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Análise dos Times

Palavras-Chave

Entidades Principais

Japão Rafaela Silva Willian Lima Beatriz Souza Olimpíadas de Paris 2024 Confederação Brasileira de Judô Rafael Silva Leonardo Gonçalves Olimpíadas de Los Angeles 2028 Mundial de Judô de Baku 2026 Ronald Lima Giovani Ferreira Esporte Clube Pinheiros Ketleyn Quadros

Conteúdo Original

Os últimos dias de uma competição de combate geralmente são reservados para as categorias mais pesadas e também para a disputa por equipes. No Mundial de Judô de Baku 2026, a tradição é mantida com a disputa das categorias acima de 78 kg no feminino e acima de 100 kg no masculino neste sábado (11). Apenas a atual campeã olímpica, Beatriz Souza, será a representante do Brasil na disputa, uma vez que o país não enviou um atleta para o evento mais pesado no masculino. A ausência de um peso-pesado no masculino está relacionada a uma decisão da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), que priorizou atletas que subiram ao pódio em competições internacionais e preferiu "dobrar" categorias com judocas que alcançaram esses requisitos, atingindo o número máximo de 9 atletas por gênero. Esse vácuo na categoria mais pesada do judô brasileiro tem uma explicação. O "dono" dessa vaga até pouco tempo atrás era Rafael Silva, o Baby, que disputou as Olimpíadas de Londres 2012, Rio de Janeiro 2016, Tóquio 2020 e Paris 2024, conquistando três medalhas de bronze: duas individuais (na Inglaterra e no Brasil) e uma por equipes (na França). Agora, Baby está encarando um novo desafio como atleta de "baixo rendimento" como brinca o prório judoca em entrevista exclusiva para a ESPN durante o COB Expo, realizado em São Paulo-SP. "É difícil ficar longe dos tatames e, principalmente, tenho muita saudade das competições, mas... a saudade de treinar para competir em alto rendimento... Eu logo me lembro que era difícil e a rotina, muito extenuante." Mesmo sem competir em alto nível, Rafael Silva segue envolvido com a modalidade como coordenador de judô no Esporte Clube Pinheiros e embaixador da Recoma e da Kusakura. "Fico ali só praticando e curtindo. Aprendi a vivenciar o judô dessa forma também: para curtir e para continuar praticando uma atividade física. É um momento de distração também." Nesta nova caminhada, após encerrar a carreira olímpica em 2024, o maior medalhista internacional do judô brasileiro masculino leva a disciplina que aprendeu com o esporte para a vida: "Em várias partes da gestão e das vivências esportivas, eu estou como faixa-branca e aprendendo a fazer as coisas. É importante ter essa calma e essa paciência. Claro que estudei bastante para fazer essa transição, mas, ao mesmo tempo, essa experiência esportiva me ajuda." Sem competir, Baby projetou o ciclo do judô brasileiro até as Olimpíadas de Los Angeles 2028, sabendo que este Mundial serve como um parâmetro interessante e que costuma ser até mais difícil que os Jogos Olímpicos, uma vez que países fortes, como o Japão, podem inscrever mais de um atleta por categoria. "O judô brasileiro é sempre forte, com bastante chance. O que traz essa força para a gente é um pouco dessa diversidade e da experiência, com essa galera mais nova chegando com sangue no olho para performar. O ciclo promete ser bem legal, com diversas movimentações de peso." Além disso, o judoca apontou as categorias que prometem ter uma briga mais interessante pela vaga olímpica: "A gente tem uma Rafaela Silva que subiu de categoria (para até 63 kg), que quer buscar mais uma medalha nas Olimpíadas e está indo muito bem. Ela deixou um vácuo ali no até 57 kg, então tem quatro atletas brigando por essa posição: a Shirley Nascimento, a Bianca Reis, a Sarah Souza e a Jéssica Couto Lima." As quatro estão entre as 30 melhores do mundo, sendo que Sarah e Jéssica foram convocadas para o Mundial em Baku. A primeira foi eliminada nas oitavas de final para a eventual vice-campeã Eteri Liparteliani, da Geórgia, enquanto a última caiu na segunda rodada. "Pensando na classificação olímpica no masculino, a gente tem o Giovani Ferreira, o Pezão, com o Leonardo Gonçalves, o Iguapé, brigando ali no até 100 kg. Já o Ronald está na categoria até 66 kg e vai disputar com o Willian Lima." Giovani e Léo Gonçalves estão entre os 20 melhores do mundo, com destaque para o último, que entrou no Mundial como vice-líder do ranking da categoria até 100 kg. Em Baku, Pezão acabou eliminado na estreia, e Iguapé parou nas oitavas de final. Já na categoria até 66 kg, Ronald Lima está no top 10, enquanto Willian Lima, medalhista de prata nas Olimpíadas de Paris, passou boa parte de 2025 se recuperando de lesão e promete esquentar a briga até Los Angeles. No Mundial, apenas Ronald foi convocado e chegou até as oitavas de final, caindo para Denis Vieru, da Moldávia, que acabou conquistando a medalha de bronze. Até agora, o Brasil não conquistou medalhas na competição e tem sua última chance no individual com Beatriz Souza neste sábado. A brasileira chega praticamente sem ranking e com uma chave difícil, estreando contra a japonesa Akira Sone e precisando de pelo menos seis lutas para tentar ouvir o hino nacional. No domingo, a disputa por equipes será a última oportunidade para a seleção brasileira subir ao pódio em Baku, sendo que os brasileiros ficaram com o bronze nesse evento nas Olimpíadas de Paris. Da equipe medalhista na França em 2024, apenas Baby e Ketleyn Quadros (que se aposentaram) e Willian Lima não estão no Mundial. Porém, subir ao pódio não é tudo o que está em jogo no Azerbaijão. "Além das medalhas, a importância do Mundial para a classificação olímpica está nos pontos. É muito importante estar entre os oito melhores do mundo; quando você tem essa posição no chaveamento, facilita bastante o caminho até a medalha. Então, espero que os brasileiros vão com tudo para chegar entre os oito melhores do mundo." Esse caminho até o pódio olímpico, Baby percorreu três vezes e conhece bem os seus atalhos.