usar motores V10 na Fórmula 1. O MP4/5, carro de 1989, foi em grande parte baseado no seu antecessor e dominou mais uma vez, com dez triunfos em 16 corridas. 2 de 10
Ayrton Senna foi tricampeão da Fórmula 1 em 1991 pela McLaren — Foto: Getty Images Ayrton Senna foi tricampeão da Fórmula 1 em 1991 pela McLaren — Foto: Getty Images Mesmo com a saída de Prost em 1990, a McLaren se manteve como força dominante da Fórmula 1 e foi campeã de construtores não só naquele ano, mas também em 1991 – ano em que se tornou a última equipe até hoje a levar o título com motores V12. O domínio da McLaren só se encerrou em 1992, quando a Williams tomou as rédeas da categoria ao desenvolver o FW14B , icônico carro que contava com novidades tecnológicas como a transmissão semiautomática, suspensão ativa e controle de tração. Red Bull pega vácuo da novata Brawn GP Hegemonia da Red Bull Período Títulos de pilotos Títulos de construtores Vitórias Pódios 2010 a 2013 4 4 41 85 deslize para ver o conteúdo O ano de 2009 presenteou a Fórmula 1 com uma das maiores mudanças de regulamento da história. A começar pela aerodinâmica, com a redução da asa traseira, aumento da asa dianteira e proibição das aletas ao longo da carenagem. Além disso, foi introduzido um novo sistema de recuperação de energia cinética, o chamado KERS. As mudanças abriram brechas no regulamento, e três equipes chegaram à pré-temporada com a criativa solução do difusor duplo, que aumentava a velocidade com que o ar passa por baixo do carro e aumentava a pressão aerodinâmica. Quem mais se deu bem com isso foi a novata Brawn GP, que surpreendeu a todos e venceu seis das sete corridas do início daquele campeonato. 3 de 10
O infame difusor duplo, pulo do gato da Brawn GP para vencer os mundiais em 2009 — Foto: Darren Heath/Getty Images O infame difusor duplo, pulo do gato da Brawn GP para vencer os mundiais em 2009 — Foto: Darren Heath/Getty Images A intrusa nessa sequência foi a Red Bull , que ganhou na China e fazia bonito com o RB5 – um carro que inicialmente não tinha o difusor duplo e nem mesmo o KERS, mas ainda assim ocupava a vice-liderança do campeonato de construtores. O time finalmente introduziu seu difusor no GP de Mônaco e o atualizou na Inglaterra, o que levou a equipe a uma dobradinha. A Red Bull ainda venceria outras quatro provas até o fim daquele ano, mas não conseguiu tirar o título de construtores da Brawn. Tudo mudou a partir de 2010. O difusor duplo havia aparecido no carro de 2009 da Red Bull como uma solução improvisada, já que o time austríaco corria atrás dos rivais. No entanto, o competente pacote aerodinâmico do ano anterior foi aprimorado no novo RB6 , projetado por Adrian Newey com aumento do comprimento da parte traseira do carro, caixa de câmbio mais estreita e um difusor “soprado”, com os gases expelidos pelos escapamentos do motor. 4 de 10
Sebastian Vettel acelera modelo RB6 para chegar ao primeiro título mundial na F1 — Foto: Getty Images Sebastian Vettel acelera modelo RB6 para chegar ao primeiro título mundial na F1 — Foto: Getty Images O resultado foi imediato: com 15 pole positions em 19 provas, a equipe superou alguns problemas de confiabilidade e conquistou o título de construtores, com Sebastian Vettel como campeão entre pilotos. No ano seguinte, o RB7 amplificou o conceito do ano anterior e apresentou estabilidade ainda maior na traseira durante a frenagem e na entrada das curvas. Com 12 vitórias em 19 corridas, o time foi bicampeão de forma incontestável. Nem mesmo a proibição do difusor duplo e da solução encontrada por Newey impediram a Red Bull de manter o desenvolvimento aerodinâmico e chegar ao tetra, com títulos em 2012 e 2013. 5 de 10
Sebastian Vettel conquistou quatro títulos seguidos com a Red Bull — Foto: Jens Büttner/picture alliance via Getty Images Sebastian Vettel conquistou quatro títulos seguidos com a Red Bull — Foto: Jens Büttner/picture alliance via Getty Images Mas o destino faria com que uma nova mudança de regulamento mudasse os rumos da F1 mais uma vez. Mercedes domina a “era híbrida” Hegemonia da Mercedes Período Títulos de pilotos Títulos de construtores Vitórias Pódios 2014 a 2021 7 8 111 232 deslize para ver o conteúdo Em meio às diversas mudanças que o regulamento implementado pela F1 trouxe em 2014, a mais importante delas foi nos motores: os antigos V8 naturalmente aspirados foram trocados por V6 híbridos, com uma parte à combustão e outra elétrica. Neste contexto, a Mercedes saiu muito na frente das concorrentes. É claro que o carro batizado como W05 tinha um pacote aerodinâmico bastante refinado, mas o principal fator de superioridade da equipe alemã estava mesmo no motor – como o compressor e o turbo ficavam localizados em extremidades opostas do motor de combustão interna, o monoposto se tornou mais compacto e eficiente. 6 de 10
O lançamento do Mercedes W05, carro que dominou a temporada 2014 da Fórmula 1 — Foto: Andrew Hone/Getty Images O lançamento do Mercedes W05, carro que dominou a temporada 2014 da Fórmula 1 — Foto: Andrew Hone/Getty Images A capacidade era tanta que até as outras equipes equipadas com motores Mercedes (Williams, McLaren e Force India) passaram a brigar esporadicamente com Ferrari e Red Bull. Os alemães, por sua vez, nadaram de braçada: o time foi campeão de construtores, e Hamilton levou a taça entre os pilotos. Esperava-se que as demais equipes pudessem alcançar a potência do motor Mercedes, mas não foi o que aconteceu. Soma-se a isso a quantidade baixa de mudanças nos regulamentos dos anos seguintes, e a Mercedes seguiu dominante em 2015 e 2016, com títulos de Lewis Hamilton e Nico Rosberg, respectivamente. 7 de 10
Lewis Hamilton e Nico Rosberg garantiram sete títulos de pilotos para a Mercedes — Foto: Clive Mason/Getty Images Lewis Hamilton e Nico Rosberg garantiram sete títulos de pilotos para a Mercedes — Foto: Clive Mason/Getty Images Uma nova mudança de regulamento foi realizada em 2017. Em suma, os carros se tornaram mais rápidos, longos e com maior pressão aerodinâmica. O campeonato chegou a ficar mais apertado naquele ano, com Sebastian Vettel liderando parte da competição com a Ferrari. No entanto, a Mercedes se recuperou e chegou ao tetra consecutivo. A Mercedes manteve a superioridade sobre a Ferrari em 2018, com mais um título de construtores e o pentacampeonato de Lewis Hamilton. Com a perda de desempenho do time italiano em 2019 e 2020, as Flechas de Prata voltaram a sobrar e garantiram mais duas taças. 8 de 10
Lewis Hamilton comemora heptacampeonato no GP da Turquia de F1, em novembro de 2020 — Foto: Dan Istitene - Formula 1/Formula 1 via Getty Images Lewis Hamilton comemora heptacampeonato no GP da Turquia de F1, em novembro de 2020 — Foto: Dan Istitene - Formula 1/Formula 1 via Getty Images A equipe só se viu ameaçada em 2021, especialmente após o congelamento do desenvolvimento dos carros devido à pandemia de Covid-19. Embora tenha garantido o inédito octacampeonato consecutivo de construtores, o time viu Lewis Hamilton perder o título de pilotos para Max Verstappen, no controverso e emocionante GP de Abu Dhabi decidido na última volta. Red Bull larga na frente com “efeito solo” Hegemonia da Red Bull Período Títulos de pilotos Títulos de construtores Vitórias Pódios 2022 a 2024 3 2 47 76 deslize para ver o conteúdo A última grande mudança de regulamento antes da atual aconteceu em 2022, com o resgate do efeito solo, até então esquecido nos anos 80. A ideia era amenizar o impacto do chamado “ar sujo”, lançado para o carro de trás, o que em tese traria maior possibilidade de ultrapassagens. Quem se deu bem com as alterações foi a Red Bull, mais uma vez sob a batuta de Adrian Newey. Com um assoalho diferente das rivais, mudanças na suspensão e a tolerância em relação às mudanças de altura do monoposto – cruciais na administração de diferentes tipos de curvas – fizeram do RB18 uma potência aerodinâmica. 9 de 10
RB19 foi um dos carros mais dominantes da história da Fórmula 1 — Foto: Jared C. Tilton/Getty Images RB19 foi um dos carros mais dominantes da história da Fórmula 1 — Foto: Jared C. Tilton/Getty Images O carro chegou a estar 20kg acima do peso mínimo no início do ano, mas as reduções durante 2022 fizeram com que o time sobrasse no campeonato. Foram 17 vitórias no campeonato, que deram o bicampeonato a Verstappen e garantiram o primeiro título de construtores da equipe desde 2013. E se tudo parecia muito bom, ficou ainda melhor em 2023. A Red Bull focou em corrigir aspectos de dirigibilidade do bólido e conseguiu uma campanha quase perfeita, com 21 triunfos em 22 corridas. O tri dos austríacos deu ao time a maior pontuação de uma escuderia na história da Fórmula 1: 860 pontos. 10 de 10
Max Verstappen comemora o quarto título da carreira em Las Vegas — Foto: Mark Thompson/Getty Images Max Verstappen comemora o quarto título da carreira em Las Vegas — Foto: Mark Thompson/Getty Images Embora Max Verstappen tenha conquistado o tetracampeonato de pilotos em 2024, a equipe não conseguiu manter o desempenho dos anos anteriores: em crise interna, teve problemas com o funcionamento do segundo carro pilotado por Sergio Pérez e acabou em terceiro lugar na disputa entre equipes, atrás de McLaren e Ferrari, dando fim à hegemonia.